5 plot twists que temi nos 15 minutos finais do filme “garota exemplar”

Celebrity Sightings In Los Angeles - October 30, 2013

plot twist #78 – O que parecia ser um plano de Nick Dunne para se livrar de Amy Dunne e que depois viemos a saber que era na verdade um plano de Amy Dunne para se livrar de Nick Dunne era na verdade um plano de Nick Dunne para que Amy Dunne achasse que tinha conseguido colocar em prática seu plano para se livrar de Nick Dunne quando na verdade Nick Dunne é que o tempo todo havia planejado se livrar de Amy Dunne fazendo com que ela voltasse com Desi Collings, que estava no plano junto com Nick pois queria Amy Dunne de volta mas não sabia que Nick esperava que ele fosse assassinado por Amy e Amy fosse presa.

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Sobre maçãs, brigas de casal e uma certa sensação contemporânea de repressão emocional

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E tinha um casal brigando no mercado. Ela dizia que ele era um canalha, ele falava que ela estava sendo uma vaca, ela tentava pegar o celular da mão dele, ele se defendia com o que parecia ser um pacote amassado de pão integral, o carrinho balançando perigosamente entre os dois, uma bandeja de ovos vermelhos ali prestes a cair.

No entorno o clima era de constrangimento. Idosos desviavam o olhar, mães puxavam seus filhos para o lado, outros casais pareciam estranhamente mais interessados do que de costume no processo de escolha de congelados pro jantar – “mas amor, olha esse aqui, esse tem brócolis também” – e eu perguntava para um repositor por que não tinha mais maçã da turma da mônica no que poderia parecer uma tática de distração mas era uma dúvida genuína, já que eu sou péssimo escolhendo fruta, as maçãzinhas da turma da mônica sempre vinham muito gostosas e ensacadinhas, era bem prático, fiquei chateado de não achar. Continuar lendo

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Mini-conto #19 – “Sobre a terceira temporada de Fringe”

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Na chamada Terra #2 eles não se conheceram. Os pais dela tinham ido pra outros país a trabalho, ele quase nunca saía do interior, se cruzaram uma vez num aeroporto, ele teve a sensação de que aquela garota era familiar, de um jeito esquisito, mas não se preocupou muito.

Na Terra #4 eles se conheceram uma noite numa festa, ela era namorada de um amigo do irmão, ele era o cara contrariado bebendo drinks com guarda chuvinha. A festa não foi boa, duas garotas passaram mal, um amigo vomitou num chapéu, dois caras foram colocados pra fora. Pessoas se perderam no estacionamento, no final os dois acabaram tendo que dividir um táxi. Ele achou que ela era bonita, ela achou que ele era engraçado, ele pensou em pedir o telefone dela, ela pensou que, se ele pedisse, ela não poderia dar. Se despediram um pouco sem graça, ela deixou dinheiro a mais na parte dela da corrida, ele só notou depois, se sentiu culpado. Nunca mais se viram.

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…e agora, para algo completamente diferente #89

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E nessa semana não temos texto novo no blog mas sim uma participação especial no Papo de Homem falando sobre o processo lógico das teorias da conspiração, o que elas dizem sobre a época em que vivemos e o fato de que se você escreve um texto dizendo que teorias da conspiração estão, em 99% das vezes, absurdamente equivocadas, cerca de 90% dos comentários vão ser de pessoas dizendo que seu texto é parte de alguma conspiração pra que as pessoas não saibam da verdade.

 

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Problemas práticos do romantismo teórico – XXV

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Poucas coisas são mais complicadas quando se trata de relacionamentos humanos do que conseguir dimensionar corretamente a impressão que você deixou em alguém. Não existem indicadores claros, não existem regras de proporcionalidade, não existe nenhuma sistemática que oriente ou regule o quanto você lembra de alguém em relação ao quanto essa pessoa se lembra de você.

Pessoas que você se esforçou por anos pra esquecer em quinze dias nem lembravam mais o seu nome, aquele telefonema que você lutou contra si mesmo durante meses para não fazer mas acabou realizando num momento de bebida e fraqueza é respondido com um “mas marcos? qual deles? o da academia?” e você ficou sabendo através de amigos que aquela garota que na sua cabeça está indexada como “a garota que foi embora” se refere a você em eventos sociais como “o carequinha que falava engraçado”.

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Três ideias para programas de televisão que eu estou considerando se ofereço ou não para o canal Multishow

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Sentimento e Consideração com João Luis
– Um programa de entrevistas onde eu recebo celebridades para um bate papo descontraído com o plot twist de que meia hora antes das gravações tanto eu quanto a equipe e os entrevistados começamos a beber copos de cerveja e shots de tequila. Com isso o que antes era um papo superficial sobre carreira e o mundo do entretenimento se transforma numa conversa verdadeira sobre sentimentos profundos, amizade, gritos de “te considero pra caralho” e “se eu fosse travesti, eu queria que meu nome fosse joycy, com dois y, porque joy é alegria, sabe?”. No segundo bloco entraríamos numa profunda espiral de sentimentos, que envolveria telefonemas para a ex-namorada do convidado, ideias do tipo “sério, a gente tem que colocar fogo em alguma coisa” e culminaria num quadro externo em que sairíamos do estúdio pra confrontar meu pai sobre meus traumas de infância, talvez gritando com ele pelo interfone e dizendo “você nunca me amou de verdade”. No terceiro bloco retornaríamos ao estúdio, bateria a ressaca, o clima ficaria péssimo, ninguém nunca mais ia se falar. Não sei ainda se teria uma banda acompanhando ou não.

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Pequenas neuroses instáveis de relacionamentos de maior estabilidade

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o problema da divisão de problemas – e ela é a pessoa com quem você mais quer falar sobre toda e qualquer coisa, e isso inclui seus problemas. mas ao mesmo tempo, por ela ser a pessoa com quem você mais quer falar sobre toda e qualquer coisa, você sente um certo ímpeto de não gastar o tempo de vocês dois – que poderia ser gasto falando sobre toda e qualquer coisa – falando sobre os seus problemas. mas uma parte importante de ter alguém com quem você quer falar sobre toda e qualquer coisa é dividir os problemas, e se você não falar pra ela sobre esses problemas, se você omitir essa parte, ela deixa de ser a pessoa com quem você pode e quer falar sobre toda e qualquer coisa. e ela provavelmente vai ficar chateada contigo. e aí nessa divisão entre a vontade de falar com ela sobre as coisas que te matam de raiva mas não querer jogar em cima dela as coisas negativas da sua vida, você acaba criando frases como “hoje eu tive o dia mais merda de bosta que um maldito de um corno mal-pago pode ter naquela caralha daquela empresa de merda que só tem filho da puta…” e quando ouve o silêncio preocupado do outro lado da linha, complementando com “…mas de um jeito legal, sabe? tipo, não tão ruim e tal. e quando eu disse caralha eu queria dizer ambiente propenso ao crescimento, eu sempre me confundo com essas palavras”.

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Sobre o terror primitivo do falo conceitual voador

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Ainda que poucas pessoas costumem notar, de todos os xingamentos e praguejares existentes na língua portuguesa – uma língua rica em possibilidades de ofensas, que vão desde menções a genitais peludos como forma de extravasar raiva até informações sobre as opções vocacionais da mãe do outro como meio de ofensa – um dos mais graves, aterrorizantes e sinistros é o interiorano, comum e primariamente inocente “caralho de asa”.

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Mini-conto #18 – “Submarino”

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Primeiro eu tinha que esquecer o seu sorriso. Esquecer a sua boca, esquecer as covinhas do seu rosto, esquecer o jeito como a sua franja caía pela sua testa, como você prendia o cabelo atrás da orelha. Depois esquecer a sua risada, esquecer o som da sua voz, esquecer o seu jeito de cantarolar, esquecer o sotaque que você achava que tinha perdido mas eu notava, esquecer o jeito como você piscava pra mim quando achava que ninguém estava olhando.

Depois seriam as coisas maiores. O seu jeito de encostar os pés nos meus na cama, o gosto da sua boca, a sensação da sua cabeça no meu ombro enquanto a gente assistia algum filme chato no sofá, as suas mãos debaixo da minha camisa pra se esquentar quando sentia frio. Os abraços quando a gente se encontrava, os beijos quando a gente se despedia, você apertando a minha mão quando alguém estranho passava do nosso lado na calçada.

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Sobre barbas, onças e um certo senso de suspense e trauma matinal

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Você estava saindo do apartamento, mais ou menos numa boa. Nesse dia não estava atrasado, nesse dia não tinha reunião, a ida pro trabalho poderia ser tranquila e sem solavancos, era só deixar uma caixa com o porteiro e pronto, dali pro metrô, do metrô uma tranquila caminhada pro trabalho, o clima parecia até ameno.

Aproximou da bancada da portaria, deu aquele bom dia. O porteiro, o mais idoso dos que revezavam na portaria, respondeu bom dia. Deixou a caixa, explicou que iam recolher naquele dia ou amanhã, ele disse que tudo bem, você disse que eram uns óculos que você tinha pedido e que deixavam provar em casa, ele disse que tudo bem, você falou que era porque o seu já tava ficando meio esquisito, ele disse que tudo bem, você agradeceu de novo, ele disse que tudo bem, você se perguntou porque sempre se explicava demais pras pessoas, imaginou o porteiro mentalizando um “tudo bem, cara, meu deus, tudo bem”. Já ia se despedir, tava dando a volta, quando ouviu a voz do porteiro te chamando. “Seu João, tava aqui com uma dúvida. Quanto tempo o senhor aguenta barbudo sem tirar?”.

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