Outra pequena história romântica

Ele era do tipo que pensava em um monte de coisas. Um monte. Não conseguia tomar uma decisão sem pensar em opiniões, repercussões, nos problemas, no tempo, nas coisas. Um monte delas. Se sentou e enquanto esperava que ela chegasse pensou nisso, em coisas, em coisas que acabavam vindo a mente enquanto ela não chegava. Imagens icônicas de romance. Músicas dos Beatles. Primeiros e últimos beijos. Relacionamentos. Quadros. Chuva. Pessoas andando sozinhas em bicicletas feitas pra duas. Isso era uma música? O sol se pondo. A cena da declaração de amor no banheiro em Zack and Miri Make a Porno e o conselho do Stan Lee em Mallrats. Ela demorou mais trinta segundos e ele pensou em pátios de colégio, no péssimo rumo das histórias atuais do Hulk, abraços quentes, ninhos de pássaro e em como não tinha curtido a sextape da Paris Hilton.

Ela chegou. Ele, é claro, continuou pensando. Olhava pra ela e pensava em noites de sorrisos, em pizzas divididas num apartamento grande, em filmes vistos de madrugada durante abraços, em beijos que duram vários minutos. Em carinhos, em papos que atravessariam tardes e durariam horas. Em risadinhas bobas, em uma ou outra bebedeira. Pensava em como estava evidentemente exagerando e precisava de uma coca gelada. Pensava em porque estava pensando em coca se preferia guaraná. Um monte de coisas.

Era complicado explicar pra ela esse monte de coisas, ainda mais enquanto ele não parava de pensar naquele monte de coisas que ele estava explicando. Mas ele tentou e em poucas frases explicou pra ela o que ele estava sentindo, o que ele pensava, e o quanto ele queria que ela sentisse e pensasse do mesmo jeito. Logo depois pediu uma coca (mesmo querendo um guaraná) e ficou pensando e olhando pra ela.

Ela olhou por alguns instantes pro alto, respondeu que não e pegou outra batatinha na bandeja.

Realmente algumas pessoas não precisam pensar tanto assim.

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7 Comentários

Arquivado em contos, romantismo desperdiçado

7 Respostas para “Outra pequena história romântica

  1. ThiagoFC

    Isso me lembra aquele seu conto sobre a correspondência completa entre dois vizinhos franceses… (O final é de rachar de rir)

    Aliás, seu livro de contos tá bacana (bem que poderia caber lá O Dia em que Adriano Econtrou Deus), as histórias estão bem legais. Mas tive a impressão que o final de Bonito estava diferente de uma outra vez que você me mostrou o conto (como não li de novo a primeira versão que você tinha me enviado, não confirmei se era só impressão). Só que esse livro precisa urgentemente de uma revisão: um ou outro erro de ortografia, digitação, acentos e pontuação (além de você não ser bom em crase, como você mesmo já admitiu neste blog, às vezes elas aparecem travestidas de acento agudo), e até de continuidade (Da outra vez eu já tinha falado, em “O dia em que comecei a explodir prédios”: no início do conto você afirma que o prédio tem quatro andares, mas depois cita um personagem que trabalha no sexto andar. E em capa dura, em um dado momento você chama a Amanda de Luana).

    Mas fora isso tá bem legal. Pode publicar, promover uma tarde de autógrafos e esperar o Paulo Coelho morrer, para você ficar com a vaga dele na Academia Brasileira de Letras.

  2. Eu também sou o tipo de pessoa que pensa em todas as coisas sobre tudo!
    E tenho uma mania também de pedir coca mesmo querendo outra beber cajuína!
    Talvez seja pelo fato do cara dizer assim “coca ou refrigerante?” como se coca fosse outro tipo de bebida e talvez seja…

  3. Elisa

    Pensar demais nunca dá certo. A única vantagem é a Coca. Nada supera a Coca.

  4. Chris

    Gostei muito de seus contos. Parabéns!
    Lendo, começo a pensar em infinitas coisas e pessoas ao mesmo tempo. Na verdade senti como se estivesse ali, no lugar dele. Minha vida é normalmente assim. Fatos se tornam grades histórias, pequenos detalhes se tornam motivo para milhares de pensamentos. E um “não” no final, claro. Isso é de costume.
    A partir de agora serei um leitor de seus contos!

  5. eris

    Como pode acontecer?

    Como pode alguém amar uma pessoa mesmo antes de conhecer?
    Essa pessoa nem mesmo sabe se vc existe.
    Como pode alguém, com apenas um olhar saber que aquela pessoa e o amor da sua vida?
    Sem nunca ter se quer trocado uma palavra.
    Com apenas um olhar o mundo para ao seu redor e tudo se simplifica em uma pessoa.
    Aquela pessoa em que do nada apareceu em meio a uma multidão, e que por alguns segundos se tornou a única pessoa naquele lugar, como se fosse um filme passando lentamente em seus olhos, sei que foram segundos mais para mim parecia horas, que foram bem apreciadas pela beleza única daquela pessoa, que me encantava a cada segundo.
    E que quando acabou ficou aquela saudade imensa daquela pessoa em que eu nem mesmo conhecia, mais tinha certeza que ainda ia vela.
    Como pode, o destino ainda tinha surpresas, depois de algum tempo encontrei aquela pessoa novamente, só que agora estava bem perto dela, fui ate apresentado pra ela, mais sabendo que ela se quer olhou pra mim, se quer sabia meu nome mesmo sendo apresentado, mesmo assim o amor que eu estava sentindo foi bem maior, eu tinha a certeza que ela ainda ouviria falar de mim.
    Como Deus e generoso, quando menos eu esperava, em um evento acabei conhecendo ela, so que dessa vez ela também me conheceu, e melhor que isso ficamos uma noite, uma noite mágica.
    E depois eu como o único interessado fui atraz de encontrar novamente pensando eu em ater pedir um relacionamento mais serio, sabendo que poderia sair com um não bem grande ou um sim que poderia mudar minha vida, mais nem mesmo encontrei ela. Tinha certeza que ainda encontraria, então atravez de uma amiga encontrei a sua casa, então só faltava criar coragem para falar com ela já que no dia anterior eu tivemos muito tempo para conversar.
    Imagine uma pessoa que nunca chegou em uma mulher para pedir para namorar, esse era eu, mais como estava cego pelo amor, acabei falando e depois muito tempo conversando tentando falar o que realmente tinha pra falar pedi ela em namoro.
    E imagine o que eu ouvi?
    Ela mi disse um sim, sinceramente eu não esperava ouvir um sim, de um mulher linda como ela é, era um sonho.
    Eu estava totalmente, absurdamente feliz havia conseguido o que esperava a algum tempo.
    Só não esperava que teria que conquistar aquela mulher, pois ela nem mesmo estava comigo, só estava o corpo pois sua mente estava em outra.
    Mais não desisti, era a mulher da minha vida, não poderia simplesmente deixar, então tentei de varias formas a conquistar, pois meu propósito era somente aquele, cheguemos ate a terminar mais foi ai que descobri que tudo que havia feito estava dando resultado.
    Deu tanto resultado que acabei casando com essa mulher, e que mulher.
    Esse mulher que vivo ate hoje, que posso declarar que os melhores momentos da minha vida foram com ela que passei, que não podia ter acontecido coisa melhor na minha vida.
    E foi com essa mulher que aprendi amar.
    E é com ela que vou continuar amando.

  6. rene

    mallrats,como você conseguiu lembrar desse fime no meio dessa estória?

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