Movie Review #3

O Incrível Hulk

Cotação 4,5/8

O primeiro filme do Hulk não era um “filme do Hulk”. Era um filme do Ang Lee sobre o Hulk, o que é uma coisa totalmente diferente. É como se chamássemos Quentin Tarantino para dirigir um filme do Justiceiro. Seria um baita filme? Provavelmente. Mas não seria um “filme do Justiceiro”, seria um filme do Tarantino. Ang Lee fez um filme sensível, criativo, reflexivo…e que era uma droga. Por isso a intenção da Marvel Studios com esse novo filme do Hulk era basicamente ignorar o filme anterior e começar novamente a franquia, do jeito que ela “deveria ser”.

A primeira escolha acertada foi a de Edward Norton. O ator não só encampou a produção, atuando, produzindo e reescrevendo o roteiro, como deu asas para toda a sua nerdice interior, se tornando Bruce Banner e ajudando a criar um filme baseado não só nos quadrinhos, mas principalmente na antiga série televisiva . Outra boa escolha foi a de Louis Leterrier, o diretor de “Carga Explosiva”, para comandar o filme. Isso garantiria menos sensibilidade e mais explosões, bombas, coisas voando, coisas explodindo e voando, e bombas voadoras explodindo. E o terceiro fator foi a intenção da Marvel de criar um universo coeso nos cinemas, unindo e vinculando as tramas de seus filmes, como ficou claro também no filme do Homem de Ferro.

Temos então um excelente filme? Menos, bem menos…O filme começa com Bruce Banner morando na Rocinha (?!) e trabalhando em uma fábrica de sucos (?!²) enquanto busca a cura para seu problema, um pequeno problema verdade chamado Hulk. Temos então uma breve recapitulação da história do Hulk, com sua origem ligada, assim como no primeiro filme, a um experimento bioquímico (e não atômico, como nos quadrinhos) e sem toda aquela história de pai cientista maluco e cachorros mutantes bizarros, e sua fuga ao redor do mundo desde então.

Porém, então, entretanto, um dia Bruce deixa cair uma gota de seu sangue em uma garrafa do suco (?!) produzido na fábrica onde trabalha como faxineiro-técnico eletricista (?!³) e isso é rapidamente (?!¹²) descoberto pelo General Ross, pai da ex-namorada de Bruce e responsável pela experiência na qual Bruce sofreu seu acidente. Começa então a caçada pelo cientista dentro da favela, capitaneada por Emil Blonski, um militar especialista em localizar pessoas, interpretado pelo sempre esquisito Tim Roth. Eles, é claro, tomam uma bifa, afinal, gringo subindo o morro acaba se dando mal com ou sem Hulk. Bruce se decide então a ir até os “US and A” em busca de mais dados para sua pesquisa por uma cura.

Chegando lá ele encontra não só os dados, como também sua ex, Betty Ross (aaaahhhh, Liv Tyler…Ahhhhhh….), e o novo namorado descartável dela, o psiquiatra Leonard Samson. Mas deixa pra lá, ninguém se importa com ele mesmo. A caçada se torna então mais intensa, principalmente quando uma versão do soro do supersoldado (sim, aquele que criou o Capitão América) modificada com radiação gama (sim, a radiação que ajudou a criar o Hulk) é injetada em Emil Blonski, que se torna o Abominável. Conseguirá Bruce Banner se livrar de sua maldição? Ele aprenderá a controlar o Hulk em prol de um bem maior? Usará Liv Tyler mais roupas com decote? Conseguirei eu uma garrafinha do suco feito pelo Dr. Banner?

O filme consegue manter um bom ritmo, com ação intensa e excelentes atuações, principalmente de Norton e Roth, mas fica claro, em vários momentos, que o plano do roteirista e do diretor era um filme maior, que faltam algumas peças, que alguma coisa na montagem não saiu exatamente como se esperava. Empolga? Sim, mas não tanto quanto poderia, ainda que seja bem melhor do que muitos de nós esperávamos que fosse. Mas pavimentou o caminho para o início de uma franquia que pode se desenvolver com sucesso. E pelo menos nesse filme “Hulk Esmaga!”, o que é um ótimo começo. Mas continuo esperando o filme do Homem-Formiga…

P.S: Muito boa a aparição de Tony Stark ao final do filme, oferecendo uma solução para o “problema Hulk”. Cada vez fica mais claro que teremos um sensacional filme dos Vingadores por aí, além da certeza de que Robert Downey Jr. conseguiu empatar com Cristian Bale na lista dos caras fodões dos filmes baseados em quadrinhos. Até, é claro, sair “Watchmen”. In Homem-Coruja I trust!

P.S.2: Sempre comovente a forma como o exército americano é retratado, assim como seu respeito pelos direitos civis. Afinal, eles invadem território estrangeiro dando tiros como se distribuíssem doces, levam tanques de guerra e armas sônicas para um campus universitário, e pra colocar a cerejinha no bolo, destroem Nova York (na verdade o Harlem) sem pensar duas vezes, com direito a mísseis em prédio aparentemente abandonados (mas aparências enganam, eu sei) e coisas do tipo. É aquela coisa “Join the army. Meet interesting people. Kill them.”, como diria o Steven Wright.

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5 Comentários

Arquivado em Movie Review

5 Respostas para “Movie Review #3

  1. Só pra que fique registrado, há problema em destruir o Harlem???

    A única coisa legal que o Harlem tem são os Globetrotters e eles são, na verdade, de Chicago!!!

  2. ThiagoFC

    Ei, agora que eu notei algo: impressão minha ou sua cotação vai de zero a OITO?!?!?!?!?!

    E eu gostei do filme do Hulk. Mas dos novos da Marvel, gostei bem mais do Homem-de-Ferro (aliás, acho que esse aí é o melhor entre TODOS da Marvel, incluindo os do Homem-Aranha). E essa idéia de filme dos Vingadores pode ser uma boa!

  3. Ah, cara, você sabe que meu lado árabe me faz achar divertido destruir apenas os prédios altos, com executivos…

  4. Sobre o filme eu só tenho a dizer que gostei mais que o 1°, quando o Hulk era emo.
    Já o post fez-me lembrar das cenas de filmes em que os nerds discutem sobre quadrinhos e filmes. Awesome, btw.

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