Movie Review #4

“O Procurado”

Cotação: 2/8

Quando eu li “Wanted”, a minissérie de Mark Millar e J.G. Jones na qual o filme “Procurado” se “baseia”, isso já há alguns anos, eu me lembro de ter pensado “caramba, aí está um roteiro do carvalho pra um filme de ação”. Tínhamos um mote clássico da “jornada do herói”, com um perdedor que descobre ser filho do maior assassino do mundo e é recrutado por uma irmandade de vilões para sair chutando bundas por aí; tínhamos já alguns papéis bem legais nos quais dava pra encaixar desde um astro novato ascendente até uma atriz gostosa altamente requisitada e um ator experiente clássico que trouxesse credibilidade ao filme; e claro, tínhamos pretexto para algumas das cenas de ação mais absurdamente legais que o cinema já tivesse visto.

Então a minha reação quando anunciaram uma adaptação para os cinemas foi de felicidade total, afinal, ia sair do papel uma das coisas mais irresponsáveis e divertidas que eu já tinha lido nos quadrinhos. E cara, tinha Angelina Jolie no papel da gostosa! Cool! James Mcavoy como Wesley Gibson! Legal! E Morgan Freeman faria o papel de Sloan! Mas quem era Sloan? Não tinha nenhum Sloan! E começamos a descer a ladeira. Me deixem explicar por que.

Nos quadrinhos Wesley Gibson é, assim como no filme, um cara ferrado, vivendo uma droga de vida e é recrutado por uma organização secreta de super-vilões que diz a ele que, por ser filho do maior assassino que já existiu, ele é parte do grupo e pode fazer o que quiser. Sim, o que quiser. Não existem mais super-heróis, todos estão mortos, então os vilões dominam o mundo secretamente e podem fazer o quiserem sem medo, incluindo matar, estuprar, roubar, tudo. E claro, ele é uma máquina de matar natural, incapaz de ser contido. E nisso reside uma das questões mais legais da história: o que você faria se não tivesse que se preocupar com as conseqüências? Se tivesse um passe livre para fazer tudo que quisesse com quem quisesse?

Como pano de fundo temos a busca dele pelo assassino do pai e o conflito entre as facções de supervilões (cada grupo controlando um continente) que vão se entrelaçando até um final que, se não é genial, é totalmente divertido.

No filme saem de cena os super-vilões, e os roteiristas, alegando que isso daria mais “veracidade” ao filme, forjaram o conceito de uma liga de assassinos formada por um grupo de tecelões para matar pessoas indicadas em um pedaço de tecido criado por um tear gigante. Ou algo assim. Beeeeem melhor do que super-vilões, claro, óbvio. O filme começa a enveredar então por uma série de erros de roteiro, reviravoltas óbvias e cenas de ação absurdamente inexplicáveis, tudo isso comandado em ritmo de “Guardiões da Noite” pelo diretor russo Timur Bekmambetov, que até sabe dirigir uma cena divertida de ação, mas não poderia se sair bem com um roteiro infame como esse.

James Mcavoy, o fauno Túmus do primeiro “Crônicas de Nárnia” se sai bem no papel e consegue se salvar, mas Morgan Freeman evidentemente não precisava desse filme na vida dele, assim como Angelina Jolie, que ainda é muito válida, mas tem que aceitar que em breve vai ter que passar o papel clássico de “gostosa randômica” pra outras atrizes.

No final das contas “Procurado” acaba sendo o desperdício total de um bom conceito, perdido em um roteiro no mínimo tosco, que transformou o filme em um apanhado de cenas de ação e balas que fazem curva. Não recomendo e enfatizo: se quiser saber como esse filme poderia ter sido legal, procure “Wanted” em alguma comic shop ou compre na internet. Ou baixe na internet pra ler. Mas não diga que eu recomendei uma coisa dessas…

P.S: Alguém poderia me explicar a cena dos ratinhos, no final? Sério, eu não consigo aceitar que o roteiro tenha sido tão idiota, eu é que não devo ter entendido…Como ele colocou os relógios de pulso em todos aqueles ratos?

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5 Comentários

Arquivado em Movie Review

5 Respostas para “Movie Review #4

  1. Eu tô com um belo ar de frustrado então boas idéias completamente desperdiçadas me apetecem!

  2. Essa é a primeira vez que eu leio o verbo “apetecer” ser conjugado fora de um romance do Jorge Amado! Obrigado por essa experiência, Yuri!

  3. Ele tinha que ser o Eminem e a gostosa a Halle Berry. Concordo com tudo o que você disse e ainda tenho mais a falar, mas tô atrasada agora.

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