Movie Review #5

“Zack and Miri make a porno”

Cotação: Inaplicável*

zack-and-miri

Como eu já contei aqui (ou aqui, ou aqui, ou até mesmo aqui, não me lembro bem) a primeira vez que eu vi um filme do Kevin Smith foi numa noite vazia, na Bandeirantes, e o filme era “O Balconista”. Desde então Kevin Smith virou pra mim uma referência em termos não só de cinema como de produção criativa como um todo, assim como um exemplo de ser humano e criatura viva num contexto mais amplo da criação cosmológica. Se pra mim o Weezer é a grande banda que os Beatles poderiam ter sido de Lennon andasse com as pessoas certas e eles deixassem o Ringo interferir mais nas músicas, Kevin Smith é o cineasta que Orson Welles poderia ter sido se lesse as histórias em quadrinhos certas e tivesse uns amigos menos sérios.

Apenas para ilustrar com um último exemplo o meu respeito pelo trabalho do pai da pequena Harley Queen, sempre que eu ouço alguém criticar Kevin Smith eu apenas pergunto pra pessoa a religião e o nome do pai, pra poder dizer que a fé dela e uma mentira e o pai dela é gay. Simples assim.

Por isso fazer uma resenha minha de um filme do Kevin Smith é algo tão suspeito quanto a resposta da pergunta “gosta mais da mamãe ou do papai?”. (Segundo relatos de minha tia eu teria respondido a essa pergunta, quando tinha cerca de 3 anos, dizendo que gostava mais do Batman. O que é uma resposta obviamente infantil e meio sem sentido. Afinal, o Homem-Aranha é bem mais legal…). Kevin Smith é, a meu ver, um dos maiores cineastas que a minha geração teve a chance de assistir. Seu humor é ágil e afiado sem ser elitista ou excessivamente intelectual, suas tramas envolvem sem ser simplistas, sua direção é segura e competente sem tentar extravagâncias, e suas escolhas de elenco são brilhantes, levando em conta que com ele até o Ben Affleck se torna um grande ator.

Sim, algumas pessoas podem dizer que ele é grosseiro, que ele abusa da escatologia (“xixi/cocô”), que ele é auto-referencial, que ele é cinema pra nerd ou até mesmo que ele é gordo. Mas fora a acusação de obesidade, nada disso é verdade. Smith é tão grosseiro quanto qualquer boa conversa de amigos, tão escatológico quanto as histórias que você conta quando está bebendo com seu irmão, tão auto-referencial quanto toda a cultura pop atual e tão nerd quanto…quanto…quanto algo bem nerd, mas engraçado…quanto aquele vídeo do Darth Vader sendo babaca e fechando a porta da salinha dele, por exemplo!

E mesmo que ele fosse isso tudo, ele compensa qualquer defeito com a identificação que as tramas dele oferecem pra uma grande parte de um público que nunca foi tão bem representado nos cinemas: os caras de vinte e tantos (ou trinta e poucos) e com problemas em relação as suas perspectivas de vida, seja no trabalho ou na vida pessoal, mas que não ligam muito pra isso e continuam bebendo suas cervejas e vivendo sua rotina. Smith mistura quadrinhos, cultura pop, cinema, literatura, música, amizade, superação pessoal, romantismo, piadas sobre fluidos corporais e declarações de amor feitas através da porta do banheiro com a simplicidade e a sinceridade de quem está fazendo um filme pra amigos ou contando uma história enquanto joga playstation contigo, não se levando à sério e não te pedindo pra levar nada daquilo á sério.

Ah, e falando sobre o filme: Zack (Seth Rogen) e Miri(Elizabeth Banks) são dois amigos de infância que, quando percebem que estão sem um centavo e sua luz e água foram cortados, decidem fazer um filme pornô pra conseguir dinheiro. Simples assim, mas escrito e dirigido por Kevin Smith.

Observações:

-Nunca pensei que eu fosse dizer isso sinceramente na minha vida, mas Brandon Routh ganhou o meu respeito pela sua participação especial no papel do amigo de infância gay da Miri. O diálogo entre ele e Justin Long é um dos melhores momentos bizarros do cinema em décadas.

-Eu realmente nunca imaginei quantos trocadilhos a língua inglesa proporcionava com a palavra “cock” até ver esse filme.

-A audição do título nacional (“Pagando bem que mal tem?”) levanta duas possibilidades sobre o conteúdo do filme: a)pornô-chanchada com o Costinha; b)pornô com ex-paquita, lançado pela SexxyStars. Obrigado pelo excelente trabalho, pessoal!

-Eu faço piadas sobre o Ben Affleck, mas é apenas por inveja. Ele é amigo do Kevin Smith e pai dos filhos da Jennifer Garner, isso basta pra mim.

Anúncios

5 Comentários

Arquivado em Movie Review

5 Respostas para “Movie Review #5

  1. “-Eu faço piadas sobre o Ben Affleck, mas é apenas por inveja. Ele é amigo do Kevin Smith e pai dos filhos da Jennifer Garner, isso basta pra mim.”

    Sem mais comentários…

  2. ThiagoFC

    “-Eu faço piadas sobre o Ben Affleck, mas é apenas por inveja. Ele é amigo do Kevin Smith e pai dos filhos da Jennifer Garner, isso basta pra mim.”

    Sem mais comentários… [2]

  3. Ana Tereza Otoni

    Eu queria ser a Jennifer Garner e não ter os filhos.

  4. Ana Tereza Otoni

    vai estrear no independencia…ou pelo menos tem o cartaz por lá.

  5. Elisa

    To com esse filme pra ver tem um tempao (baixado, claro), mas ainda nao vi. Se eu nao tivesse com tanta preguiça da vida agora, eu veria nesse instante.

    Mas eu to com muita preguiça de tudo. Inclusive da minha meta de comer mamão todas as manhãs. Eu não gosto de mamão.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s