O lado negro da força – Parte I

vader

Eu sempre tentei ser uma pessoa legal. Não que eu consiga com freqüência, mas eu tento. Procuro sempre ver o lado bom das pessoas, não me irritar com as coisas, aceitar que os animais não fazem certas coisas por culpa deles e que a programação da TV aberta sempre foi ruim, não é nada pessoal. Mas claro, todo mundo tem seu lado ruim, egoísta, cruel e deliberadamente babaca. E ainda que eu evite ter contato com esse meu lado (só faço isso durante o horário de trabalho ou em reuniões de condomínio) acabei tendo contato com esse lado há alguns dias atrás. E admito, eu realmente não sou uma pessoa tããão legal assim.

Explicando. Estava eu de bobeira no orkut, deixando um scrap para um amigo suplicando por um convite para jogar futebol quando topei com o perfil da minha ex-namorada. Lá dizia que ela estava namorando e pela foto ela parecia ótima e feliz. Feliz mesmo, assim, felicidade em proporções homéricas, quase uma viagem de lsd pelo mundo dos teletubies. E ótima mesmo, assim, linda, impressionantemente bonita. Bastante, mas bastente atraente mesmo. Mas não vou me estender sobre isso. A questão é que eu fiquei feliz, por saber que ela estava bem. Fiquei mesmo, com toda a sinceridade. Saber que ela, uma pessoa de quem eu gostei muito e ainda gosto, estava bem, me fez bem. Por exatos 3,467 segundos. Depois eu fiquei…hummm… puto.

Sim, eu sei, isso não faz sentido. Fui eu que terminei, fui eu que pulei fora, ela tem todo o direito de estar bem, feliz e com um outro cara. Era isso que o hemisfério racional da minha cabeça dizia. Mas ele era pequeno diante do hemisfério irracional e rancoroso (numa comparação proporcional, seria algo como “estado do Espírito Santo versus Macedônia dos tempos de Alexandre”) que dizia que havia algo de muito errado nisso. Claro, eu não queria que ela, depois que a gente terminou, passasse o resto da vida chorando de saudade e pensando em como eu era legal. Mesmo porque eu realmente não sei se sou legal. Mas…será que ela não poderia fazer isso? Sei lá, ficar pelo menos uns…cinco, seis, talvez sete, no máximo oito anos em depressão profunda, chorando diante de uma foto minha e ouvindo repetidamente aquela música “Os outros” do Kid Abelha?

Claro, eu entendo que eu não tenho nenhum “capital emocional” nesse caso, já que ela realmente tentou me mostrar que eu estava errado em terminar, e eu mesmo fiquei com outras pessoas nesse meio tempo, quase namorei de novo, mas não existe algum tipo de acordo tácito entre pessoas que terminam sobre a pessoa que “foi terminada” só poder ficar feliz e alegre assim que a pessoa que terminou estiver relativamente bem estabelecida emocionalmente? Sério, é no mínimo injusto da parte dela estar linda, feliz e bem sucedida (e na foto ela realmente estava sexy) enquanto eu estou engordando, tendo como principal amigo um rinoceronte de pelúcia e semana passada aceitei ir no enterro de uma pessoa desconhecida só pra não ficar em casa sozinho (fora que essas entradas no meu cabelo não parecem ter boas intenções).

E admito, fiquei com um certo peso na consciência por ter sentido isso. Sério, não é legal ficar chateado diante da felicidade e do bem estar dos outros.  Não mesmo. Mas dane-se, eu fiquei…E me sinto bem melhor por ter compartilhado isso com todos vocês. Quer dizer, na verdade não…

Ah, e o enterro foi um saco, só pra constar.

(Esse post também não teria sido possível sem este post da Elisa)

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11 Comentários

Arquivado em Vida Pessoal

11 Respostas para “O lado negro da força – Parte I

  1. É o que eu sempre digo: de ex-namorado e presente de amigo oculto, pode-se esperar qualquer coisa.

  2. Acho que homem é diferente de mulher nesse aspecto. Eu não tenho apego nenhum com meus ex-namorados. Tanto que uma amiga daqui já ficou com um deles e outra amiga está namorando o outro. Quase um brechó. “Já larguei, quem quer? Quem quer?”

    aheuaheuahueahheuahueahuehauheaue

    Obrigada pela referência no post.

    PS: fiquei curiosa para ver o perfil dela no orkut e não consegui achar de jeito nenhum! Que droga!

  3. ThiagoFC

    Silent Bob says:
    “You’re chasing Amy…”

  4. Post para se fazer pensar. E fez.

    Mas limito-me a comentar: Sério que cê tem um rinoceronte de pelúcia? Que massa!

    Eu tenho, como não poderia deixar de ser, um coala! E ele é um cara legal.

  5. Porra, devolve a merda do rinoceronte!

  6. Juninho

    Eu tenho um gamba da parmalat… ele eh legal e corinthiano =)

  7. Juninho

    Vc tem todo o direito de se sentir puto com a felicidade da sua ex, ainda mais se ela resolve noivar de uma hora pra outra soh pra te irritar, ou naum…
    E eu li, por curiosidade, o post da Elisa… Mto bom!

  8. ThiagoFC

    Meu cérebro ainda tem extrema dificuldade em processar algo que seja da parmalat e corintiano ao mesmo tempo. Até hoje eu vejo essas duas coisas como incompatíveis hehehehe

  9. Mateus TG

    eu achava aquele vilão de lazytown uma figura, mas acho q esse não é o post certo para esse comentário. Enfim…
    Ver ex-mulé bem é sempre emputecedor, desconheço quem já não tenha passado por isso.
    Capital emocional daria um ótimo nome para uma péssima banda de emo;
    E por fim, cá estamos em Viçosa de bobeira! bora marcar um barulho awe, seja uma cerveja ou um enterro!

  10. Juninho

    “desconheço quem já não tenha passado por isso.”

    Eu! Naum tenho ex =)

    E meu gamba eh corinthiano, faz propaganda pra parmalat sph pra ganhar um troco…

  11. Thiago Medeiros

    Fica assim não jão… fica assim não.

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