Histórias que não vamos querer contar aos nossos filhos

“Papai?”

“O que, Marcinha?”

“Como foi que você conheceu a mamãe?”

“Ah, minha filha, isso faz tanto tempo…”

“Ah, vai, pai, me conta!”

“Ok, filha…Foi numa festa…”

“Festa? Que tipo de festa? Uma festa de aniversário, papai?”

“Não, foi uma festa…festa-festa, festa mesmo.”

“Uma festa de boate, papai?”

“Não, era um tipo de festa que existia na nossa época…se chamava micareta…”

“Micareta? Nome engraçado! E como era isso de micareta?”

“Bem…humm…então…todo mundo se reunia, tocava música baiana e as pessoas ficavam lá…”

“Música baiana? Como aquilo que a tia Julia ouve, aquele tal de Caetano?”

“Não, filha, era outro tipo de música baiana…”

“Era bom? Canta um pouquinho pra mim?”

“Olha, filha, melhor não…A gente era novo, entende? Ouvia outro tipo de música, sabe?”

“Ah, pai, vai, canta!”

“Melhor não, filha, sério…”

“Canta! Canta! Canta!”

“Ok, ok, ok, só pára de chorar, pelo amor de deus…Tudo bem…Então…tinha uma que era assim…dança da manivela, dança da manivela, dança da manivela…”

“Só isso? Música boba, pai…Vocês iam lá por causa disso?”

“Na verdade não era bem por causa disso…”

“Era por causa do que?”

“Era porque…olha…filha…era porque todo mundo beijava todo mundo…”

“Beijava? Beijava como? Que nem eu beijo a vovó?”

“Não…que nem papai beija a mamãe…”

“Com a língua, pai?!”

“É, Marcinha…Com a língua…”

“Então você beijou a mamãe lá e ficaram juntos depois?”

“É, foi quase isso…Só que papai não beijou só a mamãe, entende?”

“Eu sei, papai também beija a vovó. Todo mundo beija a vovó no rosto. Até a Tia Julia, que disse que a vovó tinha que morrer…”

“Não, filhota, eu estou dizendo que na festa eu beijei mais garotas…”

“Você beijou mais garotas na mesma festa que beijou a mamãe?”

“E ela beijou mais rapazes também…”

“Como assim, papai? Na mesma festa você beijou a mamãe mas beijou outras garotas? E a mamãe beijou outros garotos? Como assim, papai?!”

“Olha, minha filha, era assim na época, sabe? E não foi só nessa festa…”

“Então…mamãe beijou um monte de garotos…num monte de festas? Mamãe e você iam em muitas festas?”

“Ah, a sua mãe ia em muitas festas…Muitas mesmo…E beijava muita gente…Muita mesmo…Depois você olha a caixinha de abadás que ela tem no armário…Na verdade sua mãe era até bem vagab—”

“O que é um abadá, papai? E vocês só beijavam?”

“Olha, Marcinha, quer saber? Esquece isso tudo…eu conheci sua mãe na missa, certo? Na missa, na hora da hóstia, aquele biscoitinho que dão pra gente…Agora vai pro seu quarto e continua vendo o maldito DVD da Barbie, ok?!”

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9 Comentários

Arquivado em Mundo (Su)Real

9 Respostas para “Histórias que não vamos querer contar aos nossos filhos

  1. monique

    “how i met your mother FAIL!”
    hahahahaha!
    =D

  2. Juninho

    Eu quero mais é beijar na boca!!!

  3. Andrey

    Esse texto tem tudo para dar uma ressaca moral em tempos de pós-carnadministrando!

  4. Ana Tereza Otoni

    Ai credu! Micaretas jamais!

  5. Por isso que eu digo, há o que deve ser contado, há o que não deve ser contado, e também tem as micaretas!

  6. Nunca terei essa experiência pra poder ser remotamente contada.

  7. do jeito que as coisas vão, acho que o netinho iria se surpreender é com a moralidade das micaretas, e vc seria forçado a acabar com a conversa dizendo:
    “Agora vai pro seu quarto e continua vendo o maldito DVD da Amy Winehouse, ok?!”

  8. Tomara que você esteja certo e que as micaretas tenham desaparecido da terra quando eu tiver filhos… Eu ia ficar muito triste de ter filhos bombados de abadá.

  9. heuehuahuehuehauehahuea

    algumas coisas no passado precisam ser omitidas dos nossos filhos pra preservar nossa autoridade.

    XD

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