O homem-pedreiro

Está aí para quem quiser ver o fato de que vivemos em uma era de mudanças profundas para o papel do homem na sociedade. Se antes o homem era o provedor, o caçador, o representante do poder e aquele que nunca pedia orientações quando se perdia na estrada, está claro que hoje o papel dele mudou drasticamente, exigindo dele coisas como sensibilidade, vaidade, inteligência emocional e um papel mais ativo nas tarefas domésticas. Ou seja, tudo aquilo que o seu avô consideraria uma tremenda viadagem. Mas nesses tempos modernos, onde fica o lado “macho” do homem? Sim, qual será o futuro dos aspectos mais primitivos da personalidade masculina em um mundo cada vez mais feminilizado? Onde reside a virilidade em uma sociedade que defende a depilação masculina e na qual até mesmo o James Bond se apaixona e dá uma de sensivelzinho? Bem, amigos, isso tudo passou a residir em um lado escuro e obscuro de nossos cérebros, entre o hipotálamo e a parte da memória que armazena as revistas de mulher pelada e o placar dos jogos do Mengão: o lado pedreiro.

Mas por que pedreiro? Bem, porque a imagem do pedreiro representa o que existe de mais primitivo no desenvolvimento do homem moderno. O pedreiro trabalha de forma braçal, o pedreiro fala alto, ouve forró no talo, e o pedreiro não só acha toda mulher “gostosa” como ainda mexe com elas na rua e xinga se não derem mole. O pedreiro representa, basicamente, tudo que a sociedade espera que o homem moderno não seja e renegue veementemente.  Mas por mais que se negue, se evite, existe um lado pedreiro em cada um de nós, mais ou menos escondido, esperando apenas uma chance para se libertar e deixar cair um tijolo de virilidade extrema do alto de nossas construções intelectuais semi-metrossexuais.

Repare se, em cada momento da sua vida, em cada decisão, em cada escolha, não tem pelo menos um lado da sua mente que te dá alguma sugestão ogra de caminho a se tomar. Você passa por uma mulher atraente na rua, por exemplo. Se um lado da sua mente te indica que você deve reparar, mas não de forma evidente e grosseira, existe outro que te incita a mandar um “e aí goooossssstosa, bundinha deliciosa essa, hein? rola jogo não? hein? hein? bora fazer um amorzinho gossstoso?”. Se quando seu chefe te coloca aquela pilha de trabalho na mesa a sua reação é um “olha, chefe, acho que não vai dar”, tem uma parte sua que quer mandar um “p** no seu c*, tira essssssa merda daqui, p****!”. Ou seja, em cada momento, cada atitude, é como se existisse de um lado um pequeno Kaká, te dizendo pra tratar todo mundo com educação, agir com sensibilidade e se casar virgem aos 23 e do outro lado um pequeno Alexandre Frota, te dizendo pra cobrir dois de porrada, mandar todo mundo tomar no c* e depois fazer um filme pornô com a Bruna Surfistinha, tudo isso usando um sotaque carioca esquisito.

Mas pode o homem viver suprimindo o seu lado ogro, pedreiro, apelão e ignorante pra caramba? O fato é que… não. Todo homem, independente de seu nível de refinamento, precisa de uma válvula de escape para esse lado primitivo do seu cérebro, senão a tendência é que ele perca traços essenciais da sua personalidade e não consiga manter o contato com seu ogro interior, se tornando um homem sem personalidade ou mesmo um não-homem. Afinal, mesmo David Beckham sente vontade, as vezes de dizer um “mulher, me traz uma cerveja!” e mesmo Pedro Bial pisca diante da tentação de um “baita delicinha você, hein, gatinha? queria te esfregar com um sabonetinho…”” ou mesmo um “te chupava que nem manga, gostosa!”. Todos nós temos a nossa cota de pedreirice interior e o melhor a fazer com ela é aceitar e saber tirar dela os aspectos positivos que vão desde a competitividade até a coragem para fazer “aquilo que um homem tem que fazer”. Não, não falo de aceitar que cada um de nós tem “um pedreiro dentro de si”, porque isso é esquisitão e eu estou fora dessa,  mas aceitar que ainda que os conceitos do que é ser homem mudem com o tempo, certas atitudes “de macho” precisam ser mantidas.

Fora que, sinceridade, dizer gostosa com sotaque carioca é engraçado pra caramba. Não sei como o pessoal no Rio consegue dizer isso sem rir…

(Este post não teria sido possível sem conceitos lançados pro Frank, Mateus TG e Yuri, o único cara hetero que entende de moda e mesmo assim sai na rua com uma camisa do Olodum de quinze anos atrás)

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11 Comentários

Arquivado em Crônicas

11 Respostas para “O homem-pedreiro

  1. ThiagoFC

    O mais legal é quando esse lado pedreiro é exibido em momentos que, teoricamente, deveria ser contido.

    Vide aquele episódio dos comentaristas da SporTV se referindo (no intervalo da partida, fora do ar, mas que de alguma forma vazou para a internet) a uma repórter de outra emissora: “Eu chuparia até a frieira dela!”. Sensacional!

    E o Rogério Ceni é chato pra caralho mesmo!

  2. Mateus

    Obrigado pela referência. E viva o churrasco malpassado.

  3. All hail pedreiros.

    Todo macho que se preze deve ter terminar suas sentenças usando porra como ponto final.

  4. Outro fato a ser registrado é que esse lado pode aumentar consideravelmente de acordo com a quantidade de machos ao seu redor.

    Quanto mais machos, mais atitudes ogras. Uma coisa atrai a outra.

    • Pra ser sincera, não sei de onde vem essa demanda social. Quem quer metrossexuais? Homens depilados, que tiram sobrancelha e entendem as funções de bases e corretivos para pele?

      Credo.

      Homens sensíveis são um saco. Eu já tenho que aturar a minha própria sensibilidade exagerada.

      Que homens sejam ogros, peludos, barrigudos e continuem nos chamando de “goxtosas”.

      Minha única ressalva são os que só viram ogros quando se reúnem com outros homens (como o Ulisses falou aí em cima). Sempre tenho minhas dúvidas quanto a homens que gostam de exibir demais suas masculinidades.

  5. Juninho

    David BeckhaM!!!

    E q porra de monte de pontinhos de merda são esses que vc colocou no texto???

  6. Concordo com a Elisa. Se nem eu faço as unhas toda semana, pra que vou querer um cara que faça???
    Tenho extrema preguiça de homem com luzes, assim como tenho extrema vergonha alheia de homem que dança axé.
    Já sensibilidade masculina é bacana. Me faz conviver melhor com o meu lado pedreira, hehehe…

  7. Pingback: Fique por dentro Homem » Blog Archive » O homem-pedreiro « Wrapped Up in Books

  8. alice

    acho q as meninas estão confundindo com viadice, sei lá… pintar a unha, se depilar e fazer sobrancelha é coisa de travesti, né?

    sensibilidade é importante pra algumas coisas… quando vc sabe que vai machucar o outro, por ex, e desiste de fazer um comentário (ou diz de uma forma mais suave) por se colocar no lugar dele… acho isso essencial

    educação (no sentido de “trato social”) tb é importante… eu n me importo se meu namorado gosta de arrotar e coçar o saco (eu sou mulher e gosto de falar palavrão), mas se ele fizer isso na frente dos meus amigos (q n o conhecem) ou da minha mãe (que vai chamá-lo de “porquinho” o resto da eternidade no meu ouvido) eu vou me sentir envergonhada…

  9. Fazia tempo que eu não ria tanto com um post…

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