Top 5 – Problemas de viajar de ônibus (versão intermunicipal)

O banheiro do ônibus: O banheiro de ônibus, assim como a bomba atômica, é algo que foi criado para nunca ser usado. Todos os conceitos referentes a ele, desde a ergonomia até a localização, parecem indicar que quem pensou naquilo tinha certeza que ninguém jamais precisaria entrar lá, mais ou menos como o fato de que o inventor do quarto de empregada não sabia que empregadas eram seres humanos e não fadinhas intangíveis de 75 cm. Afinal, é um cômodo sem circulação de ar, que treme assustadoramente diante de qualquer vibração da lataria do veículo, atinge temperaturas extremas com facilidade e tem a janela quase sempre numa altura profundamente inconveniente. Com isso você cria o ambiente perfeito para que todos façam uso do local as pressas, o que apenas adiciona o elemento de perigo bioquímico a equação, deixando claro porque os banheiros para ônibus também foram desenvolvidos pelo projeto Manhattan e seus criadores até hoje respondem por crimes de guerra.

A Viação Cândido Rondon: Muito comum em ônibus que transitam por cidades do interior, a “síndrome de Gene Roddenberry” é um problema que afeta vários motoristas que, imbuídos do espírito indômito de um Capitão James T. Kirk, resolvem levar seus veículos audaciosamente aonde nenhum homem jamais esteve. Para isso se embrenham em estradas de chão, passam por toda e qualquer cidadezinha em seu percurso e param em absolutamente qualquer picada, moita, porteira, boteco, casebre, cupinzeiro e monte de cocô que encontram, chegando ao extremo de certas vezes sair de dentro do ônibus para gritar por algum passageiro que porventura estivesse na região. Para essas pessoas o transporte rodoviário é, mais do que uma comodidade, um fator de inclusão social. E o problema é seu se a sua viagem de 200 km vai durar seis horas e meia por causa disso.

O papo de ônibus: Existe uma idéia muito arraigada na mente de certas pessoas de que o ônibus é uma espécie de chat do Uol presencial sobre rodas, um mirc sem op, um icq sem “oh, ow”: se você está lá é porque quer conversar. Esses seres, totalmente avessos a conceitos como dormir na viagem, ouvir música na viagem ou deixar em paz seu companheiro de viagem, consideram que nada é mais divertido do que uma troca de idéias a 40 km por hora e que qualquer tentativa de recusa, ainda que motivada pelo fato da viagem ser de madrugada ou a pessoa vomitar quando fica acordada no ônibus, deve ser tomada como ofensa pessoal e punida com pelo menos 3 horas de comportamento escroto como cutucões e seguidas alterações na posição da janela. Infelizmente não é socialmente aceitável trancar esse tipo de pessoa no banheiro.

O fator respiratório: Existem dois tipos de ônibus: os que têm ar-condicionado e os que não tem ar-condicionado. Os que têm ar-condicionado são colocados para as viagens noturnas por locais frios, permitindo que as pessoas congelem até a morte e fiquem presas num ambiente com ar viciado que nunca se renova e transmite doenças respiratórias, além de compartilhar suas bactérias e germes de modo socialmente responsável. Os que não têm ar-condicionado pegam os horários por volta de meio dia, para cidades quentes, e tem janelas emperradas que só podem ser abertas seguindo um antigo método druídico maia que só era conhecido pelo pai de Keith Richards, que infelizmente foi cheirado ano passado, fazendo com o que ônibus se torne uma verdade máquina crematória, daquela que nos faz pensar se a capacidade dos alemães para construir ônibus não deve algo ao tanto que eles praticaram com os campos de concentração.

A poltrona da discórdia: Você chega no ônibus e localiza sua poltrona, como um bandeirante que acabou de achar uma tribo de índios e está pronto para saqueá-la e incendiá-la, só que sem o peso na consciência que deveria decorrer do processo. Senta-se e começa a regular a sua poltrona, mas ao mesmo tempo a pessoa sentada na poltrona da frente inicia o processo de regulagem da poltrona dela. Que consiste em abaixar a poltrona ao máximo e praticamente deitar em cima de você, só que sem a graça decorrente de ter alguém deitado em cima de você. E aí você precisa, é claro, deitar a sua poltrona caso não queira manter com o passageiro da frente uma espécie de relação sexual mediada por couro e metal (sem a diversão decorrente de uma relação sexual envolvendo couro e metal, claro), o que deixa insatisfeito o cara da poltrona de trás, que se decide a não participar dessa verdadeira orgia mediada e começa a te dar sutis chutinhos pelas costas. Aí você deve escolher entre : a) ficar deitado e forçar o passageiro de trás a deitar também; b) ficar sentado e forçar o passageiro da frente e a se sentar também; c) se trancar no banheiro e esperar a morte chegar através da intoxicação respiratória, com toda a ausência de prazer decorrente do processo.

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15 Comentários

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15 Respostas para “Top 5 – Problemas de viajar de ônibus (versão intermunicipal)

  1. ramiro

    Cara, acredite… Qualquer onibus que você pegar no Peru e Bolívia será muuito muito, muuuito pior. kkkk

  2. ThiagoFC

    O banheiro do ônibus não deve ser usado? Cara, eu já usei para quase todas as finalidades possíveis de um banheiro – até fazer barba!!!! Só não tomei banho, porque ainda não achei um banheiro de ônibus com chuveiro.

    Quanto ao fator respiratório: em ônibus com ar-condicionado, sou totalmente favorável a ficar bem frio, congelando mesmo. Quando a pessoa compra a passagem está ciente que tem ar-condicionado, certo? Então que leve blusa de frio, cobertor e o escambau! Foda é esse povo que reclama do frio e o motorista deixa a porcaria com 25ºC, o que, sem janela alguma para entrar um ventinho externo (ou sair um ventinho interno), é bastante asfixiante.

  3. Acho que meus mais novos inimigos mortais são os ônibus. Sejam ônibus municipais, intermunicipais, interestaduais, espaciais…

    Às vezes penso que emeu único objetivo material é ter um carro. Na verdade nem é ter um carro, é não ter que andar de ônibus nunca mais.

    E Thiago, já usou o banheiro para quase todas as finalidades? Meo Deos!

  4. ow… fazer a barba em banheiro de ônibus deve ser um esporte de alto risco!

  5. é, essa coisa de usar o banheiro ‘para quase todas as finalidades possíveis de um banheiro’ é meio suspeita. ou minha mente é mesmo muito suja.
    e papo de ônibus é deveras sofrido mesmo! e concordo com o joão, banheiro de ônibus é trevaaaaas, nunca nem me passou pela cabeça utilizá-lo para alguma das ‘finalidades possíveis de um banheiro’, por assim dizer.

  6. Teve uma viagem tenebrosa de férias em que uma pessoa ficou trancada no banheiro do ônibus. A porta emperrou, talvez por que fosse uma porta inexperiente na arte de abrir e fechar já que quase nunca fazia isso. O infeliz permaneceu trancado lá dentro por uns 30 km até um posto de gasolina quando foi salvo por heróicos mecânicos.
    Acho que a literatura de terror ainda não se atentou para o grande campo de possibilidades que são os banheiros de ônibus. Quando isso acontecer, meu amigo, surgirão os filmes mais escatologicos e sufocantes do universo. E surgirá uma função artística para essas peças abstratas da arquietura automobilística.

  7. ThiagoFC

    Cadê o post q tava logo aqui em cima????

  8. ThiagoFC

    (E que o Super-homem te ajude. O Cristopher Reeve, de preferência)

  9. aheuahueahuea

    Excelente! Sempre tenho problemas com o fator respiratório. Uma vez, eu tava de chinelo e o ar condicionado tava muuuito gelado. Eu tive que enrolar meus pés nos saquinhos para vomitar. Foi horrível. E tinha uma menina daquelas metidas do meu lado e ela ficou me olhando de canto de olho com aquela cara de re provação (ou então ela estava enjoada e ficou chateada porque eu roubei o saquinho dela).

  10. Hauhauahuahuaha! Ri demais com a escolha das rotas pros ônibus com e sem ar-condicionado! Aliás, esse post inteiro tá ótimo ahuahuahauha.

  11. gl

    Quanta besteira, não é assim também não depende da empresa de onibus, o autor do tópico só deve viaja de onibus pirata por isso fez esse artigo. Empresas sérias e legalizadas tem banheiros higienizados e da para usar agora é claro que la não é sala de visita, é para fazer o serviço e pronto. O cara ai ta viajando

    • João Baldi Jr.

      Agora que você comentou eu começo a reconhecer que pode ter sido um erro tentar fazer aquele piquenique lá dentro.

  12. Caraca! Anda de busao eh um caso serio. Tanto q um dia desses eu tava em pe e um pirralho ficava me cutucando quando me irritei grudei no cabelo dele e meti porrada.
    So queria saber dessa d banhiro no onibus, imagina alguem cagando e o onibus passa numa lambada, sera q o conteudo do vaso voa para o traseiro da pessoa?

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