Tópicos randômicos sobre minha ida ao Rio de Janeiro

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O simpático trânsito carioca: O trânsito da capital fluminense é algo que tem um que de místico e sobrenatural. Afinal, se pensando em termos individuais não dá pra entender nada e vendo num nível coletivo ele não faz sentido nenhum, é só quando você realmente experimenta o transporte rodoviário do Rio que você nota que ninguém ali planejou porra alguma. Exemplo disso foi a minha experiência de, próximo a prefeitura municipal, entrar num ônibus onde se lia “Rodoviária” e ao perguntar se o ônibus passava pela rodoviária receber como resposta um “Ah, passa sim…Quer dizer…putaquepariu, não passa não, eu esqueci de trocar essa porra…agora fodeu…”.

A curiosa cultura carioca: Digam os paulistas o que quiserem, o Rio ainda é um cenário de efervescência cultural. E eu não vou ser clichezão e falar da Lapa, ou dos sambinhas, ou dos bares, ou das peças de teatro ou mesmo dos shows de nível mundial que passam pela cidade. Bobagem. Mas o que você me diz de NA MESMA SEMANA rolar “Lazy Town – O musical” e John Secada? Hein? Hein? Vamos gritar juntos? “Chupa, Fantasma da Ópera!”

O carinhoso povo carioca: O povo carioca é, como diz a secretaria de turismo do estado, muito simpático e gentil. E estou falando isso sinceramente. Os cariocas que eu conheci realmente foram legais, me deram uma baita força (hospedar um desconhecido em casa, alimentar o canalha e ainda ensinar a se guiar pela cidade é o significado exato de “dar uma baita força”), exceto, é claro, os taxistas (que cobram por km rodado um valor que existe numa tabela que eles esconderam num terreno baldio em Queimados) e os vendedores ambulantes (que te oferecem biscoito de polvilho e caso você recuse te mandam enfiar o biscoito em partes não legais da sua anatomia íntima). Mas eles, eu sei, nasceram todos em Cataguases  e por isso me odeiam tem profissões muito estressantes e vivem sempre nervosos…

A malemolente mulher carioca: Esqueça a proporção extremamente agradável entre os sexos que existe em Minas. No Rio o buraco é mais embaixo. Afinal, se em Juiz de Fora temos duas mulheres gatas solteiras pra cada garota linda e carente, no Rio, pra cada 10 homens temos 8 machos solteiros, uma mulher de óculos escuros acompanhada  por um lutador de jiu-jitsu e dois mineiros de Belo Horizonte procurando uma boate de strip-tease. Sim, amigos, pode ser até divertido ser solteiro no Rio de Janeiro, como dizia o mala do Tony Garrido, mas desconfio que vai ser uma diversão muito mais “mineração em Serra Pelada” do que “pescando com dinamite numa lagoa em Goianá”.

O fascinante preconceito Minas x Rio: Existe uma grave e profunda diferença entre a visão que o carioca tem do mineiro e o mineiro tem do carioca. Se um mineiro vê um “fluminense”, seja da parte do Rio que for, ele acha que o cara é da capital, enquanto o carioca, quando vê um mineiro, conclui que ele é do interior (em Minas o Rio não tem interior e no Rio Minas não tem capital). Existe também uma diferença de reputação impressionante entre os nativos dos dois estados. Quando um juizforano, por exemplo, topa com um carioca no meio do Parque Halfeld ele pensa basicamente nessa seqüência: “carioca-vai ficar sem camisa-vai ouvir funk-vai tentar puxar minha namorada pelo braço-vou ter que dar porrada nele”. Já um carioca normal, quando encontra um mineiro perto da Avenida Chile pensa “mineiro-está perdido-se eu não der uma dica provavelmente não chega vivo na rodoviária-será que ele tem queijo frescal na mochila?”.

A deslumbrante música das rádios cariocas: Sabe a Rádio Solar de Juiz de Fora? Aquela que só toca pagode velho, axé velho e música sertaneja velha? Bem, finalmente eu entendi de onde veio a inspiração pra esse mix tão intrigante: a FM O Dia do Rio. A grande diferença é que enquanto a Solar tem uma postura mais interiorana de esperar a música fazer sucesso pra tocar, a FM O Dia cria o sucesso. É ela que define qual dueto da Perlla com o Belo vai tocar o tempo todo e qual funk ou axé vai te atormentar em todos os táxis em que você entrar, além de eu achar, mas acho que foi apenas um pesadelo, que eu ouvi o David Brazil falando alguma coisa na rádio. Mas não, não pode ter sido real…Não pode…Por favor, me diga que não era real…

P.S: Para evitar mal-entendidos, gostaria de dizer que eu não estou tentando ofender ou denegrir seja o Rio ou a população carioca, se tratando as linhas acima de uma crônica, de teor humorístico, relatando apenas impressões pessoais sobre minha passagem pela cidade. Nasci no estado do Rio mas moro em Minas Gerais, então não me odeiem, não atirem, não mandem seus maridos me baterem, não me ameacem de morte. Eu já tenho metade da população de uma cidade querendo fazer isso comigo e é meio desagradável. Ou seja, brincadeirinha, somos todos amigos e ninguém vai me cercar na Rodoviária Novo Rio, ok?

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14 Comentários

Arquivado em Crônicas

14 Respostas para “Tópicos randômicos sobre minha ida ao Rio de Janeiro

  1. Meu caro..

    Brincadeirinha, João. :(
    Você ter dito também não começarem o comentário com essas palavras.
    Não entendo sobre o RJ, sei mais sobre Niterói.
    Mas você gostou?
    Como foram os testes e todas as coisas que você teve que fazer?
    Conte-nos, homem.

  2. Só descordo do tópico em que você fala que juizdeforanos são mineiros. Minha família quase inteira é carioca, mas tem bastante gente de Minas (cidades normais) e alguns em Juiz de Fora (que acham que são cariocas).

    Um dos meus primos de JF, por exemplo, além do sotaque carioca, das bermudas de surfista, da prancha de surf de asfalto (que, na verdade, é um skate)… também tem tendências Baianas. Esse Reveillon ele tentou me explicar como o Axé é a melhor coisa do mundo.

    Sério.

    A verdade é que eu não sei de onde eu sou, mas ultimamente tenho tentado assumir uma identidade mineira. E, mesmo com essa identidade inventada, eu ficaria ofendida se me confundissem com um juizdeforano. Juiz de Fora é o Espírito Santo de Minas.

    Sem preconceitos. É só a minha visão.

    ps: toda regra tem a sua excessão e você não se encaixa no perfil acima.

  3. ThiagoFC

    CHUPA, FANTASMA DA ÓPERA!!!!!!!!!

  4. Ser de Juiz de Fora, por vezes me faz sentir “sem lugar”. No Rio me chamam de mineiro e em BH me chamam de carioca! Vou ficar em Juiz de Fora mesmo onde só me chamam de gordo…

    Jão, esse é um bom lugar pra eu explicar de novo a minha teoria de que Minas Gerais não existe (ou que Minas Gerais é só a “Grande BH”)?

  5. Só agora eu entendi a piada com o “meu caro” da Larissa. aheuaheuauheae

    Legal. Referência ao comentário dela no post sobre Caratinga. Fico feliz quando entendo piadas internas. Faz com que eu me sinta especial.

  6. Wury, é o Acre que não existe.

  7. Juninho

    Juiz de Fora realmente não existe… É uma realidade alternativa onde todos parecem ricos, se vestem bem, as mulheres estão sempre maquiadas mesmo pra ir pra faculdade as seis da manhã ou pra ir ao supermercado (pelas novas regras é assim q se escreve?) e que levam aquele pozinho vermelho de passar no rosto pra uma micareta e ficam retocando maquiagem na porta do banheiro quimico (sim, eu vi isso)…

    É por isso que os juizforanos se espantam quando saem desse mundinho fashion que é nossa cidade…

    E sobre o post da Elisa, tirando o sotque carioca e o abominavel skate, esse é mesmo o retrato do jovem juizforano, no qual eu me encaixo feliz!

  8. Meu caaaaaaaro²… poxa, já fizeram a piada! Isso que dá comentar post com atraso…

    Bom, nada a contestar de seus tópicos randômicos. Bem coerentes com a realidade, creio eu!

    Essa coisas das mulheres mineiras mega arrumadas é uma coisa… lembro até hoje, quando era mais nova, chegando em Barbacena (Barbacena, man, no fuckin’ LA ou coisa que o valha) minha prima SE RECUSAVA a sair comigo na rua vestida de jeans, moleton e tênis. Eu tinha que me maquiar, colocar salto, casaco de couro e o escambau a quatro pra ir na padaria! Que raiva que me dava aquilo… Fora as boates mineiras… não sei se são todas, mas fui em uma que tinha CHAPINHAS no banheiro feminino… E a mulherada lá, esticando o cabelo no meio da noite… inacreditável!!

    • Juninho

      Varias casas de show aqui realmente tem chapinha no banheiro feminino, pelo que eu sei…
      Eu to dizendo que é uma realidade alternativa…

  9. Mister X

    Sou Carioca, mas estou morando em Belo Horizonte, a mineirada daqui tem um recalque ferrenho contra o Rio e os cariocas, comigo nunca vieram com alguma gracinha, afinal, o carioca e que era pra ter um forte preconceito contra os mineiros, ja que esse povo forma a segunda maior colonia de imigrantes no Rio, ajudando a povoar ainda mais as favelas, junto com os nordestinos.

  10. dinha

    Aprendi muito com os juizforanos. Certa vez ouvi um dizendo que do “Rio de Janeiro ele até gosta só não gosta dos cariocas”.
    Naquele momento me causou estranheza ouvir isso, mas com o passar do tempo vi que penso como ele, “gosto de Juiz de Fora mas não gosto dos juizforanos”.
    É isso … vivendo e aprendendo.

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