Biografias reais, bandas imaginárias

Olodoom

Fundada por Doninho Manduca, meio irmão de Carlinhos Brown e ex-percussionista da Timbalada, em 1992, o grupo Olodoom tinha uma proposta no mínimo inusitada: fazer death metal baiano com pitadas de axé. Para isso Doninho convidou uma equipe de músicos que ele considerava capazes de levar em frente seu audacioso projeto: no baixo Pepeto Morais, sobrinho-neto de Morais Moreira; nas guitarras Dinelson Teixeira, ex-Chiclete com Banana e Lucas Screamer, ex-roadie do Angra, além dele mesmo na bateria e no vocal e de Dudinha Magalhães, neto de Antônio Carlos Magalhães, que não tocava nada e entrou na banda apenas por pressões políticas.

Com a primeira formação definida o grupo, no começo de 1993 passou a se dedicar a composição de músicas para o primeiro álbum, que contaria com participações de Dio, Durval Lélis e André Mattos, mas acabou tendo apenas Marrone, na época ainda desconhecido, tocando sanfona em uma faixa secreta do disco. Apesar disso o álbum “Abadá para o inferno” chegou a ter um relativo sucesso de vendas para os padrões de uma gravadora independente, com 15 mil cópias vendidas e o single “Micareta necrófila” sendo executado por algumas rádios baianas antes que um promotor de Feira de Santana proibisse a reprodução do disco em locais públicos.

Depois disso a banda foi para a estrada, fazendo shows por toda a região nordeste, participando inclusive do “Tieta Festival” de 1994, o primeiro festival de música totalmente financiado com dinheiro oriundo de casas de tolerância baianas. Também nessa época a banda passou pelo seu primeiro grande conflito interno, quando Dinelson Teixeira pediu o afastamento de Dudinha da banda, alegando que o afilhado de ACM não só não fazia nada como chegava nos shows bêbado, drogado, vestido de mulher e insistia em tocar o instrumento que quisesse, na hora que desse na telha. O problema foi resolvido com a entrada na banda do guitarrista Leto Catanduva, que substitui Dinelson após este ter subitamente decidido fazer uma viagem só de ida para o Burundi, alegando que precisava estudar culinária e cuidar mais dos filhos e da mulher, apesar de ser solteiro.

Em 1996 a banda retornou aos estúdios, produzindo sob a supervisão de Liminha (o animador de auditório, não o produtor) o álbum “Metal Destruction Forever, Meu Rei”, cujo single “Quero trucidar Caetano” chegou as paradas de sucesso da região sudeste e lançou realmente a manda no mapa do rock nacional, com aparições nos programas de Ronny Von e Ana Maria Braga. Outros sucessos desse disco foram as canções “Me fatia na Bahia” e “Sou um íncubo sem hospedeiro sem você”, que chegou a entrar na trilha sonora de Malhação. Apesar do sucesso esse foi um período complicado para a banda, com várias queixas por parte dos fãs com relação a uma possível “traição” da banda ao movimento do death-axé-rock baiano, alegando que o som do segundo disco havia se tornado excessivamente comercial. Também nesse disco a banda manteve uma estranha mania que havia começado em “Abadá para o inferno”, a de colocar escondidas em todas as faixas mensagens positivas como “dê um abraço em sua mãe” e “leia a bíblia”, que só poderiam ser ouvidas se o disco fosse tocado ao contrário.

Com o sucesso os problemas de Dudinha quanto as drogas se agravaram, causando a sua morte após uma overdose de cocaína, maconha, ecstasy, lsd e Kapo de uva, tudo isso dentro do mesmo acarajé. Apesar da morte do integrante o grupo, por razões políticas, continuou tendo que pagar sua parte nos shows e pedir sua opinião em questões criativas, tudo isso sendo feito através de um pai de santo recomendado pela família Magalhães.

Devido a morte de Dudinha a banda entrou em um hiato e decidiu encerrar oficialmente as atividades em 1998, com vários integrantes seguindo carreiras solo ou se envolvendo em outros projetos. Se Doninho abandonou a carreira musical, irritado com as constantes declarações de que apenas no Roupa Nova o baterista podia cantar, Pepeto passou a produzir bandas novas no estado de Sergipe, enquanto Lucas e Leto montaram uma nova banda, a “Chupeta Mascava” dedicada a tocar apenas versões em português de músicas do Geroge Michael em festas de 15 anos para adolescentes gays.

O destino parecia selado para o Olodoom até 2003, quando a MTV baiana começou a produção de um especial da banda e propôs reunir todos os integrantes originais para uma última apresentação, incluindo até mesmo Dudinha, incorporado no corpo do Pai Preto de Olhubababaluaênaminhaminhamãoéumreal. Durante os ensaios para o especial, porém, a banda notou que antiga dinâmica ainda existia e acabou propondo que o especial tomasse outro rumo, surgindo assim o “Acústico MTV – Olodoom”, um audacioso projeto que incluiu músicas clássicas da banda como “Micareta Necrófila” e “Quero Trucidar Caetano”, mas também apresentou novos sucessos, como “Me and Bel in da hell” e “Melada de Cianureto”, além das participações especiais de Ivete Sangalo em “Kill, Kill, Krill” e de Sérgio Mallandro na cover de “Um capeta em forma de guri”.

Depois disso a banda ficou na estrada até 2007, com uma extensa turnê do disco por todo o Brasil, incluindo desde grandes capitais como Rio Branco até pequenas cidades como Guiricema, com imenso sucesso de público e de crítica, levando a banda a gravar um novo disco de estúdio em 2008, intitulado “Demônios no Elevador Lacerda”, com participações de Wagner Moura e Lázaro Ramos nos vocais e nas letras em diversas faixas, como os singles “Essa noite comerei ter xinxin” e “Eu se fosse você dava pra mim. No inferno”. Apesar da produção bem trabalhada e da enorme publicidade, o disco não conseguiu sucesso nem de público e nem de crítica, levando Doninho a novamente abandonar a banda para se tornar jurado do quadro de calouros do programa “Bole Bole” da TV Diário do Ceará, o que causou o esfacelamento da banda, que ruiu sem a presença de seu vocalista, baterista e líder.

Atualmente Lucas e Leto se dedicam ao gênero sertanejo de duplo sentido, alcançando até relativo sucesso com a música “Chupeta debaixo da carreta”, enquanto Pepeto comprou uma franquia do Habib’s em Salvador; Dinelson continua morando no Burundi, pois ainda não acredita que ACM tenha realmente morrido e Dudinha continua morto, ainda que dando consultoria empresarial e musical numa esquina do Pelourinho.

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6 Comentários

Arquivado em Desocupações, Mundo (Su)Real

6 Respostas para “Biografias reais, bandas imaginárias

  1. Em 96 quando terminei com meu namorado, coloquei a letra de Sou um íncubo sem hospedeiro sem você no about do ICQ. Combinou muito na época. Até hoje gosto de escutar, bem de vez em quando pra relembrar boas épocas.

  2. ThiagoFC

    João, você já viu a “Rockstória” do Massacration? Se não viu, veja, é de rachar de rir (tem no Youtube).

  3. hahahahaauha

    Véio, você é louco!

    E Guiricema é um lugar bom pacaráio, já fui a um show do Buchecha lá, em 2007.

  4. hahahaha “Eu se fosse você dava pra mim. No inferno.”; “Olhubababaluaênaminhaminhamãoéumreal”.. hahaha… ‘si divirto’, muito bom…

    E tem certeza que a turnê deles não deu um pulinho em Cataguases?? hehe :p

  5. monique

    “Pai Preto de Olhubababaluaênaminhaminhamãoéumreal”

    tenho medo da sua imaginação.
    é sério.

    =P

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