The kids are not all right…

Não sei se vocês alguma vez já pararam pra assistir ao programa Lab da MTV. Acho que existe mais de um Lab, como o Lab ao Cubo, Lab Radio, Lab Cult, Lab Forró, Lab Lambada e por aí vai. E bem, esses programas da série Lab vão passando um monte de clipes, sem apresentador, de acordo com o tema proposto para o programa (o Lab Cult passa bandas não famosas mas influentes, o Lab ao Cubo passa três clipes seguidos do mesmo artista, o Lab Classic passa clipes clássicos e o Lab Radio passa a impressão de que o mundo deveria acabar hoje porque a humanidade não merece mais viver), e na parte de baixo da tela algum tipo de discussão ou questão vai sendo proposta, o que teoricamente incitaria a resposta da audiência através de mensagens de texto via celular. Legal, não? Bem, não se você der uma olhada nas mensagens.

As mensagens do Lab são basicamente um retrato do quão bizarra e perturbadora a juventude dos dias de hoje consegue ser. Não falo apenas das demonstrações estranhas de opiniões distorcidas como “Tokyo Hotel é melhor do que os Beatles” ou “Strike é do metal”, porque isso são pontos de vista pessoais e todos nós temos nossas próprias opiniões esquisitonas, afinal, eu realmente acredito que o Weezer é a melhor banda da Terra e que o Freddy Mercury não era gay, aquilo tudo era uma jogada de marketing, então não posso criticar ninguém. E também não vou falar da total dissociação entre o mundo real e a mente desses jovens e adolescentes, afinal, todos temos o direito de sonhar e frases como “quero Katy Perry em Cariacica” ou “Demi Lovato precisa vir pra Uberlândia”, são apenas fruto da fé que ainda mora no coração das crianças do Brasil.

Mas certas coisas conseguem me perturbar num nível um pouco mais sério. Uma delas é, por exemplo, o português usado pelos espectadores do programa, que lembra uma mistura de “internetês” e “miguxês” com aquelas gírias do “Laranja Mecânica”, o que é no mínimo inquietante. Não, não espero de um adolescente fã de Fresno um português castiço, sendo totalmente lógico topar com um “vc”, “naum” e coisas do tipo. Mas o que quer dizer a frase “hsm naum eh tdb” ? Porque tantas siglas? Porque tanto ódio do til? Porque sempre que eu leio “HSM” eu penso que é sigla pra homossexualismo e não “High School Musical” ? Sim, por que?

Outro problema é o tipo de raciocínio que é desenvolvido e demonstrado nas mensagens. Um belo exemplo foi uma enquete perguntando qual era a melhor banda de punk rock. Normal, natural, tudo bem, tudo ok, tudo tranqüilo. Alguns responderam Sex Pistols, alguns poucos responderam The Clash, uma maioria respondeu Green Day, alguns esparsos disseram Papa Roach, outros mais fora de si disseram coisas como Pitty, Strike, Capital Inicial e Fresno, mas tudo bem, cada um com seus problemas. Até que surge na tela uma bela mensagem dizendo “naum sey”. Sim, um garoto respondeu “naum sey”. Nem vamos notar o evidente estupro da língua portuguesa contido nessas duas palavras, vamos apenas nos atentar para o que existe por trás disso. Pense comigo: um garoto aumentou a conta do seu celular apenas para dizer que não sabe a resposta de uma pergunta durante uma enquete televisiva. Bem, se ele não sabe pra que respondeu? Pra que gastou dinheiro para NÃO dar opinião sobre um assunto? Qual o problema com esse cara? Hein? Hein? Por que? Por que? Por que?! Tudo bem, vou me acalmar.

Mas sério, o que está acontecendo com esse jovens de hoje? Pra onde vamos? O que será do Brasil, o que será do planeta quando esses pequenos infantes tomarem o poder e assumirem as suas responsabilidades? Eu admito que conheço adolescentes mais novos bem inteligentes, mas eles são a minoria? Ou apenas tem mais o que fazer e nunca mandariam mensagens pra MTV? E o mais sério, grave e importante: por que eu ainda tento assistir esses canais? Qual o meu problema?

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10 Comentários

Arquivado em Crônicas

10 Respostas para “The kids are not all right…

  1. Andrey

    Quando eu leio relatos desses, agradeço por meu sobrinho de 13 anos ser, aparentemente, normal.

    “Strike é do metal”. Tive que rir.

  2. é, já haviam comentado comigo sobre os comentários desse programa. uma vez tinha algo parecido com “quem é a maior diva do pop? Lady Gaga ou Madonna?”, e a maioria das pessoas ou respondia Lady Gaga (que eu nunca tinha ouvido falar) ou dizia que não era nenhuma das duas, dando sugestões esdrúxulas como, sei lá, Milton Nascimento.

  3. Não posso emitir uma opinião mais precisa (e graças a Deus você não cobra pra deixar comentário aqui) porque não vejo MTV desde que mudei pra Viçosa.

    Mas uma coisa é certa: estamos ficando velhos. Quer dizer, eu pelo menos estou…

  4. ThiagoFC

    João, eu prefiro não pensar nessas coisas para não entrar em parafuso e ficar tão indignado quanto vc. Mas eu não preciso nem ligar a tv pra ver Lab Radio pra perder a fé na humanidade: o fim dos tempos está chegando (e, aparentemente, terá cobertura jornalística menos intensa que a morte do Michael Jackson).

    E frases como “Strike é do Metal” me fazem ter ainda mais medo do futuro (Acredito que a Regina Duarte concorda comigo)

  5. ana tereza

    É estamos perdidos!

    Mas vou confessar já mandei uma mensagem pro lab, acho que foi o calor do momento do show do Radiohead no Rio..disse que ia até andando assistir o show deles!

    Aiai essa juventude…

  6. ah cara, eu me divirto demais com isso.
    Temos que dar carta branca para essa adolescencia, afinal, eles nem são humanos.
    Não sei se o problema são eles ou somos nós. Imagina o que não pensaram as gerações anteriores às nossas, quando a gente surgiu dizendo que roquenrol é Nirvana e Guns and Roses ( coisas da minha adolescencia). Imagina o que a turma do Little Richard não falou dos beatles…
    Estamos é ficando velhos mesmo e nos esquecendo que a adolescencia e idades anteriores é mesmo a época certa pra destruirmos nossa dignidade.

  7. “Temos que dar carta branca para essa adolescencia, afinal, eles nem são humanos.” hahahahaha, muito bom!

    E… strike? Nem sei do que se trata, vai ver eles são mesmo do metal, vai saber…

    Mas cara, adolescentes idiotas (redundância?) sempre existiram, mas o tempo ajuda, o tempo ajuda, não perca a fé na humanidade!

    Eu cheguei a ouvir FM O Dia, amigo, e garanto que superei essa fase obscura… não sem sequelas, mas enfim, here i am, with broken wiiiiings… tá vendo, ricky martin… é desse tipo de sequelas que estou falando… sempre cantarolando músicas de gosto duvidoso, that’s me!

  8. Juninho

    Cara suas tag estão ficando cada vez melhores uahuahuahuahuahuhauhauua

    Graças a Deus larguei quase que totalmente o “internetês” hehehe

    E, sobre os adolescentes, escuta essa. Estou eu, esperando pra cortar meu cabelo em JF, ouvindo a conversa entre o cabeleireiro e um muleque de uns 15 anos…

    O cabeleireiro fala que viu muitas brigas no sábado da festa country (tocou sertanejo) e perguntou pro muleque se domingo (que tocou funk) foi pior.
    E o muleque responde, com toda fanfarronice e personalidade que só um muleque desses consegue ter, com a seguinte frase:

    “Eu não gosto mais de funk. Agora eu sou psy, eu sou eletro.”

    Depois dessa eu quase desisti de cortar o cabelo, virei seguidor do Henry Cristo e fui pra Belém do Pará esperar pelo fim do mundo…

  9. O seu problema eu não sei qual é. Mas tenho certeza que minha professora de linguística diria que o seu problema é o preconceito.
    Principalmente linguístico (haha), porque não existe “português errado”, existem apenas variantes e nós somos preconceituosos ao não aceitá-las.

    E claro, ela só fala isso porque vive num casulo, acho que nem sabe que inventaram internet. Muito menos uma “linguagem diferente” para usar nela

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