The roof is on the fire (and so is the floor…and the walls…and the cars…)

E então era mais uma sexta-feira a noite como outra qualquer. Meu projeto original que envolvia voltar pra Juiz de Fora não tinha dado muito certo e eu tinha, assim como vários outros caras residentes no Rio cujo nível de conhecimento da cidade ainda não passou da letra L (sério, eu não fui ainda a nenhum bairro começado com alguma letra de M pra cima…estranho…) decidido ir pra Lapa. Festinha de aniversário de colega de trabalho, todo mundo lá naquele clima de descontração e amizade. Seria uma noite normal de sexta-feira se não fosse por um pequeno e bobo fato peculiar: o posto de gasolina em frente ao bar/boate em que eu estava explodiu.

É, explodiu, do latino explodere, que em bom português quer dizer “estourar com um barulho bizarro e fazer com que não só a banda que estava tocando como metade dos clientes saiam correndo feito menininhas”. E lá estava eu preso dentro de uma casa noturna da qual eu não poderia sair porque havia apenas uma saída e ela estava bloqueada por um posto de gasolina em chamas que poderia explodir novamente a qualquer momento fazendo com que o fogo se espalhasse em direção ao lugar em que eu estava. E esse é o tipo de situação que te faz pensar (quer dizer, eu acho que é o tipo de situação que deveria te fazer correr…mas eu já tinha tomado três tequilas, então…).

Vi algumas pessoas ligando para seus entes queridos, pessoas telefonando para namoradas, algumas pessoas apenas se escondendo no banheiro, outros pedindo um monte de bebidas na comanda com a intenção de morrer e não pagar. Vi homens aterrorizados como crianças, mulheres aterrorizadas como crianças e até mesmo um cara chegando numa criança perto do balcão. Vi pessoas correndo, gente tentando passar por dentro de grades e gente tentando pegar batatas fritas de outras mesas (esse era eu, na verdade). E aí,claro, minha lente de contato ressecou e eu não vi mais nada.

Mas nesse momento, quando vidas estavam em risco, quando tudo parecia caminhar para o desastre, quando eu mesmo refletia sobre a finitude da existência, a importância das saídas de emergência e que se eu morresse a culpa seria do Samuel Rosa (longa história) um amigo meu bateu no meu ombro, e disse uma frase que eu nunca vou esquecer. “João, você acha que essas cantadas do tipo ‘fica comigo porque nós podemos morrer hoje’ realmente funcionam?”

P.S: Graças ao bom trabalho dos bombeiros o incêndio foi controlado, eu não morri (acho que isso vocês notaram) e não, as cantadas do tipo “fica comigo porque nós podemos morrer hoje” não parecem funcionar.É um mundo muito cruel e insensível esse aí fora…

Atualização: E saiu no Globo. Eu devo ter quase morrido mesmo…

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18 Comentários

Arquivado em Mundo (Su)Real

18 Respostas para “The roof is on the fire (and so is the floor…and the walls…and the cars…)

  1. Na próxima situação como essa tente usar o “você é tão gostosa e tão quente que minha cueca explodiu e o plástico dela tá derretendo…”, sacou, sacou? Explosão, posto de gasolina em chamas? Sacou, sacou?

  2. que coisa, tu tava lá?? que perigo horríííível… e ali vive bombando, gente passando pra todo lado, aquela derrota de ficar ouvindo músicas no carro… agora bombou de verdade! /piadainfame

  3. ana tereza

    Ai ai tadinho do Samuel Rosa.
    Juizo nas noites na Lapa…e nunca mais beba proximo de algo que possa explodir!!!

  4. ih eu soube disso, bizarro. sempre passava pelo posto ao descer do ônibus naquela rua paralela à Mem de Sá que eu não sei o nome pra passar pra Mem de Sá. Medo.

    E uma sugestão para o neocarioca: Madureira. Começa com M e é um bairro legal demaaaaaaaaaaaais…

  5. ah, esqueci: em que boate vc estava??? a mais perto é aquela que tem em cima do Carlitos e toca funk e atrai gente duvidosa. Espero que você tenha ido àquelas do outro lado da rua, bem mais respeitáveis.

    • Ah, eu tava no Odisséia, do outro lado da rua…Eu posso ter virado um topa-todas, mas eu ainda tenho meus limites éticos…Funk e gente duvidosa nem depois das míticas 3 tequilas…

  6. O pânico não tomou conta de você? Se concentrou nas batatas?
    Eu faria como as pessoas que estavam pegando várias bebidas na esperança de morrer e não pagar.

  7. Tentei rever meu repertório de cantadas para se usar em caso de explosão de posto de gasolina em frente à boate.

    Ah, não sei como é aí no Rio, mas aqui em Goiânia existe esse hábito insandecido de passar a noite nas lojas de conveniência de posto de gasolina. A turma do bem pára os carrões no posto, liga a aparelhagem de som e fica lá, bebendo, fumando e vendo suas namoradas rebolarem encima dos saltos. Depois, bêbados como gambás, pegam as namoradas, botam dentro dos carros, e saem por aí procurando um poste para botar dentro do carro junto das namoradas. Acho que seria legal se virasse moda essa de explodir postos.

  8. além disso, qual é a da expressão ” bêbados como gambás”? Gambás ficam tradicionalmente bêbados?

    • Bah, essa eu sei responder, por mais incrível que pareça…É que os gambás quando comem demais entram num estado de letargia (como o de um humano, só que pior) e isso faz com que eles pareçam desorientados, ou seja, bêbados. Daí a expressão. João também é cultura.

  9. ThiagoFC

    E eu ainda tô curioso com a história do Samuel Rosa…

  10. Eu também ia perguntar sobre o Samuel Rosa.

  11. Carol

    a culpa foi do samuel rosa!!!! huahuahuahuaha
    o melhor!!

  12. Juninho

    A primeira coisa que eu pensei foi nas cantadas de pré-morte…

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