Mais pequenas grandes lições de convivência corporativa

Quanto mais vezes você encontra com uma pessoa durante o dia mais complicado vai ser saber como cumprimentar essa pessoa. Por exemplo, se da primeira vez você conseguir um jovial “bom dia”, da segunda um “oi”, da terceira um “opa” e da quarta apenas uma troca constrangida de olhares, na quinta você já vai desviar o olhar e na sexta vai começar a procurar outra rota para a copa apenas por que não sabe o que dizer.

Se por algum acaso você estiver no banheiro no exato instante em que seu chefe está saindo de uma das cabines sanitárias tente evitar qualquer tipo de comentário espirituoso. O futuro e o fracasso profissional podem estar a apenas um “baita barrão esse, hein, chefia?” ou “e aí, castigando a porcelana?” de distância.

Não aproveite os aniversários das colegas de trabalho atraentes para dar longos, apertados e demorados abraços nelas, as pessoas notam. Ou aproveite, caso você não se importe com as pessoas notando e conheça a galera do RH.

Não tire uma foto sua com a máquina de café e coloque no seu Orkut. Não vai passar a imagem de seriedade e ambição profissional que você gostaria que as pessoas tivessem.

Quando começar qualquer tipo de processo de seleção para estagiários é importante acima de tudo tentar interagir com o processo de forma lisa e ponderada. Ou seja, tente não babar e esfregar as mãos enquanto está dizendo que vai exigir currículo com foto e que meninas ruivas entre 18 e 21 anos tem preferência.

Não, não vão incluir seu diploma de cultivo de bonsai no sistema do RH. E ainda vão rir de você, os sacanas.

Você só vai notar como as notícias correm rápido no seu setor quando você chegar as 08:00 e alguém te der os pêsames mas só as 09:30 sua mãe te ligar pra contar que aquele seu tio do interior do Mato Grosso morreu.

Quando você aparecer no trabalho numa segunda-feira de manhã gripado, com a cara amassada e os olhos vermelhos todo mundo vai pensar que você está de ressaca. E quando você aparecer numa sexta-feira de ressaca, com a cara amassada e os olhos vermelhos todo mundo vai ter certeza.

Ninguém vai apoiar a sua idéia de um grupo de trabalho para discutir a proporção correta de chocolate e café no capuccino da máquina do corredor.

Pelo menos uma vez por mês você vai ganhar um esporro por algo que não tem nada a ver contigo e ser parabenizado por alguma coisa com a qual você evidentemente não tem nenhuma ligação (exemplos clássicos: “João, como assim as tomadas dos computadores não são mais azuis? Quem te mandou trocar ?!” e “João, ótima a sua decisão quanto à compra dos labradores na fazenda do gerente da filial nordeste”)

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5 Comentários

Arquivado em Crônicas, Mundo (Su)Real

5 Respostas para “Mais pequenas grandes lições de convivência corporativa

  1. ThiagoFC

    Lições dignas de um Michael Scott, do seriado The Office (não o da Microsoft).

  2. A única conclusão que eu venho tirando dos textos de convivência corporativa é que eu poderia transformar a vida de um monte de gente em um inferno (e me divertir horrores no processo)…

  3. Vide Peter Gibbons, personagem do filme “Como Enlouquecer Seu Chefe(Office Space)”. Clássico absoluto.

  4. el vailan

    Outra coisa interessante sobre a vida corporativa são as pessoas que acumulam, enfeitam e decoram seus espaços com quinquilharias múltiplas, tipo a urna onde sua mãe finada jaz em cinzas. Os colegas do passado sempre são mais divertidos e legais (principalmente aqueles que foram substituídos por vc).

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