D’yer wanna be a spaceman? (ou talvez só queira registrar um livro…)

E depois de um tempaço procrastinando eu consegui finalmente registrar o livro. E claro,como eu não costumo registrar livros todos os dias, eu tive que aprender os procedimentos necessários e sabendo que essa (ao contrário do lance da nudez coberta com pele de capivara e das  histórias envolvendo correr sem calça nos tempos da faculdade) é uma das minhas experiências pessoais que podem ser de interesse para as outras pessoas, aqui vai um breve resumo de como foi pra mim.

Primeiro: é na Biblioteca Nacional que se registram romances, poesias, contos, obras de não ficção, músicas e boa parte dessas outras coisas sobre as quais você pode querer registrar os seus direitos autorais, fora os softwares, que eu acho que são encampados por outro órgão de registro. Claro, se a sua obra for publicada por uma editora ela mesma se encarrega disso, mas fora esse tipo de caso é necessário o registro na BN. Ou seja, não dá mesmo pra fazer pelo despachante, não dá pra fazer pela internet e aquele seu primo que disse que iria registrar pra você no Paraguai pela metade do preço estava mentindo. Foda essas coisas.

Todas as informações básicas que você vai precisar pro registro se encontram surpreendentemente bem explicadas no site da BN, na parte de serviços a profissionais (eles estão supondo que você escreve porque é pago, um gesto legal da parte deles), na área do Escritório de Direitos Autorais, assim como todos os formulários e as classificações das obras por gênero. No meu caso, como era um livro de contos, eu tive que preencher o formulário de registro (bem fácil, simples e até uma criança consegue preencher. Tanto que eu pedi que uma preenchesse pra mim quando fiquei confuso com alguns itens) com dados básicos como nome da obra, número de páginas do original, gênero, etc. Na mesma página você também preenche a GRU (Guia de Recolhimento da União), que no meu caso foi no valor de R$ 20,00 (uma taxa única de 20 reais para todos os contos reunidos sob o título da obra) o que fez com que a taxa realmente parecesse administrativa e não apenas dinheiro dado pra que as pessoas enchessem a cara de cachaça e comessem torresmo às minhas custas.

Com a GRU paga (exclusivamente no Banco do Brasil, mas pode ser no caixa eletrônico), uma cópia da obra (caso ela seja inédita) numerada e com todas as páginas rubricadas (o que vai te fazer pensar em escrever coisas menores) cópias da identidade, CPF e comprovante de residência, você está preparado para o registro. Esse registro pode ser feito na BN, no Rio, ou em algum dos postos regionais, em vários estados. Não, não todos os estados, vários. E não, não parece existir um critério lógico pra escolha dos estados, foi mais uma coisa estilo “dando cartas pra colocar seus exércitos no War”, mas tudo bem. Eu, como moro no Rio e estava meio sem tempo pra ir no Amapá,resolvi registrar por aqui mesmo.

O principal problema no Rio foi achar o local. Ok, o endereço é bem claro, Rua da Imprensa, 16. Mas como achar a Rua da Imprensa? Bem, foi complicado. Primeiro porque, para as pessoas que não conhecem o centro do Rio é sempre bom registrar que a organização das ruas não segue nenhum tipo de lógica baseada na engenharia e sim o princípio da incerteza da mecânica quântica. As ruas podem existir ou não, em dado momento do dia, ou não, seguindo uma numeração que pode ser crescente ou decrescente. Ou não. Para os que não entenderam eu quero explicar que basicamente é isso mesmo. Certas ruas tem numeração que alterna, do mesmo lado da calçada, orientação crescente e decrescente, par e ímpar (e isso é sério) enquanto outras ruas dão saltos numéricos e algumas simplesmente acabam e recomeçam dois quarteirões depois como se nada tivesse acontecido. É basicamente o caos aplicado à orientação urbana e tudo que qualquer carioca vai comentar contigo sobre isso é um “why so serious?”.

Depois de finalmente chegar à Rua da Imprensa eu fui até o 12º andar e lá, já na saída do elevador, fica o balcão de registro. As funcionárias foram extremamente simpáticas (uma até elogiou o título do livro, mas sei que ela diz isso pra todos, então…) e fizemos o registro, o que resultou num comprovante com um código de processo que ela disse que eu posso acompanhar pelo telefone ou pela internet. O processo completo de verificação e registro demora teoricamente um máximo de 90 dias, depois dos quais eu devo receber um certificado de registro confirmando que a obra consta nos arquivos em meu nome. E bem, foi isso.

Com o registro iniciado e o protocolo em mãos o meu projeto é, até o final de domingo, enviar pras pessoas que se prontificaram a versão em pdf do livro pra que todos possam dar aquela opinião crítica, honesta e descontar em mim qualquer tipo de problema pessoal que venham tendo nos últimos meses. Se alguém ainda estiver interessado em se unir ao projeto é só avisar aqui nos comentários e entra na lista de teste.

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13 Comentários

Arquivado em Good News, Mundo (Su)Real, trabalho, Vida Pessoal

13 Respostas para “D’yer wanna be a spaceman? (ou talvez só queira registrar um livro…)

  1. Marília

    Cara, se você quiser mandar o arquivo eu animo de ler. Até passo pra Carol que sempre vem aqui mas tem preguiça de comentar. E quando estive aí encontrei a BN do jeito mais improvável possível. Aconteceu mais ou menos o seguinte: “Olha só que prédio bacana, qual será?” “Bora dar uma olhada, né” “Opa, BN. Massa cara.” O melhor de tudo é que nós realmente estávamos procurando a BN.

    • João Baldi Jr.

      E fica claro que a BN só pode ser encontrada pelos puros de coração que estão procurando o local sem interesse…Porque eu gastei, sei lá, 30 minutos rodando naquelas ruas…

  2. TG

    parabéns pelo livro, cara! Se precisar de uma força, pode contar comigo!

  3. Natália Tucci

    Eiii, eu vou querer ler!
    Beijo, e parabéns!

  4. ThiagoFC

    Eu ainda tô disposto a ler e dar meus pitacos, mas depois que receber eu tenho quanto tempo para emitir meu parecer?

  5. Thiago Locutor

    Parabéns João! Eu vou querer esse PDF aí que vc está prometendo. Abs.

  6. Hugo Tatu Lemos

    Parabéns, você agora tem um ponto em comum com a Bruna Surfistinha! Não, não é isso que você está pensando, eu não descobri nenhum segredo seu.
    E agora, quando você irá pleitear uma cadeira na Academia Brasileira de Letras?

  7. ramiro

    É só mandar pro protocolo, okay!?

  8. aê, cara, parabéns!!!! eu acabei de ver que já recebi meu exemplar, oba! vou super ler, ok? viva você!!

  9. Juninho

    Eu ia dizer alguma coisa mas li antes os comentários das outras pessoas e fiquei desorientado:
    O que significa: Eu vou super ler?
    Precisa de super poderes pra ler seu livro ou algo assim?

  10. Carol

    ei!! eu quero!!!

  11. Kaká

    eu também quero!
    Não sei se vou ter condições de opinar sobre… mas vou tentar…
    bjim

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