The knights who say anticlimactic nonsense

E foi certa vez na corte do Rei Baldahar, na Normandia, que diante de seus mais notórios e corajosos cavaleiros, como sabidamente eram Niholdan da Galícia e Numordin, da Pirinéia, além de Norun, da Boríngia e Magrebov, da Norúngia, que o sábio rei pediu que todos se aproximassem da mesa para um pronunciamento importantíssimo que ele teria que fazer, possivelmente o último antes de sua morte, que viria a acontecer futuramente em alguma batalha, já que naquela época todo mundo morria e quase sempre era numa batalha mesmo. Baldahar uniu seus homens, levantou seu copo de hidromel e, enchendo o peito e olhando para sua rainha, Norene, disse, em plenos pulmões – “Existem apenas dez tipos de homens, os que entendem binário e os que não entendem”. Como o conceito de números binários só viria a ser inventado alguns milênios depois, ninguém na corte riu da piada e esse episódio foi apagado dos registros históricos do reino, assim como o nome de Baldahar, considerado por muitos um rei meio sem graça.

Conta-se também da lendária contenda envolvendo Nulinco, também conhecido como o “cavaleiro que brilhava pra dentro” e o dragão verde de Hidrasil. Segundo as lendas, Nulinco, famoso por seu saber, sua cultura, sua capacidade de resolver problemas e seu fraco por livros de colorir, havia sido chamado até Hidrasil para resolver a complexa questão de uma garota que havia sido seqüestrada por um dragão. Não que a questão fosse exatamente complexa de entender (garota, seqüestro,dragão, digamos que não é exatamente um episódio de CSI) mas o povo considerou que apenas um nobre e gentil homem como Nulinco seria apto para resgatar a jovem donzela das garras do maligno réptil cuspidor de fogo. Vendo o desespero da família da donzela, o bravo cavaleiro pediu que lhe fosse pintado um retrato da moça para que durante o resgate a reconhecesse (vai lá saber quantas donzelas o dragão tinha). Vendo na tela o rosto da jovem garota Nulinco então perguntou – “ah, mas é ela? tem certeza?”. “Sim, temos” – responderam os aldeões. Ao que Nulinco respondeu – “ah, mas é feia, deixa pro dragão comer, não vou me meter nessa não”. A aldeia então linchou Nulinco até a morte.

E não podemos é claro nos esquecer da épica e tão cantada história de Nizil e o leprechaun, que conta a história do bravo cavaleiro norúngio que…bem…encontrou um leprechaun. Bem, havia sido Nizil feito como refém durante as guerras Nefróticas e lançado ao mais profundo calabouço da mais suja prisão do longínquo território do Rei Noreba quando dentro de sua cela surge um leprechaun que lhe faz a seguinte proposta – “caro cavaleiro, posso libertar-te destas grades, precisando apenas que me garanta em casamento a mão de sua segunda filha, que deverá desposar-me e receber meu nome. Antes que me responda peço que te lembres de que essa é sua única e última chance de sair deste cárcere, nobre guerreiro.” Nizil muito pensou até que respondeu ao duende – “ah, mas nem rola…”. Nizil ficou então na cela até sua morte, cinqüenta anos depois.

Não poderíamos terminar sem a história do cerco de Namegarten, um dos mais recontados episódios bélicos da idade média dada a complexidade da estratégia militar aplicada pelo general Munsul, líder das hostes da Guicínia. Vendo seu exército despedaçado, suas fontes de suprimentos cortada e o castelo de Namegarten totalmente coalhado por tropas inimigas, Munsul fez o que todo e qualquer general dos tempos arturianos faria: lançou uma bomba atômica contra o castelo. Até hoje na região nascem besouro de seis cabeças e os cavalos andam para trás.

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6 Comentários

Arquivado em Desocupações, Mundo (Su)Real

6 Respostas para “The knights who say anticlimactic nonsense

  1. ThiagoFC

    Morra de inveja, Tolkien!!!

    A melhor foi a de Nizil. Cara, ri ao ponto de quase peidar (o que teria sido constrangedor, considerando que estou no trabalho).

  2. Flávia

    oi! achei seu blog por acaso, enquanto pesquisava sobre Conflitos Mundiais (?) e me apaixonei por seus textos. quis mandar pra todos os meus amigos. não aprendi nada sobre os conflitos, mas ri demais aqui! voltarei sempre! :)

  3. ahahahahhahahahahah
    cara, esse é clássico e coisa e tal! De verdade!
    um dos melhores até agora! ahahahahahha
    E ótimas citações nórdicas!

  4. Eu passei o texto tentando entender os nomes que você escolheu para os lugares e as personagens e confesso que tive alguma dificuldade, embora eu tenha feito alguma associação entre guerras Nefróticas e pedras nos rins. Aliás, a primeira história me lembrou de quando eu era um nerd de dez anos tentando entender os sistemas binários, octais e hexadecimais que compunham as linguagens de programação. Eu, definitivamente, não era uma pessoa normal. E quem souber do que falo, conte até dez. 1, 10.

  5. erica l.

    hahaha, agora que eu entendi a imagem do post! primeiro fiquei chocadaaa, porque achei que o pobre coelhinho é quem estava ensanguentado, agora que olhei pela perspectiva correta! haha, muito bom, perfeito para o texto!

  6. Hugo Tatu Lemos

    Ni!

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