Movie Review #8

Avatar

Cotação 6/8

Não sei se vocês ainda conseguem se lembrar, mas houve uma época em que nós praticamente só ficávamos sabendo da existência de um filme quando aparecia o cartaz no cinema, o trailer na TV ou o anúncio na revista. Nos sentávamos na sala escura munidos apenas de uma sinopse, a imagem de um pôster e uma vaga idéia do que poderia acontecer. Mas isso, como eu já disse, foi numa época distante, num mundo longínquo, no qual animais falavam (sem CGI), 90% dos filmes produzidos não eram seqüências e você não tinha que mostrar o seu exame do pezinho pra que aceitassem a sua carteirinha de estudante.

Isso porque hoje em dia é possível para o cinéfilo interessado acompanhar cada passo da produção. Você pode ler sobre a escolha do projeto, os autores do roteiro, o ritmo da produção, a escolha dos protagonistas, o tempo que falta pro término das filmagens. Você pode acompanhar o twitter do roteirista, o facebook do diretor, o videolog dos atores. E com isso você cria uma coisa que, pra mim, foi um dos grandes problemas de Avatar (sim, era disso que eu ia falar o tempo todo): a expectativa.

Porque todo esse acompanhamento, por mais que ajude na divulgação do filme e motive uma quantidade maior de pessoas a assisti-lo através da propaganda espontânea (eu, nerd cinéfilo fico ansioso e espalho essa ansiedade para as outras pessoas, nerds cinéfilos ou não) acaba aumentando de forma totalmente desproporcional a expectativa. Afinal, aquilo deixa de ser um filme no qual você investiu vinte reais e duas horas e se torna um evento pelo qual você esperou durante quatro anos, investiu dezenas de horas e acompanhou tal qual um filho. Ok, eu posso ter exagerado um bocado, mas vocês entenderam.

Não que eu tenha me empolgado tanto assim, claro. James Cameron é um bom diretor, sim, claro, por supuesto, mas não é um dos meus diretores favoritos. Titanic foi um dos filmes mais chatos que eu já vi na vida, por exemplo, e sempre que eu vejo o nome do Cameron associado a algo eu me preparo mais para um novo Titanic (uma trama boba e lenta com efeitos majestosos) do que para um novo Terminator 2 (trama massa véi com efeitos massa véi). Por isso eu fui para o cinema preparado para ver um filme legal, com bons efeitos, um 3D divertido e ponto final. Nada da experiência mágica, mudança de paradigma ou dessa onda “Avatar: when you see it you’ll shit bricks”, que tomou conta do mundo nerd.

E bem, Avatar me ofereceu o que eu esperava. A trama do soldado terrestre paraplégico que vai para o planeta Pandora para controlar um “avatar” e se infiltrar no planeta é simples, mas funciona. Não, não existem plot twists, grandes viradas ou momentos em que você não sabe o que vai acontecer (sério, se você achar alguma virada no roteiro anote e me conte), mas toda a trama é muito bem filmada, com bons atores e boa técnica. Os personagens são totalmente clichês, mas funcionam e você consegue se apegar a eles, pela forma como o roteiro trabalha a ação e os diálogos, ainda que em alguns momentos dê pra se ressentir de pelo menos um pouquinho menos de previsibilidade. Existe, claro, o sentido político do trama, forte e claro o bastante pra que você possa notar com quem o diretor quer falar, mas ainda assim capaz de provavelmente ser ignorado por boa parte da platéia.

Os efeitos especiais são, como dava pra imaginar, sensacionais. Cameron cria o mundo de Pandora com fauna, flora, luzes, efeitos, vida, e mostra que consegue criar um universo se tiver a quantidade certa de grana e já pode prestar concurso público pra Deus se a vaga aparecer. Um trabalho técnico irretocável. E claro, temos o 3D. Bem, não é tão impressionante quanto poderia (em algumas cenas você conta com o 3D, se prepara pra ele, mas ele é decepcionante…) mas ainda assim é bem interessante. Um dos problemas, como muitas pessoas comentaram é quanto as legendas, que parecem ficar boiando na sua cara e várias vezes ficam fora de foco ou tremidas, e tudo que eu posso dizer é que…bem, sim, elas boiam na sua cara, ficam fora de foco e tremem, mas isso ainda é melhor do que a dublagem, ainda mais porque o texto continua legível, só não fica tãããão legível quanto deveria…

No todo Avatar é uma boa diversão, um bom filme e uma forma de gastar suas horas e seus reais, ainda mais na versão em 3D com coisas que são jogadas em você (não, não dá pra simular isso numa sessão normal jogando coisas de verdade, sério). Com certeza não vai mudar a sua vida, mas vale a pena assistir,  se você conseguir deixar o hype em casa.

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4 Comentários

Arquivado em Movie Review

4 Respostas para “Movie Review #8

  1. Isso é tudo que eu tenho para dizer sobre o filme Avatar:

    http://rodoxdolfo.wordpress.com/2009/12/21/avatar/

  2. ThiagoFC

    Sei como é isso de criar muita expectativa. Aconteceu comigo em 2006, com o vídeo do Vanucci após a final da Copa, supostamente bêbado. De tanto ouvir falar das pérolas proferidas pelo cara, imaginei que era a coisa mais engraçada do universo, e que ele estaria cambaleando de tão chapado. Depois de ver o vídeo, não achei que foi bem assim.

  3. Eu tenho meio que antipatia desse filme porque sempre que eu ia procurar trailers do filme do Avatar(da Nickelodeon)no youtube, eu achava o trailer do povo azul. Raiva! hehehe

    O filme tá passando aqui na minha cidade, mas sem os óculos 3D… e aí não tem graça. Preferi ver “Tá chovendo Hamburguer” porque eu queria rir. E ri. Foi divertido.

  4. Avatar é um filme lindo! A história é linda, a floresta, os personagens, tudo lindo!
    Pena que aqui não tem 3D…

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