Wingman

E veio o final de ano. E com o final de ano vieram não só o show do Roberto Carlos, as reportagens bestas do Fantástico e os desabamentos em Angra (em ordem decrescente de vítimas), mas também uma série de dias sem trabalho e cercados de festas relacionadas a comemorar esse novo ano que chega e que, com total e absoluta certeza, vai ser totalmente diferente de todo e qualquer ano que já passou. Ou não. E foi exatamente durante a seqüência de festas que eu tive desde o 31 até o dia 4 de janeiro eu acabei me lembrando de uma das poucas habilidades que eu tenho no que tange a vida social e ao trato com o gênero feminino: eu sou um bom wingman.

Para quem não sabe, um wingman é o cara que vai acompanhar, dar cobertura e distrair a(s) outra(s) meninas do grupo, enquanto um amigo tenta abordar uma garota. Ainda que várias vezes subestimada (“ah, só precisa ficar parado lá e falar qualquer coisa”) a presença e a postura de um bom wingman são várias vezes essenciais para o sucesso de uma empreitada de nível romântico, se levarmos em conta que abordar sozinho uma dupla, trio ou grupo de mulheres é uma missão tão complexa quanto invadir Roma usando um cotonete molhado ou conquistar todos os territórios de um jogo de War tendo apenas dois carrinhos do Jogo da Vida e duas cartas de prosperidade do Banco Imobiliário.

Primeiro porque é complicado achar um bom wingman. Além de um nível de disponibilidade grande, tanto em termos de tempo quanto em termos de estado civil (um wingman precisa ter uma profunda vocação para topar todo e qualquer programa e um constante nível de solteirice, já que estar numa boate numa terça-feira de madrugada com um cara casado e pai de três filhos não diz para certas mulheres exatamente coisas muito boas sobre a sua índole), existem várias outras características importantíssimas na definição de um bom wingman.

Um bom wingman precisa conhecer e reconhecer seu papel. Ele não foi ali pra brilhar, ele não foi ali pra se destacar, ele não foi ali pra ser o centro das atenções e sim pra colaborar com uma causa muito nobre: a do amigo dele. Tentar impressionar em excesso a garota de interesse do amigo vai totalmente contra o conceito da função e ao mesmo tempo uma atuação apagada e que não consiga manter a atenção da amiga da citada menina pode levar a um fim de noite precoce e a ao surgimento de frases nefastas como “amiga, acho que quero ir pra casa” ou “o que será que tá passando no telecine?”

Também é necessário um caráter afeito ao sacrifício pessoal e a paciência. Porque, afinal, se fosse realmente um programa interessante todo e qualquer amigo poderia ter sido chamado, mas se o chamado foi aquele “amigo de confiança” é porque a tarefa é complexa. O bom wingman não se impressiona ou assusta diante da amiga ex-presidiária, da mãe super-protetora, da colega que quer detonar seu amigo porque é lésbica e também quer a menina, da irmã que começa a conversa dizendo que você é o primeiro cara legal que ela conheceu desde que saiu da reabilitação por cheirar psicot misturado com cerol de pipa. Não, nada assusta o bom wingman, que, destemido e corajoso, sempre se mostra divertido, espirituoso e interessado (“mas assim, não corta seu nariz isso de cheirar cerol? Interessante, cara!”). E já a paciência é necessária para todos aqueles momentos em que você está cansado, está óbvio que não vai acontecer nada, mas o seu amigo simplesmente é incapaz de reconhecer a derrota e quer jogar até as últimas fichas com argumentos fortes como “sabia que eu fiz faculdade de física?” ou “ah, vai, o que que custa?!um beijinho só”

Afinal, como já dizia uma sábia canção, “so buy her a beer, that’s the reason you’re here, mighty wingman/you’re takin’ one for the team/so your buddy can live the dream”. Oh, mighty wingman. Grandes momentos, grandes momentos.

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6 Comentários

Arquivado em Crônicas, Vida Pessoal

6 Respostas para “Wingman

  1. Marília

    Linguagem corporal de wingman vai ficar guardada na minha memória e no meu coração. Simplesmente genial. E cara, de repente você pode profissionalizar o lance de wingman e tirar uns trocados no fim de semana (ou no mínimo ganhar umas tequilas pela ajuda aos bróders)

  2. Juninho

    Eu nunca usei você como wingman…

    Mas eu dei pala dos desenhos e, principalmente das ultimas legendas…

  3. Nem sempre sou um bom wingman, mas também não sou fura-olho. Sempre pode rolar uma inveja.

  4. ahahahhaha
    cara, coloco esse no hall dos antológicos, clássicos e stuff like that.
    Acho que nunca fui wingman pelo simples fato de que meus amigos nunca planejaram antecipadamente nenhuma empreitada do tipo. Na verdade, acho que minha turma sempre foi a turma de wingmen – todo mundo entretendo alguém e esperando pra ver se um ou outro tinha coragem de fazer algo. United Wingmen

  5. Elisa

    Eu sempre fui a amiga entretida por wingmans. Faltam bons wingmans no mercado.

  6. Sempre banquei o Wingman, mas nunca profissionalmente. Sempre rolava de algum amigo estar afim de uma garota e eu, educadamente e buscando encorajar sua empreitada, me oferecer para distrair as amigas.. E, as vezes, ainda me dava melhor que eles.

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