Grandes clichês da vida noturna de solteiro – I

A ficada de banheiro: Uma das mentiras mais clássicas da noitada é a de que você ficou com uma garota lá perto do banheiro. “Ficar com uma garota perto do banheiro” é, em termos de mentira clichê, algo naquela linha tênue entre “não é nada disso que você está pensando” e “o Polystation é a mesma coisa que o Playstation, pode levar!”, já que é o tipo da coisa que já se convencionou considerar mentira antes mesmo que haja qualquer argumentação. Afinal você está dizendo que, ainda que no ambiente teoricamente propício e aberto da pista você não tenha tido sucesso nenhum e tenha sido rechaçado por todas as garotas tal qual um projeto de continuação para Acquária, você conseguiu na saída (ou dentro, como ainda tentam afirmar alguns) do banheiro puxar conversa e ainda ficar com aquela garota linda que ninguém tinha visto antes e que logo depois foi embora, sem deixar telefone e com quem você nunca mais vai sair. É a versão masculina não-amazônica da frase “fiquei grávida do Boto Rosa”.

A gordinha de rosto bonito: Como todos sabem, na nossa sociedade existe um certo preconceito com as pessoas acima do peso e isso tem reflexos diretos na vida pessoal delas e das pessoas que as cercam. Exemplo disso é que sempre que algum dos seus amigos (ou você mesmo) ficar com qualquer garota significativamente acima do peso, independente do quão acima do peso ela estiver, ela vai ser chamada de “gordinha”. Sim, não existe garota “gorda”com quem você tenha ficado. Gorda é amiga chata da sua ex, gorda é a sua chefe mala, gorda é senhora que veio no ônibus quase deitada em cima do seu banco. E o “rostinho bonito” é outro dado interessante que vai sendo ressaltado com mais e mais ênfase quanto maior for o peso da garota, como uma espécie de “justificativa” para o ato. Em suma, “vaca gorda escrota” é a garota de 75 quilos que te deu um fora e “gordinha de rosto bonito” é a garota de 150 quilos que ficou contigo.

O bêbado no celular: “Ju, eu sei que é de madrugada e que eu estou bêbado, mas eu tenho que te confessar que te amo” – “Márcio? Tem certeza que está ligando pra Juliana certa?” – “Peraí…você não é a Ju, minha ex-namorada?” – “Errr…Não, Márcio, eu sou a Juliana Hernandez, sua fisioterapeuta” – “Sério?” – “Sério…” – “Puxa…então…Juliana Hernandez, minha fisioterapeuta, eu sei que é de madrugada e que eu estou bêbado, mas eu tenho que confessar que te amo!”

A concorrência anticlimática: Você vê aquela garota interessante e fica ali, estudando, trocando olhares, se preparando. Toma uma vodca, toma duas vodcas, toma coragem (mas pede pro garçom caprichar no limão pra que ela desça legal). Continua olhando pra ela e depois de um brainstorming com dezessete amigos você consegue por fim chegar no melhor começo de papo da história da interação humana, aquele que fará ela se impressionar, se apaixonar, se derreter tal qual a manteiga do amor numa chapa quente de sensualidade*. E quando você se aproxima dela, numa distância menor do que dois passos, você vê um cara grandão sem camisa chegar, dizer “puxa meu dedo” e ganhar um beijo de língua.

“Eu vim só pra dançar”: Acho que de todos os foras possíveis e imagináveis, incluindo até mesmo o “vai ver se eu estou no inferno junto com a sua mãe”, o “não posso porque sou mórmom” e o “cospe no chão e sai nadando”, poucos são mais incompreensíveis para a mente masculina do que o “desculpa, hoje eu vim só pra dançar”. Isso porque dançar para o homem (quando o homem dança) não é um fim por si só e sim um meio para algo. Ele dança para se aproximar, dança para impressionar, dança porque é a festa de 15 anos da prima dele e ele está sendo obrigado. Então a idéia de se arrumar e sair de casa apenas e tão somente para dançar soa tão obscenamente absurda (ainda mais quando ela é dita em locais onde não há música) que praticamente causa um curto-circuito nas mentes masculinas, levando a reações tão adversas quanto a ida para casa, a profunda depressão e a necessidade de começar aulas de dança, em ordem crescente de gravidade.

*A metáfora da “manteiga do amor na chapa quente de sensualidade” foi, provavelmente, um dos pontos mais baixos da história desse blog. Gostaria de mandar meu forte abraço a todos os envolvidos e presentes.

Anúncios

11 Comentários

Arquivado em Crônicas, Mundo (Su)Real

11 Respostas para “Grandes clichês da vida noturna de solteiro – I

  1. Hugo Tatu Lemos

    A metáfora da manteiga do amor na chapa quente de sensualidade foi, ao contrário do que você pensa, um dos melhores pensamentos que eu já li. Vou dar um jeito de encaixar essa frase em alguma cantada na próxima vez que eu sair.

  2. Fran

    Olaa…
    Muito bom o texto, pior é que na balada todas as alternativas acima são verdadeiras (e as vezes acontecem juntas na mesma noite).
    Observações femininas:
    A ficada de banheiro: Eu nunca fiquei com alguém na porta do banheiro e acharia estranho essa situação, visto que é sempre cheio, com conversas nem um pouco atraentes ao fundo (e nem vou comentar da higiene em certas baladas…)
    A gordinha de rosto bonito: Essa eu nem vou comentar, muito provavelmente é esse o comentário feito à meu respeito (espero pelo menos, melhor que “não acreito que fiquei com aquilo!” srsrs).
    O bêbado no celular: Bebado é comico em qualquer situação…com um celular na mão então… Tenho que assumir que isso não é exclusivo para os homens, já fiz isso, mas não cheguei a falar, liguei e desliguei (tive um flash de sanidade naquele momento)…O pior é a ressaca moral no dia seguinte…

    A concorrência anticlimática: Hauhauahu….Jura que os homens fazem brainstorm pra saber qual a melhor cantada? Gente, isso mudou minha vida!! srsrrsrs (observação extra: Homens sem camisa na balada são nojentos!!)

    “Eu vim só pra dançar”: AHuhauahuaa…experiencia pessoal! Ok, eu não sei dançar, então fica mais na cara ainda quando uso essa desculpa… Se bem que eu prefiro a sinceridade “Não to afim”, infelizmente isso não funciona muito com alguns…Porque voces insistem em querer uma resposta mais elaborada? Se eu disser “Voce é feio demais para meus padroes de exigencia, e mesmo que voce fosse minimamente bonito eu não ficaria com voce porque seu tênis verde não combina com essa camisa polo listrada que voce esta!” voces sairiam de ladinho e nem insistem, mas quando a gente é simples e direta, voces não entendem o recado…

    Balada é um dos lugares onde – assim como shopping center e o orkut – todos que tenham ou não a intenção de procriar frequentem, assim se tira totalmente da cabeça a ideia de colocar um ser humano no mundo que saia de casa vestido com uma camiseta agarrada amarela fluorescente, o cabelo espetado com dois quilos de gel e um Grocc no pé.

    Mesmo assim (ou talvez por isso mesmo) é sempre muito divertido!

  3. Cara, também gostei muito da “manteiga do amor na chapa quente de sensualidade”… achei algo assim… que me “derreteu”. Em breve vo te mandar os textos do meu blog também, o The Harmonic Chaos (THC). Hehehehe… abraços!

  4. ThiagoFC

    Cara, a manteiga do amor foi ótima! Eu também pretendo usar um dia (de preferência por escrito, se algum dia eu escrever um livro no estilo “comédia romântica para homens hetero”, tipo Procura-se Amy ou Alta Fidelidade).

    Mas o ponto alto foi a coragem com limão no capricho, ri pacarai!

  5. Ronaldinho

    ô nobre padauan (ou com outra grafia) você continua a me encher de orgulho! “manteiga do amor na chapa quente de sensualidade” foi do baralho! hehheheehhehe! Abraço nobre diplomata!

  6. Natália

    Esqueceu o clichê mais antigo de toda a história…”Eu tenho namorado… Ele está aqui? Não, saiu com os amigos…” Pode parar, circustância alguma faz uma mulher deixar o namorado sair sozinho com os amigos, ela vai grudada nele nem que seja aniversário do amigo do tio Astolfo no asilo da esquina, que se chama “Segura na mão de Deus e vai!”

  7. ahahaha.
    Acabei tolerando a idéia que certas garotas realmente só estão ali para dançar por causa da minha irmã, que já frequentou muito baile de bolero para dançarinos acima de 70 anos em sábados a noite. Frise bem o ” tolerando”, por que realmente é inconcebível. Afinal, pra que vc saíria só pra dançar? Ficasse em casa dançando com a sua mãe.
    Concordo que melhor que o esquema da manteiga do amor foi a tal coragem com limão.

  8. Adorei esse texto! Concordo que na desculpa do banheiro ninguém mais acredita. Conheço “uma história da gorda”, onde meu ex no carnaval pegou apenas uma “gordinha legal” (loser).
    A do bêbado é a mais verdadeira de todas, tenho vários amigos que já passaram por essa situação. A história da concorrência realmente continua sendo um desafio pra maioria dos caras. A desculpa “só vim pra dançar” acho que é usada mais pelas mulheres e o cara ainda diz “pois dance comigo” (insistência é uma coisa…). E ahh! Eu já saí só pra dançar! Sério! Tipo, meu ex n é a melhor companhia numa festa, então de vez em quando eu ia pra balada sim com as amigas só e somente só pra dançar. Vou dizer também q eu deixava ele sair com os amigos. Acho que a confiança é o fundamental numa relação… e a gente não nasceu grudado, então…

    Adorei também a metáfora da manteiga, super bem bolada!

  9. Juninho

    Cara essa do banheiro é a mais falada e que causa mais fama de mentiroso derrotado pro cara…

  10. Elisa

    Acho que boites gays estão ficando famosas justamente porque lá as pessoas entendem o “só vim para dançar”.

    Não sei onde li que alcool é estimulante para homem, mas dá sono em mulheres. Música é o principal estimulante feminino.

  11. CARA, muito bom seu texto! Chorei de rir!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s