Band of brothers

Como qualquer um que tenha assistido um mísero episódio de Friends e contemplado a dinâmica Chandler/Joey é capaz de reparar, quando você divide um apartamento com alguém essa pessoa se torna praticamente parte da sua família.  A convivência, as conversas, os problemas e situações compartilhados, as discussões nas reuniões de condomínio, as vezes em que um deixa o outro preso fora da casa de madrugada e ele precisa dormir na calçada de uma farmácia abraçado a um cão com claros sinais de Mal de Hansen canino, essas coisas acabam criando entre você e essa pessoa um vínculo e uma amizade muito difíceis de serem destruídos. E vendo a repercussão (preocupação?) de muitos de vocês diante do último post achei que nada seria mais justo do que homenagear aqui todos os meus ex-colegas de república e meu atual colaborador, tão injustiçado no mais recente texto aqui do blog. Por isso aqui vai o meu sincero agradecimento a todos esses caras que são praticamente meus irmãos mas que eu não gostaria de ver entrando do quarto da minha mãe.

Geraldin: Meu mais antigo amigo de infância, Geraldin dividiu apartamento comigo nos primórdios da faculdade e também nos tempos da República Qkické, sendo hoje, já formado e noivado, o primeiro economista lutador de muay-thay do Brasil, mostrando que sim, dá pra derrubar a inflação com um só golpe, se ele for uma cotovelada bem dada. Além de poder se gabar de ser o único entre todos os meus amigos com quem eu já saí na porrada (?!), Geraldin também proporcionou momentos de convivência mágicos, como naquela vez em que eu acordei de ressaca e vi que ele chegou na cozinha vestindo uma camisa como short. Grande presença.

Frank: Praticamente um Ashton Kutcher brasileiro, Frank era famoso por três coisas: o fato de ter seis dedos em uma das mãos, de conhecer pessoas em simplesmente todo e qualquer evento na face da Terra, desde o Fórum Mundial até a festa da Carraspana e pela sua total e absoluta fanfarronice freestyle aliada a uma falta de tato que chocaria um elefante cego numa loja de cristais. Exemplo disso foi o primeiro telefonema que eu recebi dele após o meu final de namoro, em que ele me perguntou se eu havia mesmo terminado. Assim que eu disse que sim o diálogo correu da seguinte forma: “Porra, graças a deus! Nunca gostamos daquela guria! Já vai tarde! Maldita! [mais dez minutos de ofensas]. Mas pô…e aí, tu ficou triste de terminar e tal?”

Ronaldo: Rapaz de fino trato, Ronaldinho sempre foi o genro que toda sogra gostaria de ter: bom-aluno, sério, leal, profissional, bom caráter, inteligente e educado. O único motivo que qualquer pessoa poderia ter para questionar a ética e boa índole de Ronaldinho era algum tipo de restrição ao seu mentor e ídolo máximo: MC Marcinho,o Rei do Funk Melody. Mas,caramba, quem pode ter algo contra uma música que diz algo como “Vou catucar/eu vou catucar/vem minha gostosa/que hoje eu vou te barulhar/jogue o tambor pro alto/que eu quero bater/que eu quero fuca na futchuca com você”? Merece ainda menção honrosa por ter sido a pessoa que me explicou que deixar a louça suja na pia por mais de duas semanas não é socialmente aceitável.

Eric: Praticamente um irmão mais novo na república, apesar de ter a mesma idade que todos os outros, Eric (também conhecido como “Pulga” ou “Mindingo” pelo seu tamanho e seu fino gosto para escolha de vestuário) era sempre meu parceiro quando se tratava de coisas nerds ou similares, além de ser a pessoa que me aplicava surras homéricas no Fifa Soccer e no Winning Eleven e de ter me ajudado a quebrar o mouse óptico do Frank jogando Spiderman 2. Atualmente Eric é um bem-sucedido engenheiro de alimentos na região sul do país, sendo responsável pelas mortes de milhões de animais todos os meses. (Go get him, Greenpeace!) Vale mencionar também que eram realizadas no quarto do Pulga as sessões semanais de cinema da república, o que pensando em retrospectiva não faz sentido nenhum e soa meio gay, já que o quarto dele era o menor de todos. E Eric,nós ainda lembramos que por sua causa não vimos o final de Silent Hill.

Tarcísio: Ainda que algumas informações do post anterior possam fazer parecer que minha relação com meu colega de apê é estremecida ou conturbada, eu gostaria de usar esse espaço para dizer que ele é o mais correto, ético e decente neonazista exibicionista que eu já conheci em toda minha vida. Ainda que no começo eu tenha ficado assustado com o fato de que ele sempre limpa sozinho a casa, lava a louça e resolve qualquer outra pendência relativa ao apartamento (sério, eu tive medo que ele fosse me contar que era meu pai ou quisesse casar comigo) por fim descobrimos que ele apenas é um cara organizado e metódico enquanto eu sou caótico e capaz de guardar meias na geladeira. Hoje temos uma amizade que se não chega a ser algo Joey/Chandler é quase uma coisa Leonard/Sheldon, já que ele é afim de uma das nossas vizinhas e eu não gosto que ele sente na minha parte do sofá.

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15 Comentários

Arquivado em Crônicas, Vida Pessoal

15 Respostas para “Band of brothers

  1. Fran

    Muito bom!
    Mas ainda acho seu colega de quarto um tanto quanto assustador…srsrsrrs

  2. ThiagoFC

    Cara, seu atual colega de república é xará do meu pai (sim, o mesmo que faz aniversário no mesmo dia que você. até porque, até onde eu saiba, é o único pai que eu tenho)!
    Sobre os demais, só figuras e fenômenos!

  3. Ronaldinho

    POxa vida !!! me sinto agora enobrecido e honrado meu caro João!!! Muito grato pela citação e lembre-se, gordura na panela por mais de 12 meses começa a ficar imprópria para o uso!!

  4. Juninho

    “Conta Comigo” é um clássico, cara! Como você coloca uma foto dele ali e não faz uma menção nem nas tags????

  5. Não tem como não rir em seus textos, são ótimos! Todos seus amigos parecem ser bem loucos e legais!
    Mas ainda acho esse Tarcísio meio suspeito…

  6. “Ashton Kutcher brasileiro” é a melhor definição do Frank que já vi na vida!!!!

    Maravilhoso texto! Fiquei com vontade de fazer algo do tipo também, mas ia ficar esquisito tanto pela quantidade quanto pela qualidade dos envolvidos.

    Não que eu odeie todo mundo que já dividiu apartamento comigo, muito pelo contrário. Só não é justo colocar no mesmo patamar uma amiga-irmã altamente divertida que curou parte das minhas ressacas e não se importava com minhas manifestações paranormais ao lado de uma cunhada enjoada que tinha ataques de fúria diante de indefesas garrafas de conhaque.

    Pode ser que eu resolva falar só das legais, sei lá. Você se importa?

    • João Baldi Jr.

      Eu apóio integralmente. Ainda mais porque somos pessoas de boa índole que jamais falariam mal de ninguém num blog. Mesmo que as vezes a vontade seja quase sufocante…

    • João Baldi Jr.

      Errrrrr…esquece a parte sobre eu ser uma pessoa de boa índole então, verdade…

  7. Marília

    Ri demais aqui. E é aquela coisa, né? De perto ninguém é normal. E no caso do seu colega de apê exibicionista, aparentemente nem de longe…

  8. minha irmã mais nova sempre me fala do seu blog, ela o acompanha episódio por episódio como se fosse um bom seriado (coisa que não vejo passar na tv aberta desde os tempos incríveis de anos invríveis) então resolvi vir aqui pra ver esse incrível blog que ela tanto fala, e vejo que ela tem razão, só espero que a coisa toda não acabe quando nós (tel)espectadores chegarmos ao nosso nível máximo de viciamento.

    :)

  9. o comentário acima é meu, desconsidere aquele link!

  10. Elisa

    Eu tô rindo alto aqui da falta de tato do Frank. O Fogaça é um cara com quem eu queria ter convivido mais. Ele é engraçado e é o pior ator do mundo. Disparado.

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