Post atrasado sobre futebol e o Dia Internacional da Mulher

Como qualquer pessoa que conheça a história do futebol brasileiro sabe, os clubes cariocas sempre tiveram um importante papel nas mudanças sociais que o nosso país sofreu no século passado e no começo do século atual. O Vasco da Gama foi o primeiro clube profissional a escalar em seu time atletas negros, o Fluminense foi o primeiro clube a escalar atletas negros pintados de branco (o que pode parecer uma atitude preconceituosa mas na verdade era um profundo gesto de afirmação para essa minoria tão sofrida, a dos mímicos negros jogadores de futebol) e o Botafogo foi pioneiro na retirada dos Túlios do crime e da marginalidade, reinserindo-os na sociedade através do futebol. Grandes clubes, com grandes serviços prestados para o fim de preconceitos e estigmas sociais que afetam a sociedade brasileira. Afinal, se há 20 anos você não deixaria sua filha se casar com um Túlio (“Túlio quando não faz na entrada faz na saída!”) hoje você sabe que um Túlio é uma pessoa como todos nós, com a única diferença de que pra ele gols feitos em amistosos e peladas de fim de semana valem na contagem oficial.

Mas e o Flamengo? Como fica o clube de maior torcida do Brasil nessa história? Bem, o Flamengo, ainda que atrasado em relação aos seus co-irmãos, resolveu defender uma causa tão nobre quando a da igualdade étnica: a da igualdade entre gêneros. Primeiro com a eleição de uma presidenta mulher (já tivemos presidentes mulheres, ao que parece, mas não é uma boa ficar falando disso agora), o que provou que uma mulher está tão apta quanto qualquer homem para comandar um clube totalmente caótico. Depois com as recentes declarações e atitudes de atletas que comprovam que no Flamengo não existe absolutamente nenhuma diferença no tratamento com homens e mulheres.

Primeiro temos as declarações do goleiro Bruno sobre o fato de que é totalmente normal e aceitável partir para o confronto físico com uma namorada, cônjuge ou parceira. Ou nas palavras dele, “sair na mão com mulher”. Porque para Bruno não existe machismo ou mesmo segregação por gênero: se você pode descer a mão num homem você evidentemente pode descer a mão numa mulher e não fazer isso seria uma demonstração clara de preconceito e de um pensamento datado e retrógrado.

Mas mais longe foi Adriano, nosso titular e camisa 10 que, mostrando que um gesto vale mais do que mil palavras, teria, segundo o jornal Extra (mais séria fonte de notícias aqui do Rio) pedido para que seus amigos no Morro da Chatuba amarrassem sua namorada em uma árvore e a mantivessem lá até o amanhecer, caso ela não aceitasse encerrar uma discussão. Bem, não vou destacar o aspecto óbvio de que isso ressalta a visão rubro negra do diálogo e da tolerância perante opiniões diferentes ou mesmo o fato de que, sim, Léo Moura estava lá (cara, ele tá em todas, impressionante), mas sim a atitude igualitária e humanista do nosso atacante. Afinal, se Adriano mandaria que traficantes amarrassem um homem a uma árvore, porque ele não faria isso com uma mulher? Sim, porque no Flamengo a mulher não é o sexo frágil, sendo na verdade até um sexo muito resistente, já que pode apanhar e dormir amarrada em árvores. O Flamengo valoriza, sem dúvida nenhuma, a capacidade guerreira e o espírito de superação da mulher brasileira.

Mas a cereja do bolo foi colocada com a declaração de Marta Love, a esposa de (cara, eu nunca imaginaria) Vagner Love, que disparou, após toda a confusão envolvendo o “Chatubagate” essa frase que, pra mim, deve servir de novo slogan para o movimento feminista em todo o planeta: “”Se ele (Vagner) me bater um dia, eu meto a porrada nele”. Sim, um viva para a compreensão, o carinho mútuo e a igualdade entre os gêneros. Reflitam.

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8 Comentários

Arquivado em Mundo (Su)Real, No News

8 Respostas para “Post atrasado sobre futebol e o Dia Internacional da Mulher

  1. isso parece piada. viraram ao avesso as bandeiras de luta do movimento feminista? não é ESSE tipo de igualdade a que nos referimos. é mais ou menos como o boaventura diz

    “Temos o direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza, temos o direito de ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza.”

    as minorias (e aqui entendendo minoria relacionada a exclusão e não ao valor) precisam de tratamentos diferentes. cadeirantes precisam de acessibilidade, deficientes auditivos precisam de legendas, cegos precisam de telefones com braile e etc.

    achei ridicula além de criminosa a atititude do adriano, independentemente do que a mulher dele tenha feito.

    assim como tambem acho descabido o escândalo que sua mulher supostamente protagonizou.

    adorei a piada do túlio, daqui a uns dias ele vai dizer que passou os 1000 gols do pelé.

  2. Gui

    Você sabe que se não entenderem a ironia da coisa você vai ser odiado por mulheres e torcedores dop Flamengo, certo?

    • João Baldi Jr.

      Cara, se alguém não notar a ironia nesse texto é porque a pessoa não nota a ironia nem quando ela surge pulando e acenando na frente dela…(mas sim, rolaram uns cataguases feelings aqui também, fato…)

  3. A humanidade é uma gracinha. Milhares de anos criando formas inteligentes de resolver um conflito pra de repente abandonar tudo e cair no tapa de novo.

    E se é pra gerar ódio em alguém, prefiro o dos torcedores do Flamengo.
    OK, você é um, mas não adianta. Eu sei que você jamais me odiaria.

  4. Texto realmente irônico! Adoro lê os comentários

    Flamengo…aff KKK

  5. Quando vejo esse tipo de “declaração” e atitude desses jogadores de futebol nem me assusto mais. E quanto à srª Love, era de se esperar que dissesse uma coisa dessas, mesmo. Só esse tipo de mulher que aguenta o “tranco”. Tenho pena.

    Até logo. o/

  6. laura

    Extra, um jornal realmente sério do Rio…hahahahaha

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