Top 5 – Estratégias argumentativas absurdamente irritantes

Reductio ad Hitlerum: Consiste em, para ganhar qualquer tipo de discussão, relacionar o ponto de vista do adversário ao nazismo a partir de algum fato alheio ao real conteúdo da discussão, mas de forma que isso pareça desqualificar a opinião contrária. Argumentos como “não acho que você devia ficar com ele…ele é pintor, certo? Hitler também era pintor e você viu como Eva Braun terminou…” ou “eu não bebo leite…Hitler bebia leite e todo mundo sabe no que deu” são exemplos clássicos do reductio ad hitlerum, já que conseguem transformar qualquer coisa num sinal de nazismo, desde a alfabetização na infância até o uso de bigodes e o hábito de dormir. Afinal, Hitler dormia. Outra utilização dessa estratégia é a extrapolação hitlerista, que consiste em imaginar uma progressão de ações que vão, inevitavelmente, levar ao nazismo. Isso pode ser exemplificado numa discussão que eu tive com minha mãe na adolescência em que ela me mandou dormir cedo e eu retruquei com um “primeiro a hora de dormir, depois o que vestir, depois pra onde ir, em breve não vou poder sair de casa…qual o próximo passo? me mandar pra Polônia porque meu bisavô era judeu?”. (Naquela noite eu dormi as 20:00.)

A Lei de Ruffles: A clássica aplicação do conceito de falso silogismo brilhantemente exemplificada na frase “antes da Elma Chips começar a vender Ruffles no Brasil nós tínhamos bem menos acidentes de trânsito. A culpa só pode ser dos Ruffles então”. Consiste basicamente em, partindo de uma premissa verdadeira, mas totalmente dissociada do conteúdo da discussão, chegar a uma verdade que não faz sentido, mas não pode ser racionalmente descartada porque é insensata demais pra que alguém realmente se esforce pra desacreditá-la.

A defesa Chewbacca: Consiste em lançar uma série de argumentos totalmente desconexos não só com o tópico da conversação mas também entre si, com o intuito de que o cérebro do interlocutor apenas e simplesmente dê pau e ele aceite que você tem razão. Um exemplo clássico pode ser retirado do episódio “Chef Aid” de South Park, em que o Chef acusa Alanis Morissete de plágio: “Chewbacca é um Wookiee do planeta Kashyyyk. Mas Chewbacca vive no planeta Endor. Agora, pense no assunto: isso não faz sentido! Por que um Wookiee de dois metros e meio de altura viveria em Endor, com um grupo de Ewoks de cinquenta centímetros de altura? Isso não faz sentido! Mas o mais importante, vocês devem se perguntar: o que isso tem a ver com o caso?Nada. Senhoras e senhores, isso não tem nada a ver com este caso! Isso não faz sentido!” Essa tática é muito utilizada em discussões de casal.

O diogomainardismo: Dividido em duas vertentes (o diogomainardismo recreativo e o profissional) essa verdadeira escola argumentativa consiste basicamente em pegar um assunto que não se conhece e dar sobre ele, sem uma pesquisa prévia, alguma opinião que obviamente vai contra o senso-comum, visando polemizar o assunto ou apenas angariar antipatia, já ciente de que seus argumentos serão facilmente refutados. A grande diferença entre as duas vertentes é que enquanto a escola recreativa costuma apenas aceitar quando tem seus argumentos desmontados, a escola profissional costuma atentar contra a reputação e o histórico familiar dos adversários como forma de auto-defesa. E claro,a vertente profissional recebe da Veja pra isso, é outro negócio.

Apelar pra mãe: Você nota que não vai conseguir vencer a discussão e ofende a mãe do seu interlocutor, numa tática comumente utilizada em brigas de pátio e discussões profissionais de alto e médio escalão. Exemplo: “Jonas, seu projeto simplesmente tem furos demais pra ser aprovado…” – “Ah, é? Seu pai é um quibe, sua mãe uma coxinha e eu vou comer os dois! Seu feio!”.

Anúncios

8 Comentários

Arquivado em Desocupações, Mundo (Su)Real, Sem Categoria, Top

8 Respostas para “Top 5 – Estratégias argumentativas absurdamente irritantes

  1. “Seu Pai é um quibe, sua mãe uma coxinha…” K-kkkkkkkkkkkkkkkk Terríííível!

  2. ThiagoFC

    Deveria haver restrições legais para o exercício do diogomainardismo profissional. Mas claro que aí a Veja, o Estadão, A Folha e o Globo iam acusar o governo Lula de promover a censura. Talvez até mesmo comparando-o com o Hitler (A Veja iria um pouco mais longe, dizendo que Hitler apoiaria o MST. Claro, reforma agrária sempre esteve na plataforma política do nacional-socialismo) … E eu já vi em algum lugar que “invocar Hitler e nazismo” faria a pessoa automaticamente perder a disputa argumentativa.

    Sobre o Chef Aid: eu vi esse episódio! Bons tempos de South Park. (Oh, my God! They killed Kenny! You bastards!!)

  3. Ofensas à mãe são bastante efetivas para se desestabilizar o interlocutor.

    P.S: Na verdade esse um comentário propaganda e eu só vim dizer que postei no meu blog.

  4. Apelar pra mãe é, de fato, muito eficaz. A não ser que você tenha 1,50 m e seu interlocutor seja um gigante muito zangado. haha

  5. “Seu Pai é um quibe, sua mãe uma coxinha…” K-kkkkkkkkkkkkkkkk Terríííível! /2

    Adorei!!

  6. Eu uso a técnica do Chewbacca em discussões de casal.
    Shame on me!

  7. Juninho

    A técnica do Chewbacca também é boa pra irritar o “adversário”….

  8. Técnicas altamente utilziadas em conversas de bar e festas; com todo mundo bêbado, a chance de não entenderem nada e acharem que por isso você está certo aumenta exponencialmente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s