Cenas pouco prováveis com finais um tanto quanto súbitos (#1 de 4)

#1: Eu finalmente tinha conseguido convencer Mariana a passar uma noite na minha casa. Horas de papo, dias de torcida, semanas de planejamento até que ela finalmente topasse e meus pais tivessem o bom senso de viajar, facilitando as coisas. Era a minha primeira vez e eu admito que estava mais nervoso do que jamais poderia imaginar. Ou isso ou eu era o caso mais precoce de Parkinson já registrado pela medicina, do tipo que faria Michael J. Fox me dizer pra relaxar e roubaria o título de tremendão do Erasmo Carlos. Tentei preparar o cenário da melhor maneira possível: um vinho, porque eu queria ela relaxada e não bêbada, uma meia luz, porque eu sabia que se acendesse velas ia dar merda e a casa ia pegar fogo (você não conhece a minha sorte), e um Maroon 5 tocando ao fundo, porque ela gostava e eu não queria nem colocar um Coldplay, que faria ela desistir de transar e resolver cortar os pulsos e nem um Barry White, que deixaria claro que alguém naquela casa iria ter que fazer sexo naquela noite nem que fosse a empregada com o vigia e que haviam camisinhas escondidas até na saladeira. Ela chegou e começamos a nos abraçar (bom), nos beijar (muito bom) e ela começou a me dar um pouco de liberdade de ação pelo corpo dela (ótimo, ótimo). Consegui em poucos minutos tirar a blusinha dela (vibra, torcida brasileira) e antes que eu pudesse dizer “obrigado Senhor por ter matado minha tia e feito meus pais irem pra São Paulo” ela já estava só de calcinha e sutiã no meu sofá (um pequeno passo para o homem mas um grande salto pra mim). A vitória era iminente, a glória me aguardava e com sorte eu nem precisaria gastar o vinho do meu pai. Me deitei por cima dela, já me preparando pra tirar aquelas duas peças de roupa que naquele momento seriam como a faixa de chegada da maratona da virgindade em direção ao pódio das pessoas que transam, quando ela virou e me disse “Caio, tenho que te contar uma coisa”. Bem, naquele momento nada, mas nada, nem mesmo o décimo quarto segredo de Fátima teria importância pra mim, mesmo que ele envolvesse os números da mega-sena, o final de Lost e porque o Sílvio Santos começou a exibir “Reunião” mesmo sabendo que a série estava cancelada, então eu continuei o que eu estava fazendo. “Não, Caio, pára, sério mesmo…Deixa eu te falar…”. Parei e olhei pra ela com aquela cara de Cléber Machado dizendo “hoje não, hoje não” e ela disse que tinha que me contar uma coisa muito importante e que eu precisava saber disso antes da gente transar. Na minha mente eu fiquei mezzo feliz por ter certeza que ia transar (aeeeeee) e mezzo triste por imaginar que tinha alguma merda acontecendo (herpes? gonorréia? ebola?), mas continuei prestando atenção. “Então, Caio…eu disse que era virgem…mas eu não sou…”. Na minha mente surgiu a seguinte série de pensamentos “aí não-vacilo-como assim-então porque demorou tanto pra topar” mas tentei fazer a minha cara mais compreensiva, ou ao menos a mais compreensiva que eu conseguia fazer enquanto tirava a cueca. “Ah, tudo bem, eu te amo, eu não me importo com isso…agora vem cá?”. “Não, mas tem outra coisa…a minha primeira vez…bem…ela foi com o Jorge Vercilo”. E nesse momento meu pai entrou pela porta da sala.

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12 Comentários

Arquivado em contos, Desocupações

12 Respostas para “Cenas pouco prováveis com finais um tanto quanto súbitos (#1 de 4)

  1. Quando eu tava procurando no texto a referencia para “a saudade bateu foi que nem maré” eu não imaginava que teria o Jorge Vercilo literalmente na história! kkkkkkk
    A do pai chegando bem na hora foi ótima!

  2. Marília

    Cara, sensacional!

  3. hahahaha
    Porra, João!

    Eu fiquei imaginando.. “por que diabos ele colocou a foto do Jorge Vercilo?”

  4. Marília

    Comentário extra-post: Eu não devia ter aberto aquele link pra história do HA ajudando crianças a lidar com pedófilos. Que vibe, cara. Que vibe. (Tem um final de He-Man que tem aquele segmento)

  5. “e com sorte eu nem precisaria gastar o vinho do meu pai. ” isso é triste º-º
    (n que todo o resto n seja mas..) Jorge Vercilo?? what the…??.De onde vc tirou isso?? kkkkk.

  6. HUAHuahuAHuhauHAUhauHAUhahu adorei! genial!

  7. ThiagoFC

    São metáforas como “a faixa de chegada da maratona da virgindade em direção ao pódio das pessoas que transam” que me fazem ter que segurar o riso no trabalho. Isso e as citações a Cléber Machado e ao vírus ebola. haeueahueahaeuaehauh

  8. hahahaha. até então, a foto do Jorge Vercilo estava muito mal explicada.

    adorei!

  9. Carol

    Como se o Jorge Vercilo já não fosse gongado o bastante, o maquiador fez questão de ajudar!

  10. Juninho

    hauhuahuhhhahuahuhahauhauahuhahua

    Caralho, Jão! Você é muito perturbado! Tenho que lembrar que não posso ler esse blog no trabalho…

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