Problemas práticos do romantismo teórico – VI

Uma coisa que realmente me causa uma certa dificuldade é chamar alguma garota para sair. Eu sei, eu sei, parece uma atividade fácil, você chega, pergunta se ela quer sair, ela diz se quer ou não e pronto, está tudo resolvido. Algo básico e simples, tão usual que várias pessoas fazem isso todos os dias e poucas vezes você viu alguma delas tendo um AVC por causa do profundo esforço necessário, ou seja, não é exatamente como construir um foguete, por assim dizer. Mas sim, pra mim é complicado.

Primeiro porque chamar alguém pra sair muitas vezes representa um salto em termos de demonstrar as suas intenções. Em um momento você é o cara legal (ou nem tanto) com quem ela conversa de tempos em tempos e em outro você é o cara que está querendo sair com ela no sábado a noite. É um passo sem volta saindo do caminho do “te acho divertida” para o “gostaria de terminar essa noite beijando você” que realmente pode pegar algumas garotas distraídas e acabar soando estranho, prematuro ou até mesmo assustador, se você decidir fazer o convite usando um fantoche de meia com olhos feitos de botão de camisa.

Depois vem a questão da viabilidade do projeto: ela realmente quer sair contigo? O que ela ganharia com isso? Eu digo isso porque quando eu imagino uma garota bonita, inteligente, divertida e solteira eu realmente começo a especular se ela não teria outros projetos mais divertidos para um sábado a noite do que sair comigo. Não, não que eu não seja um cara interessante (ainda que eu…não seja…realmente…) mas existem situações e contextos em que realmente você tem outras opções de entretenimento bem mais divertidas do que um cara que diz a frase “aí sim, fomos surpreendidos novamente” em toda e qualquer oportunidade dada. Isso sem falar na lendária história do meu amigo que deixou de sair com uma garota pra assistir um episódio de “Angel” e que sempre me faz pensar, logo antes de sair com uma garota, se eu sou mais divertido do que uma série com o David Boreanaz (e eu curto “Bones”, então a dúvida sempre vai persistir).

E aí vem a minha natural timidez. Ainda que eu seja capaz de atividades que me deixam tão absurdamente exposto quanto contar uma piada de bode no meio de uma reunião gerencial, cantar música judaica em voz alta em qualquer casamento ou passar meia hora numa boate tentando convencer uma garota desconhecida de que o meu amigo realmente é canadense e só tem aquele sotaque do interior paulista porque foi criado em Calgary, eu sou um cara absoluta e covardemente tímido quando se trata de uma garota por quem eu realmente esteja interessado e que me deixe realmente inseguro. As palavras somem, as tiradas engraçadinhas vão embora, até mesmo os comentários infames me abandonam e tudo que sobra não conseguiria manter uma conversa de cinco minutos com uma criança de 3 anos sem tomar com um brinquedo na cabeça. Ou seja, não ajuda muita coisa em termos de facilitar o processo ou gerar segurança na hora da abordagem.

Claro, você pode me dizer que sempre existem as pistas, as dicas, as indicações sutis. Mas aí eu te digo que…bem, eu não noto essas coisas e quando noto quase sempre desconfio do meu julgamento. Ela está afim? Ela está sendo apenas simpática? Ela não está sendo nem mesmo simpática e eu estou viajando? Ela está na verdade tentando me matar usando uma clava e um garrote e eu estou em absoluta e total negação? Sério, quando se trata de entender sinais ou demonstrações sutis dadas por uma garota eu realmente seria capaz de pedir conselhos ao colega Ray Charles (“ela está piscando pra mim, Ray? o que você acha? não, não, ela está ali, cara!”) antes de acreditar demais no meu próprio discernimento.

Em suma, chamar alguém pra sair é, ao menos pra mim, complicado, sendo uma atividade que exige coragem, ânimo, disposição e realmente achar que aquela pessoa vale a pena o esforço mental necessário. E não, não fica mais fácil depois que ela aceita. Porque aí eu tenho que escolher o lugar e sério, outra coisa que realmente me causa dificuldades é escolher o lugar pra levar uma garota quando eu a chamo pra sair…

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13 Comentários

Arquivado em Desocupações, Mundo (Su)Real, Vida Pessoal

13 Respostas para “Problemas práticos do romantismo teórico – VI

  1. Sabe, fiquei pensando que eu sairia com um cara que me convidasse usando um fantoche de meia com olhos feitos de botão de camisa.. E isso me deixou um pouco preocupada.

  2. dia desses eu tava pensando sobre isso, eu consigo ser legal, engraçada e razoavelmente inteligente com todo mundo, menos com os caras que me interessam. em questão de segundos consigo ser tão inteligente quanto a xuxa durante o papo X.

  3. ana tereza

    joao, leva a menina no cinema em dia de semana. simples! vc conversa só ate chegar lá e depois um papinho rapido até a casa e pronto no outro dia vc tem que trabalhar e nao pode prolongar a noite. daí se for legal vc marca outra coisa mais prolongada e no sabado.

  4. Enquanto vc acha difícil chamar uma garota pra sair, eu fico pensando em como alguns primeiro encontro são tão previsíveis, fiz até um post sobre isso…

  5. Gostei do post e da foto do Raj!

    Quase sempre a garota está ciente das intenções do rapaz, quando ele a chama pra sair. Então, se ela aceitar, quase sempre significa que ela tem as mesmas intenções! Acho que é uma boa dica, mas, não sei… é quase sempre, quaaaase sempre.

  6. Não sei,mas se sua intenção for chamar alguem pra pra sair hoje é bom não usar os fantoches..
    uou,uou! prematuro é a palavra,não que não seja estranho também rs,outro dia eu fui inventar de puchar papo com um amigo meu e fiquei meio nervosa que a unica coisa que eu consegui fazer foi falar sobre uma serie que eu não tinha idéia, nem uma noçãosinha sequer da sinopse.Acredite, foi um “vomito” de comentarios é eu pretendia chamar o cara pra sair algum dia… Mas agora não consigo nem passar perto x_x

  7. acho que você já recebeu dicas femininas demais aqui. mas, honestamente, o fantoche seria bem assustador.

  8. Olha, eu sei lá, mas eu acho a idéia do fantoche maneira… Sim, eu sou homem, eu sei, mas ainda assim…

    Isso me torna esquisito? óò

  9. Marília

    Porra, o fantoche seria legal pra quebrar o gelo. Outra boa dica é fazer aquilo que o Woody Allen faz em “Annie Hall”, de pedir logo um beijo pra quebrar o gelo. Mas aí já seriam fatos relacionados ao encontro em si e não ao convite.

  10. Fran

    Jhonny!
    Se eu fosse voce diria a mesma coisa que voce disse nesse post.
    Caraca, pipocou mulher ein…rsrsrrs

    Bjaos

  11. el vailan

    Vc tem que pensar o q vc quer, rapaz. Se quiser continuar sendo o cara legal, fique na sua, mas se tem interesse na garota, tuh não podes virar amiguinho dela, mulheres não respeitam amiguinhos e nem querem nada com eles, a amizade das moças que vc tem vontade de chamar p/ sair não deve valer uma tampinha de fanta uva furada. O fantoche é uma boa, vc pode falar várias obscenidades e dizer que “foi o boneco que disse”, hehe. abç

  12. TG

    hauhauhauhauhahuahauhauhahuhauhauhahua
    rachei de rir com o Ray Charles…

    o fantoche é válido, desde q não seja tão bizarro quanto o boneco Danny, de THM.

  13. Juninho

    Concordo com o comentário sobre o fantoche dizer as coisas, é bem interessante, tira a responsabilidade direta de você e, quase sempre, vai resultar em sexo…

    A idéia do cinema dia de semana também é boa, mas prepare-se caso a noite evolua, pra não ficar sem ação…

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