Problemas práticos do romantismo teórico – Digressão Especial

Uma tendência que eu noto em várias pessoas desde os tempos dos relacionamentos adolescentes (cheios de confusão, exageros e problemas) até hoje, na época dos relacionamentos adultos (cheios de confusão, exageros e problemas, só que sem isenção do imposto de renda) é uma grande propensão a, em momentos de grande pressão ou desalento emocional, recorrer a ex-namorados (ou namoradas). Sim, quando a carência bate forte,quando a solidão aperta, quando a vida de solteiro parece complicada demais (e qualquer pessoa que já foi até o Mariozinho’s aqui do Rio comigo e com os caras sabe que ser solteiro pode parecer bem complicado nessas horas), muita gente, assim como o Leão da Montanha, apenas grita “saída pela esquerda”, e recorre emergencialmente a um ex. Mas não, não da forma totalmente digna como a maior parte de nós homens faz (através de sms, de madrugada, bêbado, sentado do lado de fora de uma boate e abraçado a uma garrafa de tequila, o que evita qualquer traço de lembrança do evento no dia seguinte), e sim da forma totalmente errada,que é realmente voltando de cabeça para aquele relacionamento que, cinco minutos atrás, era tudo que de pior poderia existir no mundo, junto com a auto-ajuda e a internet discada.

Não, não estou falando que seja totalmente impensável voltar com um ex (ainda que eu desconfie que minha ex-namorada discorda de mim), afinal, as pessoas crescem, mudam, e aquela garota imatura que cortava cabeças de ursinhos de pelúcia e ameaçava beber detergente no final do ensino fundamental pode hoje ser uma mulher adulta e madura (ainda que você não vá pedir pra ela lavar a louça quando for na sua casa) e aquele moleque inútil que não queria nada com nada nos tempos da faculdade pode hoje ser um cara sério e responsável (ainda que eu não lembre de nenhum exemplo pra citar). Às vezes o que não deu certo há um tempo pode vir a dar certo agora, já que os dois se tornaram mais experientes, cresceram e hoje são pessoas melhores e mais aptas para ter uma relação estável, do tipo que não envolve gritos histéricos, telefonemas assustadores, traições e acordar com uma cabeça de cavalo no colo. Mas e quando o relacionamento terminou, sei lá, um mês atrás? Isso ainda faz sentido? Quem, além de um personagem de RPG, ganha tanta experiência e novas habilidades assim em um mês?

Nesses casos a verdade é que grande parte de nós tem medo. Medo de estar sozinho, medo de continuar sozinho, medo do vasto universo sem leis e sem lógica da vida de solteiro, medo de conhecer alguém e de toda a jornada que envolve um novo relacionamento. E diante dessa torrente de sensações reginaduartezantes tudo em que nós conseguimos pensar é em como era seguro e tranqüilo ter do nosso lado alguém que já nos conhecia, que já sabia como as coisas funcionavam com a gente, que nós não tínhamos que tentar impressionar ou conquistar e que já sabia que HA3 em DVD não é presente que se dê. O medo de estar sozinho ou de não achar alguém acaba fazendo com que você não consiga mais se lembrar do porque da separação (“ah, o que é uma traição, né? E eu nem precisava de todo aquele dinheiro…ainda que ela pudesse ter evitado a machadada nas minhas costas, isso foi exagero…mas ela prometeu não fazer mais…”) e acabe lembrando apenas dos pontos bons do relacionamento (“hummm…chocolate…”).

Eu sei que é estranho esse comportamento de paladino da coragem na vida pessoal, ainda mais vindo de mim, um cara que tem tanto medo de relacionamentos quanto o Indiana Jones tem de cobras (“Tem um grande relacionamento no seu avião, Jock!”), e eu realmente não sirvo pra flanelar a vida pessoal de ninguém (“isso,vai, deixa solto…agora desfaz, desfaz…isso…agora namora…boa, saiu perfeito. tem 5 real, patrão?”) mas acho que as vezes pode ser…não sei, divertido, abrir mão da segurança em prol de um pouco mais de aventura e de satisfação. Não só porque ficar sozinho é uma parte importante do processo de crescimento mas também porque acho que relacionamentos deveriam ser baseados em um pouco mais do que carência e medo de ficar sozinho(carência, medo de ficar sozinho e um gosto comum por jujubas já seria um bom começo, ao meu ver).

Ou seja,se você acabou de sair de um relacionamento que deu errado ou mesmo já saiu há um tempo atrás, muito provavelmente vai ser mais divertido, mais interessante, mais instigante ou mesmo mais produtivo em termos de aprendizado pessoal, buscar conhecer novas pessoas, novos lugares, tentar novos relacionamentos, do que se envolver de novo com a mesma pessoa, como se ela fosse a única disponível no mundo*.E se você não puder fazer isso por você, faça pelos seus amigos, que já estão de saco cheio de te escutar reclamando do mesmo cara ou comentando sobre os defeitos da mesma menina e merecem um pouco de novidade e emoção nos papos de bar. Tenha coragem, você pode, eu acredito em você e vou estar aqui torcendo.

*Se você morar numa ilha perdida em que existirem apenas você e uma pessoa do outro sexo eu retiro totalmente o meu comentário. Volte pra ela, ela te ama. E não transe com animais, se você for resgatado vai ser uma droga explicar isso.

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12 Comentários

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12 Respostas para “Problemas práticos do romantismo teórico – Digressão Especial

  1. Cara, esse texto é minha cara! Não que eu ande voltando com ex por aí, mas pela essência da coisa e tal.

    O que me identificou foi o fato da pessoa nunca mudar… Quando a gente tá namorando com essa pessoa, nós queremos o mesmo: que ela MUDE, cresça e amadureça… aí depois de desgastar tanto o namoro com isso, vc percebe q não tem mais jeito e termina de uma vez…
    Outro fato foi do medo que sentimos de ficar sozinho. É verdade. Porque conhecer uma nova pessoa e tentar impressionar, conquistar dá muito trabalho… a gente acaba lembrando daquele ex que te conhecia e aceitava vc do jeito que vc é…pq não aceitar ele do jeito q ele é também?

    Mas eu acho q devemos ter um tempo mesmo pra pensar sozinha e não tentar cometer os mesmos erros do passado. Porque os amigos não aguentam mais mesmo! Eu como amiga tenho que concordar, precisamos de novidades que não seja do seu ex! kkkkk

  2. Marília

    Acho que se você sentir falta do ex o ideal é esperar ao menos um ano pra ter certeza de que quer mesmo mexer com aquilo de novo.

  3. ThiagoFC

    Eu sempre fico feliz ao ver uma referência a O Poderoso Chefão.
    Outra coisa: esse texto merece um bônus de dificuldade pelo neologismo envolvendo a Regina Duarte! Excellent!

  4. Juninho

    Eu vi o Gordo por aqui? Anh?

    Eu não acredito em namoros que não deram certo e voltam, acho sempre que vai dar merda de novo…

  5. já está virando doutor em relacionamentos, hein. ri alto do “reginaduartezantes”.

  6. Sempre vi esse negócio de voltar como a música da dona aranha, que subiu a parede e a chuva derrubou, mas que subia de novo e a chuva continuava derrubando (ad infinitum).
    Por isso fico com a segunda opção também: conhecer gente “nova, bonita e em clima de paquera” (in ironium?).

  7. Camila

    Muito bom, sabe eu tenho uma vasta experiência vendo o modo de agir de ex-namorados de amigas… rs

    E eu posso dizer…
    Se ele sai no Ano Novo dizendo que só vai dar um “oi” pra mãe do melhor amigo que é como se fosse sua própria mãe e é rapidinho e volta bebado no outro dia dizendo que só bebeu uma taça de Champanhe ele não vai mudar…

    Se ele bebe todas e mais algumas e depois grita e canta na janela da sua tia a musica ” UMA VEZ MAIS do Ivo Pessoa ” ele não vi mudar…

    E por ultimo, mas não menos importante se ele dança a “DANÇA DO CRÉU ” em uma festa de familia na sua casa quando ele tem 22 anos ai sim, ele não vai mudar mesmo é serio…

    Qualquer semelhança com a minha vida é mera conhecidência…

  8. ‘e que já sabia que HA3 em DVD não é presente que se dê’

    não sei o que “HA3” significa mas adorei a piada.

  9. Muito legal esse texto =) Nunca tive essa tendência, e rezo pra que minhas amigas parem com essa nostalgia e me tragam novidades!

    Adorei o “hummm… chocolate…”, ri demais hahauhauhauah.

  10. Rum!, olha, nunca cortei a cabeça dos meus ursinhos no fundamental (nem agora rs ).Outra coisa Acho que relacinamentos, alem de medo de ficar sozinho e carencia.. Tem a questão do “preciso de alguem pra me emprestar uma grana caso fique desempregado” oks, isso n valeu muito mas oks.

    “*Se você morar numa ilha perdida em que existirem apenas você e uma pessoa do outro sexo eu retiro totalmente o meu comentário. Volte pra ela, ela te ama. E não transe com animais, se você for resgatado vai ser uma droga explicar isso.”

    Vai pra minha caixinha de “todas as perolas que ja ouvi na vida”.kkk.

  11. Paty

    Quando ele chega bêbado e vomita na sua cama ele vai mudar…de endereço!!!

  12. Paty

    Quando ele chega bêbado e vomita na sua cama ele vai mudar…de endereço!!!

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