Cenas pouco prováveis com finais um tanto quanto súbitos (#2 e #3 de 4)

#2 : Eu cheguei no escritório e encontrei a porta arrombada. Nenhuma luz acesa e o único ruído que eu conseguia identificar era do vento fazendo com que a janela batesse ritmadamente contra a parede. Ouvia ao fundo um barulho que eu pensava ser de folhas caindo, mas não conseguia ter certeza se era realmente isso ou eu ainda estava de ressaca. Saquei minha arma e me preparei para entrar. Naquela sala estava o cofre com os diamantes da condessa e se alguém ainda estivesse ali dentro não iria sair sem luta ou pelo menos uma farta distribuição de tiros. Tentei entrar silenciosamente pela porta entreaberta, caminhando da forma mais lenta que eu conseguisse. Passei pela porta e tentei fazer com quem meus olhos de acostumasse a escuridão, ainda segurando a arma em frente ao meu corpo. Nenhum som. Nenhum ruído. Nenhum movimento. Aproximei lentamente minha mão do interruptor e com um rápido movimento acendi a luz, o que apenas confirmou minhas duas suspeitas: a primeira de que quem quer que tivesse entrado ali já havia saído e de que eu nunca mais faria uma frase com tantos “que” seguidos. Tirei o sobretudo e me sentei, esticando os pés por cima da mesa e jogando meu chapéu em direção a uma arara abandonada no canto. O pássaro reclamou, como sempre. Decidi primeiro relaxar a tensão antes de conferir se o conteúdo do cofre ainda estava lá. Não seriam cinco minutos que me fariam reencontrar os diamantes, se eles realmente tivessem sumido. Tirei um cigarro do maço em cima da mesa e acendi um deles, porque acender todos ao mesmo tempo não faria sentido nenhum. Fumei tranquilamente por 30 segundos e caminhei em direção ao outro extremo da sala, para abrir o cofre. “16-22-8-12”. Mas antes que eu pudesse terminar de abrir a pequena porta metálica eu vi sair, detrás de um arbusto, Hebe Camargo segurando um sabre de luz vermelho. Ela veio saltando em minha direção e tudo que eu tive tempo de pensar antes de sentir o choque da lâmina laser trespassando meu peito foi desde quando eu tinha uma porra de um arbusto dentro do meu escritório.

#3: Você não sabe o que é estar no meu lugar. Você pode pensar que sabe, você pode achar que viveu algo parecido, você pode tentar imaginar como é, claro, mas você não sabe, não entende realmente. Meu amigo, você não faz idéia. Você não sabe como é a pressão, como é a sensação, como é passar por aquilo. Você não compreende a concentração, não imagina o que é prender a respiração com medo de errar. Você nem mesmo concebe o que é o peso de todas as esperanças, de todos os amigos que dependem de você, de todas as pessoas que estão esperando pela sua reação e que precisam daquilo. Você pode imaginar, mas você não sabe o que são os gritos, a dor, a expectativa, o fato de saber que em algum dado momento tudo vai se reduzir a você e um alvo e é dali que você vai sair, ou como herói ou como o grande fracassado. E tudo isso pra que? Apenas para, em um dado momento ouvir aquela voz dizendo “e com os pontos da prova final a equipe azul é a vencedora dessa semana do Curtindo uma Viagem!”

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7 Comentários

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7 Respostas para “Cenas pouco prováveis com finais um tanto quanto súbitos (#2 e #3 de 4)

  1. Não sei o que é mais antigo aí, o programa “curtindo uma viagem” ou Hebe Camargo!
    Ótimos textos!

  2. cara, eu ri demais do arbusto! como assim?? por que os monstros sempre saem de detrás dos arbustos? e que arbustos enormes são esses?

    heauehauhuheahau

  3. Sempre que você posta esse tipo de post fico imaginando você tendo que procurar e escolhar imagens do gênero “vergonha alheia”, o que se torna tão engraçado quanto o post em si.

  4. Confesso que tive que pedir a ajuda da Marina pra entender o post, mas ficou muito engraçado ahuahauahuahauhauh…

  5. hahahhaha
    muito bom. me fez rir.
    só não sei se o texto é mais engraçado que a foto. tá, é sim.. =)

  6. ThiagoFC

    O caso do Jorge Vercilo já acabou???

  7. Juninho

    Cara, você precisa de um médico. E outra coisa: quando você pensa em coisas como estas?

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