Sobre o livro do Zé

Eu nunca acreditei muito nisso de conhecer pessoas pela internet. Primeiro porque é uma coisa muito parcial, extremamente fragmentada e profundamente seletiva. Você vai ver da pessoa a foto que ela quiser mostrar, ler o que ela escreveu com tempo pra revisar e saber dela apenas o que ela quiser que você saiba (o que realmente me faz sempre achar que as pessoas que parecem assustadoramente malucas na internet são mais assustadoramente malucas ainda na vida real ou apenas assustadoramente mais sinceras do que a média). E segundo porque minha mãe sempre me disse pra não me encontrar com “gente que eu tivesse conhecido no computador”, o que elimina não só amigos virtuais como também o clipe gigante do Word e o Duke Nukem, mesmo ele sendo 3D. E não, não vamos poder ir ao cinema juntos, Princesa Cogumelo.

Ainda assim, principalmente por causa dos blogs (o meu e o de outras pessoas) eu acabei desenvolvendo laços de amizade com gente que eu sinceramente nunca vi antes e com quem muito provavelmente não devo topar tão cedo. Seja por causa do carinho que eu tenho pelos leitores disso aqui (eu levaria cada um de vocês ao cinema e pagaria a pipoca, sério. mas não, não seguraria na mão dos leitores homens nas cenas mais assustadoras. somos só amigos, cara) seja pelo respeito que eu tenho pelas pessoas da barrinha da direita cujos blogs eu sempre leio e cujos textos várias vezes me ajudam a não dormir no trabalho (e sério, eu acho que vocês deveriam atualizar seus blogs com mais freqüência, porque tenho passado vergonha em várias reuniões).

E uma dessas pessoas é o Zé, ou José Eduardo, um cara de Goiânia que eu nunca vi, mas que se tornou um dos meus escritores favoritos com o passar do tempo. Não apenas pela amizade que eu tenho pelo cara, que parece ser uma grande pessoa (ainda que ele possivelmente me ache meio fanfarrão demais e eu sinceramente tenha dificuldades pra aceitar um cara que não gosta de futebol), mas pela qualidade do que ele escreve. Seja pela dificuldade óbvia de escrever poesia ou prosa poética, coisa que ele faz muito bem (todo mundo acha fácil, mas escrever poesia é uma das coisas mais difíceis do mundo. 90% da poesia que eu leio me deixa a)preocupado com o autor; b) constrangido; c)chateado ou d) preocupado com o autor, constrangido e chateado) e depois pela sensibilidade pro texto, os temas e uma grande capacidade pra escolher a palavra certa, o tom certo pra cada situação. O Zé é o tipo do cara que deveria escrever mais e cujas cartas as ex-namoradas deveriam guardar muito bem, porque quando ele entrar pros livros de literatura vai dar pra tirar uma grana boa nisso.

Mas todo esse preâmbulo e essa puxação de saco foram (além de motivadas pelo fato de que eu adoro preâmbulos, claro) pra dizer que o Zé teve um livro publicado. E além de ter o livro publicado (meus grandes parabéns de novo, cara) ele ainda, num gesto que deve ter valido pra ele mil pontos em termos de karma e elevado o ki dele a ponto de poder soltar bolas de fogo pelas mãos, me enviou uma cópia, que eu estou lendo com toda a calma do mundo (eu leio rápido os livros ruins e tento ler devagar os livros bons. eu sei, não faz sentido nenhum, mas vocês já devem ter notado que isso é normal por aqui) e por enquanto tem sido uma das melhores leituras que eu fiz esse ano (e eu acho que vai continuar assim, a não ser que ele resolva usar as páginas finais pra contar histórias de acampamento). Ou seja, obrigado de novo.

Então se vocês ainda não conhecem o blog do Zé (que é esse) dêem uma lida. E se vocês tiverem que comprar algum livro de poesia esse ano e por alguma razão (que realmente me escapa, desculpem) resolverem ouvir a minha opinião sobre o assunto, dêem preferência pro livro desse cara. Ah, e se tudo isso que eu disse não te convenceu, saiba: ele tem uma banda. Todo mundo adora pessoas que tem uma banda.

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17 Comentários

Arquivado em Book Review, Milton Neves

17 Respostas para “Sobre o livro do Zé

  1. Juninho

    Parabéns ao Zé! O Jão de Goiânia…

    E, Jão, desisto de você, cara. Você sumiu e me deixou aqui, sem notícias e só com saudades (acho que isso ficou ligeiramente gay)…

    • João Baldi Jr.

      Cara, eu estava pensando numa réplica não gay pra essa sua frase, mas se eu disser coisas como “cara, também sinto saudades” ou “vamos conversar isso pelo orkut” só vai soar mais e mais gay, numa espiral crescente de homossexualismo que culminará com a palavra “miguxo” e uma tatuagem de “BFF”. Então, pô, cara, um abraço.

  2. moniquemoro

    Parabéns para o Zé, ou melhor, José Eduardo, já que não nos conhecemos nem pela internet.
    É uma conquista muito bacana conseguir publicar um livro. :)

    Ao contrário de você, eu acredito em amizades via internet, mas deve ser pq eu sou uma das pessoas mais crédulas já vistas na face da terra (e eu me orgulho disso). Taí, o Zé pra te provar que amizade é um negócio que independe de localização geográfica ( a internet só dá uma forcinha pra acontecer sob essas condições).

    Preâmbulo é uma palavra legal.

    Eu leria o Blog do Zé mesmo sem saber da banda, mas agora que vc falou fiquei curiosa: a banda dele toca o quê?

    ps: Fiz um blog que se explodirá em 5…4…3…
    passa lá quando eu realmente escrever algo que faça sentido, ou um parágrafo decente (espero que as coisas se intercalem, mas nunca se sabe).
    http://moniquemoro.wordpress.com
    (ps do ps: eu não sei batizar coisas então coloco meu nome, igual criança na 5ª série)

  3. Marília

    E tem outra coisa, atualmente o Zé tem sido conhecido como Leila Lopes.

  4. Josy

    Buenas tardes!

    Poesia é sempre uma boa pedida. Parabéns ao “Zé”, pela capacidade de poetizar e pela publicaçao. (Ele não gosta de futebol? rs)

    Eu tenho medo de pessoas que se conhecem pela internet, rs…

  5. ih, eu conheço o Zé! ha-ha-ha. e de fato, ele é um excelente escritor e uma ótima companhia. só é pena que agora ele já é um jornalista e eu nem vejo ele na faculdade mais. .-.

  6. Puxa, o Zé tem um banda? :p
    Eu vou ler o blog do Zé.

    Pô, João, então foi por isso que você sumiu?

    Cara, você tá errado.

  7. Eu também acompanho o blog do Zé e é verdade tudo isso que você falou!

    Eu só não sabia que ele tinha uma banda, o que é muito legal também!

  8. ThiagoFC

    Uma banda?! Cool!!

  9. você seguraria na mão dos leitores do sexo feminino?

    ehauehauuaaahahahu

  10. Fui ler o Ouvidos Mudos e achei muito legal, tão legal que acho que sou muito ignorante pra entender hauahuahuahuah. Mas senti coisas boas lendo, gostei, lindos textos.

    Parabéns pra ele pela publicação =)

    E eu acredito nisso de conhecer pessoas pela internet. Você perdeu a oportunidade de ir ao cinema com a Princesa Cogumelo! Ah, cara.

  11. Parabéns pelo livro, Zé! E pela banda. Adoro pessoas que tem uma banda. =)

  12. Mary Fátima L. Mendonça

    Ainda não li o livro do Zé, pois não o comprei. Mas vou comprar e ler com certeza. José Eduardo foi meu aluno na Universidade Federal de Goiás. Muito timidamente, um dia me pediu para eu ler alguns de seus escritos (chamo-os de contos). Com boa vontade e alegria, fiz a leitura e, como você, li devagar, pois estava gostando pra burro do texto do cara. Alguns pitacos no texto (coisa de professor de português que não tem o que fazer!), devolvi-os ao Zé e lhe disse (ele pode comprovar): cara, seu texto é muito bom. Você escreve muito bem. Publique. Escreva. Não pare de produzir. E assim foi: de repente, o convite do Zé pro lançamento do livro. Eu não fui. Preguiça de sair de casa. Medo de público. O Zé hoje é autor de livro. Parabéns meu jovem-ex-aluno-escritor, Zé Dudu.
    Um beijo
    Mary Fátima

  13. ana

    PARABÈNS… estou muito feliz, por ver a realizacão de um trabalho tão lindo.
    não esqueci que me disse que me enviaria o livro, com dedicatória e tudo rsr.

    Ana

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