Problemas práticos do romantismo teórico – VII

Um dos grandes problemas dos relacionamentos é o “pra sempre”. Afinal, toda relação “séria” começa com o intuito de continuar e nenhum namoro começa pra ser “um namoro”, todos começam pra ser “o namoro”. Sim, “o namoro”, aquele que irá acabar com todos os outros namoros, mais ou menos como a primeira guerra iria “acabar com todas as guerras”. E claro, isso não acontece. E não estou falando só do fato de que tivemos uma segunda guerra mundial, se vocês não notaram.

Imagine que você está naquela fase da maturidade do namoro. Vocês passaram pelas turbulências iniciais, sobreviveram ao árduo processo de conhecimento mútuo, passaram da crise dos três meses, a crise dos sete meses e a crise do mês randômico em que um dos dois pira e age como um maníaco mascarado, e estão naquele momento em que o relacionamento parece afinado o bastante para durar. Durar quanto? Durar pra sempre? Só que existe um problema grave com o “pra sempre”: pra sempre é muito tempo. Sério, pra sempre é além de sexta-feira que vem, pra sempre é depois do final do campeonato brasileiro, pra sempre é depois das bodas de ouro da sua avó, pra sempre é até mesmo depois que você terminar de pagar as prestações do Gol novo que você comprou. Pra sempre é tempo pra caramba, meu amigo.

Um relacionamento longo causa, necessariamente, uma responsabilidade maior, devido ao grau de importância que ele vai ganhando. Terminou com uma semana? “Ah, nada de mais.” Terminou com um mês? “Bem, é a vida.” Terminou com um ano? “Vou chamar os amigos e sair pra beber.” Terminou com dez anos? “Meu deus, o que eu fiz de errado! Não, não, não!”. É uma insana progressão de responsabilidade que segue a ordem cronológica do desenvolvimento da relação, afinal, quanto mais ele dura maior parece ser a tendência para durar. Mas as coisas não funcionam necessariamente assim no mundo real, já que como sempre exemplificam naqueles filmes sobre cassinos e coisas do tipo, as pessoas precisam saber parar quando estão ganhando. Só que quando você está ganhando a última coisa que te passa pela cabeça é parar. (Fora que seria complicado explicar pra sua namorada que você trata sua vida pessoal como um jogo de roleta. Ainda mais se ela preferir truco)

Relacionamentos longos geram mais responsabilidade, mais vínculos, mais hábitos, mais vícios. A recuperação é mais complicada, a divisão de qual DVD é de quem é um pouco mais confusa, você não sabe o que fazer com os presentes e ela prometeu fritar seu peixe de estimação se você não tirar o maldito da casa dela. Além disso, quando você termina um namoro de 5 anos se sente como o Capitão América depois de ser reencontrado pelos Vingadores dentro de um bloco de gelo, esquecido desde a Segunda Guerra Mundial: o mundo está diferente, as pessoas mudaram, seus pais estão mais velhos, os dias parecem mais longos e, meu deus, tem um presidente negro na Casa Branca! O resumo da situação então seria: relacionamentos longos são complexos e arriscados, pois oferecem um grande retorno mas também pedem um nível maior de dedicação, já que existe a expectativa de que aquele seja “o” relacionamento. Mas a tendência de todo relacionamento curto que “funciona” é se tornar um relacionamento longo, certo? Que tipo de conclusão podemos tirar disso? Bem, acho que nenhuma, mas ninguém disse que todo exercício de psicologia teórica precisa necessariamente levar a alguma conclusão, certo?  Fora que quase nenhum post por aqui leva a nenhum tipo de conclusão, não sei se vocês repararam…

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15 Comentários

Arquivado em romantismo desperdiçado, Vida Pessoal

15 Respostas para “Problemas práticos do romantismo teórico – VII

  1. Nadine

    Puxa vida, isso é foda! sem contar que quanto mais tempo você namora, menos coragem você tem pra terminar e mais tempo você fica com a pessoa achando que é muito tempo pra se “jogar fora”…

  2. Saudades de um namoro longoooo…mas não encontro O namorado pra isso hauhauha
    Mas é até melhor, pois não dura pra sempre mesmo…

  3. Vou parar de ler seu blog… rs

  4. acho que ninguém que lê blogs procura conclusões. bom, não eu. e, de fato, pra sempre é tempo demais.

  5. Impressão minha ou, no finalzinho do texto, você disse do seu blog o mesmo anteriormente afirmado sobre as músicas do Counting Crows? (sobre não fazer muito sentido… Ah, e eu acho “Mr. Jones” um saco!)

  6. Você deveria escrever uma edição de Relationships for Dummies. Esse post me lembrou da separação do Marshall e da Lily…

    P.S.: linkei o Just Wrapped in Books nos favoritos do meu novo blog. Pode?

  7. Homenageando sua mãe, caro bloggueiro…
    Como diria o Oswaldo Montenegro: sempre não é todo dia!
    Se liga na dica!

  8. Eu nunca tive um namoro longo. Eu até queria um, mas ler esse post me fez pensar melhor ahuahauhauhauahuahauh.

  9. Pra sempre é tenso, afinal a vida pode acabar no proximo minuto.
    Irrito-me com casais que ficam prometendo o pra sempre se nem a vida o é.
    Já caí nessa, mas jamais.
    Durando ou não, é um pagina da vida e essa prossegue, em direçao ao fim, sempre, e essa será sempre a última das minhas preocupações.

  10. ana tereza otoni cardoso da silva

    prefiro cachorros, amigos e cerveja pra sempre!

  11. Juninho

    Puxa vida, isso é foda! sem contar que quanto mais tempo você namora, menos coragem você tem pra terminar e mais tempo você fica com a pessoa achando que é muito tempo pra se “jogar fora”… [2]

    Quanto mais longo, mais complicado e mais insano. Pode perceber!

  12. Elisa

    Acho que não concordo. Tenho a impressão de que as pessoas sofrem mais com o término de namoros curtos. Justamente porque não chegaram a ter a fase relaz da relação.

    Terminar um namoro longo não deixa dúvidas. Acaba porque já passou da hora de acabar.

    Eu tive um namoro de três anos na minha adolescência. Um dia a gente brigou durante um show, cada um foi pra sua casa e paramos de nos falar. Paramos mesmo. Ninguem ligou, ninguém mandou carta, ninguem falou para o amigo ir lá “verificar” como estava a situação.

    Três meses depois o sujeito me liga:

    – E aí?
    – E aí o que?
    – E a gente?
    – Acabou, né?
    – É?
    – É.
    – Quer conversar?
    – Conversar o que?
    – …

    Fim.

  13. Belo blog sobre psicologia!

    Frequentarei aqui mais vezes!

    Esse post realmente tem a ver com o que eu procuro sobre psicologia!

    se quiser que eu publique algo de sua autoria, é só falar que eu coloco no meu blog com sua identificação e endereço do blog!

    da uma olhada no http://psicologiaparatodos.16mb.com

    abraços!

  14. Paty

    Pra sempre é um dia de cada vez. Eu terminei um relacionamento de 10 anos, que parecia ser pra sempre. Talvez será um dia. Que seja pra sempre enquanto dure…
    O mundo lá fora ta sinistro, to na época errada. Gosto de namorar, essa coisa de ficar to fora, gosto de parceria, sexo com amor…

  15. O melhor post q ja li nesse blog.
    genial! magnifico!

    só (=

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