Da arte de disfarçar sua euforia e preocupação durante eventos, telefonemas e encontros fortuitos (ou não)

Brick-3

“Alô, Celso, aqui é a Fabiana, tudo bem?”

(ela me ligou, ela me ligou, ela me ligou! uhu! ela me ligou, ela me ligou, ela me ligou! caralho, ela me ligou! porra, ela me ligou!”)

“Ah, oi. Tudo bem?”

“Tudo…você tá lembrado de mim, né?”

(claro que tô lembrado de você. na verdade eu não paro de pensar em você há uma semana e tenho rabiscado seu nome em bloquinhos no escritório e acho que balbuciado ele enquanto durmo. ah, e eu tentei te compor uma música e ficou uma bosta, mas não quero pensar nisso. eu lembro, putz, eu lembro. como eu ia te esquecer?)

“Tô sim, claro”

“Então…sexta-feira foi legal, não foi?”

(legal? foi ótimo. foi sensacional. foi espetacular. foi mágico.eu cheguei em casa andando a uns 10 centímetros do chão e acho que não me sinto tão bem assim desde, sei lá…não me lembro de já ter me sentido bem assim. foi espetacular, sério)

“Sim, foi legal sim, claro. Gostei de ter saído contigo”

“Então…eu tava pensando…eu vou estar de bobeira amanhã…quer ir ver um filme?”

(sim, sim! claro que quero, qualquer filme, qualquer um. tipo, se você quiser ver acquária, a versão nova de psicose, as branquelas, qualquer coisa, eu vou estar lá. sim, claro, eu estou totalmente disponível, apenas me diga onde eu preciso estar. você pode até escolher minha roupa se quiser, sério.)

“Puxa…eu estou meio enrolado com trabalho essa semana…mas se for depois das sete eu acho que posso dar um jeito”

“Ah, tudo bem, depois das sete. Tá passando o novo do Polanski aqui no meu bairro, pode ser aqui?”

(tá ótimo no seu bairro. tudo bem. excelente. na verdade eu iria mesmo se você quisesse ir na premiére na polônia, sei lá. polanski é polonês? eu sempre fiz essa associação mas não acho que faça sentido nenhum…mas sim, eu vou, pra qualquer lugar)

“Então fica combinado assim…”

“Ok. E não fura, tá?”

(eu jamais furaria nem em um milhão de anos porque tudo em que eu consigo pensar atualmente é no quanto eu quero estar perto de você. acho que estou apaixonado e coisas assim. me sinto bobo. minhas mãos estão tremendo? é, elas estão tremendo…cara, eu me sinto muito bobo…)

“Pode deixar, não vou furar não”

“Então a gente se vê lá.”

(caralho, a gente vai sair de novo. aeeeeeeeeeeeeeeeeeee! uhu! issa! vamos sair de novo, vamos sair de novo, caralho, vamos sair de novo!)

“Beijo, Fabiana…”

“Beijo, Celso…e esse barulho é você…pulando…?”

(idiota, idiota, idiota, idiota…caralho…)

“Pulando? Hahaha. Não, que isso…É o sinal aqui que é ruim…humm…até amanhã então!”

“Até, beijo”

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19 Comentários

Arquivado em contos, romantismo desperdiçado

19 Respostas para “Da arte de disfarçar sua euforia e preocupação durante eventos, telefonemas e encontros fortuitos (ou não)

  1. Acho que o Polanski não é polonês… E será que eu sou a única pessoa no mundo a não ter achado graça nenhuma em Encontros e Desencontros? Bill Murray roots é em Caça-fantasmas! Who you’re gonna call?

    • João Baldi Jr.

      Cara, Bill Murray pra mim é garantia de vitória. Seja em Caça Fantasmas (um clássico, um clássico), em Encontros e Desencontros (sério que você não gostou desse filme?) ou até mesmo em Zumbilândia (já viu esse? Bill Murray fazendo papel de Bill Murray é brilhante).

      • moniquemoro

        Thiago, eu amo Lost in translation. É um dos meus filmes favoritos (aliás eu sou completamente parcial a respeito da sofia coppola, gosto de tudo. principalmente das trilhas sonoras!). mas entendo você não ter gostado, uns 80% das pessoas não gostaram tanto assim…

        Bill Murray pra mim é garantia de vitória. [2]

        “for relaxing times make it suntory time”

  2. Ju Seelinger

    Coisinha fofa da mamãe! [insira aqui um aperto de bochechas]

  3. moniquemoro

    No meu reader eu recebi outro texto, sobre a temporada no rio e outras coisinhas.
    (ele foi programado mais pra frente ou apagado?)

    “polanski é polonês” = hahahahaha!!

    esse foi um texto muito fofo. :)

    • João Baldi Jr.

      Ele foi editado e substituído por outro…eu ia dar umas férias pro blog mas desisti…A versão editada deve ser o próximo post, eu acho.

  4. HHHAHAHAHAHAHAHAH eu ja fiz muito isso. mas na parte da pessoa que ta pulando LOOGICO.

    e sobre o assunto aqui nos comentarios, sou do time do thiago.
    achei encontros e desencontros “bonitinho”. nada que mudasse minha vida.
    assim como brilho eterno de uma mente sem lembranças. sério, vi uma vez e SÓ. que preguiça desse filme.
    encontros e desencontros tem ate mais merito por algumas cenas, pelo gioanni ribisi e pelo japão. =D

  5. Marília N

    Não pode esquecer que Bill Murray também fez uma ponta fantástica em Agente 86.

  6. Adorei o post! Ainda bem que as pessoas não podem ler nossos pensamentos, caso contrário eu não teria certeza se haveria um segundo encontro! hauhuahuhua

  7. Pingback: Tweets that mention Da arte de disfarçar sua euforia e preocupação durante eventos, telefonemas e encontros fortuitos (ou não) « Wrapped Up in Books -- Topsy.com

  8. ana

    putzzz… tb já fiz isso muito. é horrível não ter um replay para vermos nossa reação. assim, ao vivo, por telefone a gente acha que tá garantido, ao menos…

    esse texto ficou com um ritmo muito bom, joão. eu lia ele pensando naqueles quadros em que a denise fraga as vezes fazia, sabe? po, se vc nao curte a denise fraga nem os quadros que ela fazia, peço perdão, mas achei mesmo que seria um texto bacana pra filmar. hahaha.

    beijocas

  9. Juninho

    De Bill Murray à Denise Fraga…

    Seu blog tá voando, cara!

  10. “De Bill Murray à Denise Fraga… Seu blog tá voando, cara!”
    hahahaha.

    As pessoas fazem isso o tempo todo.
    É patético e necessário.

    O texto ficou bom mesmo. Eu também imaginei um curta e tal..

    Bjs

  11. Não assisti Encontros e Desencontros por causa daquela moça…
    João, você é o gênio dos diálogos.

  12. Rodrigo!

    Coisinha fofa da mamãe! [insira aqui um aperto de bochechas] ²

    Não, eu não sou “mamãe”. No máximo, posso ser “papai”, mas nao creio que um “papai” fosse dizer “Coisinha fofa do papai!” e insirir um aperto de bochechas. Mas você entendeu, né? Eu achei fofo. E guti-guti. E sim, já fiz coisas similares – se bem que tenho certeza que devo ter soado muito menos “blasé” que você ao telefone =/ De repente, foi por isso que nao deu tããão certo…

    Caso a se pesquisar…

  13. bia

    mas e ai, isso aconteceu mesmo e tu só mudou os nomes dos personagens/do teu personagem? teria sido engraçado :)

  14. Elisa

    Uai! Polanski não é polonês? Peraí. Wikipédia.

    Olha só… Não é mesmo. É francês!!! Bizarro.

    Mas ele iniciou a carreira na Polônia, então o nosso erro é perdoável. Afinal, depois de Bollywood e Hollywood, a indústria cinematográfica polonesa é a maior do mundo. A associação é mais do que natural.

    Eu nunca tive o dom de disfarçar emoção. Hoje em dia, eu nem sei. Estou namorando há tanto tempo que não lembro como é início de namoro. Sei que eu ligava pra casa dele e desligava quando ele atendia porque eu não tinha nada para falar. Aí eu gravava um mix cd com uma carta falando “…aí eu liguei pra sua casa nos dias tais, você atendeu e eu desliguei porque não tinha nada pra falar.”

  15. Leonardo Almeida

    Ei! Belo blog… achei ele nessa madrugada no trabalho, e gostei msm.

    Com relação ao texto, poucas vezes eu passei por isso, mas ficou perfeito!

    E com relação a Encontros e desencontros… tá no meu top 5 dos filmes da minha coleção, Bill Murray merece.

    Um abraço!

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