Novas aventuras em lo-fi #3

Eu não curto muito hip-hop americano*. Nada pessoal, nada contra, apenas não rola aquela identificação conceitual (eles são grandes, eles falam sobre prostitutas e brigas de gangues e, no caso do Eminem, querem matar a própria mãe, ou seja, realmente não faz sentido pra mim) e muito menos aquela compreensão da letra (se eu não agüento um amigo meu falando durante 5 minutos sobre como é mau, fodão e transa com todo mundo, porque eu agüentaria um desconhecido, certo?), o que faz com que o hip-hop seja possivelmente um dos ritmos pelos quais eu demonstre menos interesse (ainda que eu ache o Snoopy Dogg engraçado e sempre tente me manter atualizado quanto ao nome atual do P. Diddy e coisas do tipo)

Por isso quando eu domingo passado na sala, meio gripado, despenteado e abraçado a um edredon como se fosse o Linus em Peanuts, apenas a inércia me fez manter a TV no Multishow durante uma daquelas intermináveis e dolorosas sessões de clipes que eles têm, que deveriam servir pra mostrar o que faz sucesso hoje em dia mas na maior parte do tempo só servem pra nos lembrar de que sim, o mundo merece acabar numa imensa bola incandescente e isso vai acontecer ao som de Jonas Brothers e Cine.

E lá estava ele, Akon, um ícone do hip-hop pop americano feito por pessoas  meio magrelas (ou, como eu gosto de pensar, o único rapper com quem eu teria coragem de brigar num bar), num clipe chamado “Sexy Bitch” e com um cara que eu nunca vi antes chamado David Guetta. E bem…o clipe era meio fora do perfil que eu espero do hip-hop, possivelmente por ser um clipe mais pop (cadê as armas? os carros? os carros com armas?só 47 quilos de ouro no vídeo?), e tinha aquele clima de bromance entre o Akon e o Guetta (eles se abraçam, eles sorriem, eles pulam juntos na piscina mas não, eles não se beijam, obrigado), mas nada demais. Fora, é claro, a letra.

A música, como 90% das letras de música hip-hop/pop/farofa é sobre uma gostosa. E assim, ela é muito gostosa, teoricamente. Tipo, absurdamente gostosa. Sendo zero “nada gostosa” e 10 “muito gostosa” ela seria, em tese, um 17, e subindo. E o Akon, rapaz educadão e boa praça toda vida que é, diz que está tentando achar as palavras que possam descrever essa garota muito gostosa (mesmo) sem soar desrespeitoso. Porque, como eu disse, ele é educadão e boa praça. E aí ele se sai com “damn, you’re a sexy bitch”. É…Sim, meus amigos, ele precisa de tempo pra pensar, refletir, escolher as palavras, e o mais respeitoso que ele consegue ser é “maldição, você é uma vadia gostosa!”.

Porra, Akon, sério. Isso é o seu melhor? Vadia gostosa? Caramba…

*Não, isso não quer dizer que eu goste de hip-hop nacional. Apenas queria ser específico.

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19 Comentários

Arquivado em Desocupações, Músicas e derivados, Music Review

19 Respostas para “Novas aventuras em lo-fi #3

  1. Você não é do tipo que vai à boate, não é? Não gosta de dançar, inclusive. Acertei?
    O que te entregou foi não saber quem é David Guetta, que está para as pickups noturnas dançantes, assim como Michael Jackson está para as criancinhas com menos de 15 anos (ok, não foi uma boa comparação, mas está valendo a ideia de que uma coisa sem a outra não rola).
    Tente frequentar mais a academia, lá deve tocar “Love Is Gone” nas aulas de musculação ou spinnig. Claro, isso se você frequentar uma boa academia.

    • João Baldi Jr.

      Eu vou à boates e eu malho, mas eu desenvolvi com o tempo dois sistemas de proteção:

      a) Em boates sempre beber o bastante para não prestar atenção na música;
      b) Na academia, como não posso beber porque iria ficar preso nos aparelhos ou ficar apenas rodando na catraca da entrada por tempo indeterminado, eu levo meu Ipod e não fico refém do espetacular DJ que monta a trilha sonora de lá (ainda que como onde eu malho tem só idosos, eu acho que deveria rolar um Frank Sinatra, um Tony Bennet, não sei)

  2. bom, eu tenho medo até do Akon. sei lá, esse negócio de tamanho nunca foi documento. ainda mais depois que inventaram uma coisa conhecida como revólver. hohoho

    (academia com Frank Sinatra seria, realmente, muito estimulante. hahaha)

  3. Esse Akon me dá azia. Sinto vontade de injetar sal grosso na minha jugular toda vez que começa a passar Sexy Bitch no bar que eu gosto. Aquela voz nasalada.
    Acho que acabei de ver o Wolowitz ou o Koothrapalli falar bromance.
    Eu curto o Eminem, sou meio fangirl dele, tenho que admitir.

  4. Josy

    Eu nunca ouvi Akon, nunca ouvi o tal de David Guetta e bem, nunca ouvi Jonas Brothers. Arrisco dizer que nem a inércia me faria parar nos clipes do Multishow, então acho que este seria o comentário menos útil que poderia aparecer por aqui…

  5. devo me sentir abençoada por nao entender bulhufas?
    eu nao curto hip hop por um único motivo bem plausivel: eu gosto de FIRULAS nos vocais. gosto de coisa gritada, afinada, um OOOOOHH YEEAAAAHHH estilo jon bon jovi de ser.
    rapper nao faz isso. ele fala. declama a musica – talvez o fato de eu gostar de CAKE seja uma exceção.
    alias, acho que o mais proximo de hip hop que eu chegue é CAKE mesmo?
    algo para se pensar.

  6. Fran

    Acho que todo mundo aqui entendeu que ela era muito gostosa.

  7. E como eu leio imaginando vozes, nesse post imaginei vc falando iguais esses caras rappers aí, com sotaque e movendo as mãos de vez quando.

  8. Se foi ironia do Akon, foi péssima… hauahuahuahauha.

  9. Flávia G.

    Nhá!!! Essa é uma baladinha boa pra dançar, principalmente quando não se sabe dançar! Tá eu admito. Eu gosto da música sim.. e me deixem ser feliz!

    A propósito, eu já tinha refletido sobre o disparate “trying to describe without desrespect/sexy bitch”. Mas a minha tese é a de que ele simplesmente desiste de ser respeitoso.. diz “I can take no more” eu canto hip hop mesmo sua “sexy bitch”!

    Fazer oq, ao menos ele tentou…

  10. Flávia G.

    Opa! Na verdade ele diz “I can’t take no more”.

  11. Eu não sou fã de hip-hop e rap, mas até respeito os caras que fazem como eram originalmente: protesto político e crítica social. Ainda existem no Brasil gente que faz isso.
    Mas o hip-hop norte-americano virou uma babaquice de autoafirmação, caras dizendo o quão bonzão são e xingando quem os ouve, e ainda assim aparece público para idolatrar esses manés. Praticamente uma religião.

  12. Marília N.

    David Guetta me lembra o quanto algumas pessoas ficaram surpresas por eu nunca ter ouvido falar do sujeito. A sessão de clipes do Multishow realmente é uma prova cabal de que a humanidade não está mais dando certo.

  13. Elisa

    E daí hoje eu estava no carro e colocamos no rádio. Aí começa a tocar uma música em português. Não sei se era axé. Tinha voz de cantora de axé, só que mais baladinha romântica. E, do nada, no meio da música, entra um rapper cantando em inglês!

    É o fim dos tempos. Já chega que aqui em Uberlândia eu preciso escutar sertanejo 94% do meu dia, inclusive quando estou dormindo (é impossível fugir. Os carros de som estão em todas as partes), e ainda começa a modinha dos rappers.

    Me salva desse mundo!

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