Dr. Strangecall ou Como aprendi a parar de me preocupar e amar a TIM

Faz um certo tempo eu decidi que ia comprar um smartphone. Primeiro porque o meu celular (um Sony Erisson W302) estava tomando algumas atitudes estranhas como recusar ligações sem que eu pedisse, mandar mensagens pro destinatário errado ou apenas ligar e desligar sozinho, o que, ainda que pra alguns possa parecer um sinal de maturidade do aparelho (“olha que bonitinho, ele toma decisões sozinho!”) pra mim era um pouco inconveniente e eu precisava de um novo. E depois porque…bem, não vou mentir dizendo que eu preciso de um smartphone pro trabalho (Eike Batista > eu) ou que eu realmente saberia utilizar todo o potencial de um aparelho como um Iphone (“olha esse programinha que faz o telefone virar um isqueiro virtual, que maneiro!”) porque na verdade eu apenas queria acessar o twitter no trabalho e acompanhar jogos de futebol pela internet enquanto estivesse no metrô ou no ônibus. Mas então, eu decidi que ia comprar um smarphone, foi isso.

Como sou cliente da Tim, decidi primeiro passar em uma das lojas deles pra ver como eu poderia negociar a compra de um novo aparelho e a mudança pra um plano que incluísse voz e dados. Chegando lá fui informado que pra que eu recebesse algum desconto na compra do aparelho eu deveria entrar em contato com o serviço de atendimento por telefone, porque lá eles poderiam analisar meu cadastro e ver o que poderiam fazer por mim. Ok, tudo bem, telefonei. Depois das clássicas sete tentativas, pelo telefone me informaram que eles só tinham um modelo de smartphone pra oferecer, sem desconto, mas que poderia ser parcelado na minha fatura. E que esse modelo era um Motorola dos antigos, o chamado “not-all-that-smartphone-but-we-like-it-anyway”, cujo preço de venda parcelado sairia cerca de 50 reais mais caro do que o preço dele no Submarino (que ainda parcela em mais vezes). A atendente finalizou a ligação dizendo que na loja Tim eu poderia encontrar mais opções e tentar negociar um desconto maior.

Chegando na loja (a mesma da outra vez) eu fui até o balcão da senha e disse que queria negociar desconto num aparelho novo. A senhora da senha me disse que apenas pelo telefone. Eu disse que pelo telefone haviam me dito que era possível resolver na loja. Ela disse que não. Eu disse que sim. Ela disse que eu estava mentindo. Eu disse que não estava. Ela disse que sim, eu estava, porque a política da empresa não deixa que se negocie aparelho lá. Eu disse que então a garota do telefone estava mentindo, mas eu não. Ela disse que alguém estava mentindo ali. As 7 pessoas que já esperavam na fila disseram que não se importavam com nada disso, só queriam sair dali e estavam dispostas a matar pra isso. Peguei uma senha de atendimento geral e fui esperar.

No atendimento geral a garota me repetiu tudo aquilo: a Tim não vendia aparelhos com desconto nas lojas (porque evidentemente é bem mais divertido fazer isso pelo telefone, onde o cliente não pode ver o aparelho e muito menos levá-lo pra casa) e o que eu poderia fazer é comprar um aparelho pelo mesmo preço que um novo cliente compraria, sem nenhum tipo de vantagem, e depois trocar meu plano (pelo telefone, claro). Então eu, que já estava um pouco chateado, perguntei como eu faria pra cancelar. Ela me informou que apenas pelo telefone (aí sim, fomos surpreendidos novamente). Eu pedi que ela verificasse se existia no meu plano alguma fidelização, porque ainda que eu tivesse certeza que não, é sempre bom confirmar. E ela me disse que sim, eu estava fidelizado. Até o final de 2011. Porque eles já tinham. Me dado. Um. Aparelho. Mais. Exatamente. Um. Smartphone.

Eu olhei pra ela e disse que não, eu nunca tinha pego nenhum telefone com eles. Ela me disse que sim, eu tinha pego. Porque constava no sistema. Eu disse que aquilo não fazia sentido. Primeiro porque eu nunca tinha visto aquele telefone e depois porque ela mesma tinha dito que a Tim não dá aparelhos. Ela disse que eu teria que corrigir isso. Eu perguntei como eu poderia fazer. Ela disse que só pelo telefone. Ao fundo eu pude ouvir Deus rindo enquanto atacava Vladivostok com seis exércitos e inventava uma girafa azul que teria sete perninhas bem pequenas.

E então eu decidi que eu não preciso de um smartphone. Sério, eu não preciso. O Twitter não é tão importante. O futebol não é tão importante. Ligações não são tão importantes. Mensagens não são tão importantes. Na verdade falar com as pessoas é algo muito superestimado. Voltarei a escrever cartas. Talvez eu compre um pombo-correio. Talvez eu me mude pra uma caverna. Deixe meu cabelo crescer, não faça mais a barba, compre um cajado. Garotas gostam de caras com cajados, certo? O problema não são vocês, sou eu. E eu só posso agradecer ao pessoal da Tim por ter permitido que eu tivesse essa epifania e alcançasse esse grau de iluminação espiritual. Obrigado, pessoal. Vocês são ótimos.

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23 Comentários

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23 Respostas para “Dr. Strangecall ou Como aprendi a parar de me preocupar e amar a TIM

  1. Situações como essa é que me fazem estar convicto do meu ódio por aparelhos de telefone, por empresas de telefonia e por atendimento via telefone. Por situações como essas, e por outras (algumas delas ainda sequer imaginadas pela humanidade)

  2. Companhias de telefonia celular conseguem despertar o que há de pior no ser humano, eu não entendo como não fizeram um remake de Um dia de fúria baseado numa situação dessas. Faz todo o sentido.

  3. Powww não falem mal de empresas de Telecom… Ainda mais da TIM, afinal de contas, é ela que paga o meu salário hehehehe

    • João Baldi Jr.

      Pô, eu tive meu salário pago pela Embratel durante uns 10 meses, também tenho esse laço sentimental, mas tem horas em que é brabo…
      (fora que eles me devem uma alma nova, já que o tanto que tive que mentir quando trabalhava com telemarketing deve me garantir a danação eterna ou coisas do tipo)

  4. eu me desapeguei da tim com a ajuda de um ladrao.
    que entrou no escritorio que eu trabalhava enquanto estavamos fazendo gordices na cozinha (no comodo do lado) e saiu pegando carteiras e celulares das bolsas que ficavam em cima das mesas onde a gente trabalhava.

    eu tinha dois celulares, um do trabalho (tim, aqueles bem antigos, de toques MONOFONICOS) e um pessoal (claro, mais moderninho). resolvi comprar outro primeiro porque no plano controle da claro, o celular e gratis, segundo porque nao tava feliz com o povo me ligando domingo de manha so porque a internet deles ficava caindo (OI NAO SOU TECNICA? SO VENDI ESSA PORRA QUE NAO PRESTA PRA VOCE PORQUE GANHO COMISSAO E TENHO QUE MENTIR DIZENDO QUE E OTIMO?)

    dai roubaram meus dois celulares, liguei e bloqueei o chip e segurei o numero. MAS NE, teria que comprar outro aparelho.
    comprei um bem fodao (usado hoh) e fiquei so com o da claro.

    e assim vivo bem, ate hoje :)

  5. Eu acho essas coisas da Tim umas [desenterrando] putas faltas de sacanagem. [/desenterrando].

  6. Flávia G.

    Processo neles, sempre. É o que tenho a dizer.

  7. Marina

    Meu pai já teve um problema parecido com a Claro, ele comprou um smartphone que diziam ter GPS, depois de várias tentativas ele descobriu que pra ativar o GPS, ele tinha que comprar um programinha pela internet. Ele ficou P da vida, ligou pra lá, mandou e-mail, foi na loja, fez a maior confusão… depois de várias tentativas, a loja resolveu trocar (mais uma certa quantia) o aparelho por um iphone que diziam ter também GPS, papai que já tinha ensaiado em subir na mesa da praça de alimentação do shopping e gritar dizendo pra ninguém comprar naquela loja e que quando os seguranças os pegassem, ele iria dizer “me soltem, eu sou um cidadão e tenho meus direitos”, resolveu não fazer nenhum escândalo e aceitou o aparelho, que realmente tinha GPS, por uns alguns meses, até chegar uma mensagem dizendo que ele tinha que atualizar comprando a versão mais nova do GPS pra continuar funcionando… agora eu acho que meu pai vai realmente fazer o escândalo na praça de alimentação…

  8. Mais um texto pra história.

    E viva o Infinity a R$ 0,25 e todo o pacote que vem com ele.

    • Relativizador

      Penso em abandonar o celular por um bom tempo. Tem telefone na minha mesa de trabalho e tem telefone na minha casa. Então, o celular só serviria para entrar em contato com as pessoas quando eu estivesse almoçando (o que é incômodo). Indo e voltando do trabalho eu não consigo falar ao celular porque eu vou de metrô. E, no metrô do RJ, ninguém consegue se mover nos vagões, quanto mais atender um celular. Pra que eu preciso dessa merda, afinal?

  9. J.

    I <3 Procon

    Já estou há quase uma década fora do Brasil, mas sempre que eu faço uma viagem mais longa pela terrinha, eu compro um sim card. Minha viagem começa na operadora e termina no Procon. E eles sempre resolveram meus problemas <3

  10. Uma visita no Procon, tu consegues o cancelamento ou um celular com desconto deles ( Temem o Procon ) e um sorriso ironico. rs

  11. Rodrigo!

    Bem, eu devo ser louco, por que mudei da Vivo para a Tim (oooooh!) e estou relativamente feliz com isso. Mas JAMAIS pensei em comprar um aparelho deles: eu prefiro comprar um singue-lingue desbloqueado que tem TV, Modem, assobia, chupa cana, faz seu café e ainda é parecido com um iPhone…

    Mas é mentira. Nunca comprei um desses – mas comprei um V3 da China que já veio com defeito no auto falante de cima, serve? óò

  12. “Deus é meu ator favorito” ( Homer Simpsom)
    ja tentou comprar o aparelho pelo mercado livre?

  13. sheila

    caralho. por isso que meus celulares só recebm, ligam, mandam SMS e têm um belo despertador pra me acordar toda manhã.

    ah, e a história da marina é quase tão boa quanto a sua. sério, ainda bem que li os comentários hahaha

  14. érica l.

    hahahaha, muito bom! falar com pessoas é mesmo coisa do passado, a onda agora é, é ficar calado! fique com seu celular adolescente, cheio das rebeldias e talz!

  15. Giu

    A questão é que não interessa se vc é cliente há 25 anos – só cliente novo ganha coisas. Eu era da TIM há quase 5 e não consegui trocar de celular pq “eles não estavam fazendo refidelização [sic] no momento”. Aí saí da loja, entrei na da Claro ao lado e ganhei um smart pra mim, um celular normal pra minha mãe, pacote de internet etc, tudo por menos do que pagávamos pelas duas linhas na TIM antes. Mas alguém que era da Claro e fez o caminho inverso já comentou que aconteceu o mesmo (Claro sacaneou e a TIM foi amiuga). Logo, há de se concluir que o segredo é mudar de operadora de 2 em 2 anos. Beijonãomeliga no meu smartphone.
    (Aliás, esse negócio de smart é overrated. Meu celular é muito mais esperto do que eu. Não precisava de 2/3 das coisas que ele faz! haha)

  16. Nossa, ler esse texto me deu agonia… que serviço escroto!

  17. Lapso

    Compartilho do mesmo sentimento q o seu …..ja passei por grandes emoções durante longos minutos perdido pelos labirintos do atendimento eletronico.

    Pra agradecer este serviço tão bem oferecido por eles, poderiamos organizar na central da na Tim um Flash Mob do filme Apocalipse Now! ou do Salve Geral!.
    Mas tem que ser bem realista

    Acho q eles ião gostar.

  18. Elisa

    João! Estou extremamente frustrada por você!

    O que aconteceu depois? Você conseguiu provar que não recebeu o smartphone? Ou deixou por isso mesmo?

    Detesto ser mal atendida!

    Que vontade de ligar pra TIM e xingar por você. Qual o número do protocolo da ligação? Que infeeeeeeeeeerno!

  19. Sara

    Eu era cliente TIM, até que optei pelo cancelamento, afinal EU QUERIA UM SMARTPHONE. Fui na Claro e disse que era cliente TIM, na hora eles me deram um aparelho, na faixa, e um plano bem melhor do que o meu antigo..

    Isso faz 3 meses, até hoje a TIM me manda fatura pra pagar, alegando atraso no sistema. Estamos em Agosto e eu acabei de receber a de Maio.

    Moral da história? Por mais prazeroso que seja um Smartphone (e é, acredite, o meu só não cozinha o frango porque eu ainda não achei o aplicativo certo), não vale a pena se estressar com esses funcionários acusadores dessa empresa, TIM – desconforto sem fronteiras!

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