Top 5 – Coisas que demonstram que estamos crescendo

Trabalho: Primeiro o fato de que trabalhamos. Crianças não trabalham (teoricamente), adolescentes não trabalham (exceto nos EUA, onde com 16 anos você dirige, trabalha e conhece a mulher da sua vida após evitar que o mundo seja dominado por robôs de outro planeta) e se você está trabalhando, então você é, por pura eliminação, adulto (tudo isso na teoria, claro). Fora que ao contrário da adolescência e da infância, em que não trabalhar é um bom sinal (quer dizer que você não precisa e que seus pais não são explorados por um dono de canavial, por exemplo) na vida  adulta o trabalho vai passar a ser parte importante da sua identidade, do seu status e do seu processo de felicidade pessoal. Em suma, um monte de coisas de velho.

Relacionamentos: Assim como tudo na vida, relacionamentos ganham um nível maior de exigência e de complexidade conforme o tempo passa. Se o seu namoro de colégio envolvia a expectativa de uns amassos e ela exigia bichinhos de pelúcia e seu namoro da faculdade envolvia a expectativa de sexo e ela esperava que você conhecesse os pais dela, o seu namoro adulto já vai envolver coisas que vão desde jantares até viagens de férias e a exigência vai girar em torno de conceitos bem mais complexos como maturidade, capacidade de comprometimento e não chegar bêbado na casa dela no meio da madrugada. Ou seja, se a sua parceira tem alguma oposição a você aparecer bêbado e gritando no apartamento dela às 3:25 da manhã é porque a sua juventude foi embora, amigo.

Bebês: Uma das coisas que demonstram que seu relógio biológico está fazendo um tic tac cada vez mais acelerado e o tempo está contra você é a forma como você reage a bebês. Se lembre de como você olhava para bebês com 16, 18 anos: “simpáticos, bonitinhos mas…meu Deus, a Ana Elisa veio sem soutien hoje, olha aquilo, cara!” e compare com a forma como hoje, aos 25, você acha eles mais engraçadinhos (“simpáticos, bonitinhos… meu Deus, a Luana da contabilidade veio sem soutien hoje, olha aquilo, cara! mas as crianças eram fofas, não eram?”), fica todo bobão e gasta minutos olhando para aquelas pequenas miniaturas de pessoas. Então repare nos seus amigos e amigas de 30 anos e veja como eles olham pra crianças da mesma forma que olham pra carros ou casas, com aquele ar de “eu gostaria de ter um desses agora mesmo que fosse ferrar com as minhas finanças e me impedir de viajar nas férias” e ouça aquela voz medonha dizendo ao fundo “eu sou você amanhããããã…”.

As pessoas de idades diferentes: Se você classificar as pessoas toscamente entre “jovens, adultos e idosos”, você vai notar que na casa dos 20/30 está se aproximando do meio da tabela e que isso causa um estremecimento nas suas relações com as pessoas dos dois extremos. Você já não se identifica com boa parte dos conceitos jovens, passando a considerar certas coisas que a “molecada” faz como exageradas, desrespeitosas, erradas ou puramente babacas (“here’s looking at you, Banda Cine”). Mas ao mesmo tempo você não se sente exatamente confortável com certos conceitos das pessoas mais velhas, que você várias vezes considera retrógrados, excessivamente conservadores ou apenas total e completamente caóticos (“não vó, eu não acredito que crianças não batizadas vão pro limbo, sério…de onde a senhora tira essas coisas?”).

As suas contas: Pagar as próprias despesas é uma dessas coisas que são meio superestimadas pela sociedade, assim como os últimos discos do Los Hermanos, a dieta de proteína e carreira do Rodrigo Santoro no exterior. Claro, é legal saber que as suas contas estão pagas, que você não deve nada pra ninguém e tem liberdade pra fazer o que quiser com o dinheiro que sobrou, desde fazer uma poupança até bater o foda-se e gastar tudo em cachaça, mas bem…você não precisa ser um adulto auto-sustentável pra isso, afinal, ser um adolescente filho de pais ricos e sem noção rende basicamente o mesmo resultado. E sério, quando você vai fazer a sua declaração de imposto de renda e topa com uma alíquota de 27,5 % (é como se, sei lá, eu fosse fiel a 3 religiões, pagando dízimo, mas sem garantia de salvação) você vê que ganhar o bastante pra pagar suas contas realmente tem seus lados ruins.

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18 Comentários

Arquivado em crise de meia meia idade, teorias, Top

18 Respostas para “Top 5 – Coisas que demonstram que estamos crescendo

  1. Elisa

    Eu sou a primeira? VIVA!

    Onde é que você anda no msn? Você não imagina o quanto estou detestando essa vida de adulto. Tanto que vou largá-la. Ao menos, a parte que posso largar. Estou ficando louca. É sério.

    • João Baldi Jr.

      Pô, quase não topo contigo no msn, fora que nem entro tanto assim.
      Na verdade a última vez que eu entrei e topei contigo eu estava chegando em casa de manhã mas não puxei papo porque não ia conseguir dizer nada coerente, sabe? Tipo, a gente passa um tempão sem se falar e a primeira coisa que eu te digo é um “gooolfiiiiinhooooossssss…ahahahahahhaa…wkakakakaka”. Isso seria chato.

      Fora que se você está largando aspectos da vida adulta eu quero pedir dicas.

  2. Marina

    É, muito complexo mesmo essa vida de adulto… então deixa eu curtir minha rebeldia da adolescência enquanto posso!

  3. adoro esse filme. btw, vida de adulto é um saco. vou aproveitar os bons anos da juventude com meus pais até, tipo… eles me expulsarem de casa? ._. hohohoho.

  4. Josy

    Ser grande ou não ser, eis a questão.
    Citando um trecho de Drummond: “Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?”
    O difícil é crescer sendo a mesma pessoa, sem usar outro corpo, sem mudar de nome. A gente não percebe exatamente quando foi que crescemos e nem vamos perceber em que momento começamos a incluir um bebê nos nossos planos. Tudo vai pegando a gente de surpresa, inclusive esta bendita alíquota do imposto, que faz você perceber que o aumento de salário que te deixou muito feliz no mês passado, não adiantou em nada na prática.

    Enfim, talvez eu sofra do complexo de Peter Pan, rs

  5. Sara

    Quando eu fiz 18 anos eu entrei em pânico, porque tudo que eu via a frente era responsabilidade de gente grande.

    Hoje sou jovem ainda, mas me considero velha para a maioria das coisas que fazia aos 18. Acho que trabalhar, pagar conta, e olhar para bebês me fez ficar chata.

    Gostaria de voltar a ter 14 anos!

  6. Ai, meus cabelos brancos… Sei lá, acho que mudar de idade é inevitável, mas envelhecer é opcional. Um dos motivos pra eu me dar tão bem com meus filhos, é que minha idade mental (e de alguns amigos próximos) não variou tanto assim nos últimos 20 anos. Mas o que mais me intriga é o que você disse sobre pagar as contas: Uau, quer dizer que é possível pagar todas as contas e ainda sobrar dinheiro????

    Como diz aquela máxima do Who: “Hope I die before I get old”

  7. Lembrei dessa narrativa do ultimo episódio dos Anos Incriveis!

    “Crescer acontece num bater de coração. Um dia você está de fraldas, no outro já se foi. Mas as memórias da infância ficam com você. Por um longo tempo. Eu me lembro de um lugar… uma cidade… uma casa. Como muitas outras casas… Um jardim como muitos outros jardins… Uma rua como muitas outras ruas. O negócio é o seguinte… Depois de todos esses anos, Eu continuo olhando para trás… maravilhado! Foram Anos Incríveis!!!” Kevin Arnold – anos incriveis!

  8. Alíquota de 27,5%? Também quero um trabalho no banco! =)

  9. Bebês. Aos quase 22 anos e eu ainda me assusto quando uma antiga conhecida ou amiga aparece grávida. E ao mesmo tempo tem a sensação de estar ficando pra trás. Mas como eu ainda estou na metade do meu curso e sem emprego nem doador de esperma, então eu me toco que estou melhor assim.
    Idades diferentes… Quando eu era criança (tipo uns 7 ou 8 anos de idade) eu detestava aqueles adultos chatos que reclamavam quando a gente corria e gritava na calçada deles. Hoje, ora vejam só, eu sou uma dessas ranzizas. Odeio quando os moleques do condomínio vêm gritar na janela (afinal, eu tinha que morar no inferno do térreo!), quando provocam meu cachorro pra ele latir descontroladamente, quando andam, quando respiram…
    Definitivamente esses quase 22 anos biológicos não fazem juz à minha idade psicológica. Já sou um velha ranzinza, solitária, que vive com a mãe, as irmãs e o cachorro.

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  11. Nada é mais superestimado que a carreira do Rodrigo Santoro no exterior!

    HAUAHUAHAUHAUHA

  12. Bruno

    Cara, esse negocio de envelhecer realmente confunde. Muitas vezes eu sinto uma certa falta de coisas que fazia quando era mais novo, sem estar nem ai (basicamente tocando o foda-se). Mas agora, no quarterlife, um sentimento em especial tem me chamado a atencao (teclado sem acentuacao eh foda): como a cada dia que passa eu acho os adolescentes mais e mais idiotas! O pior de tudo eh que eu era um deles ate muito pouco tempo atras! Sera que isso eh normal?

    Espero que eu nao esteja me tornando um velho chato. E sim, eu sei que falar mal de adolescentes e escrever no estilo chat eh uma puta incoerencia.

  13. Bella

    Estou indignada com a qualidade do conteúdo do teu blog! Não quer dividir um bocadinho da criatividade?

  14. alice

    acho q eu virei uma velha chata mto cedo, entao, pq eu n aguento adolescentes

    eles sao chatos, sao imaturos, riem de coisas sem graça, sao ignorantes… ok, eu tb ia pro cinema falar alto e tava nem aí se atrapalhava os outros… eu debochava dos meus coleguinhas de classe q tinham nomes/habitos estranhos… mas n vejo a menor graça em nada disso desde os 16 anos

    crianças? sao fofas mesmo, longe de mim… como cachorros e gatos, sabe?
    desde q sejam educadinhas, n fiquem berrando e chamando a atenção, ok.

    sim, eu quero ter um dia, daqui a mtos anos, tipo como um projeto de aperfeiçoamento meu ahahah e acho até q vou ser uma boa mãe, daquele tipo coruja-professora

    minhas amigas q tiveram filho muito cedo sem querer, por ex, se anularam… vivem trabalhando e lavando bunda de criança… eu n to pronta pra isso

    sério… preciso viver mto antes desse tal relogio biologico bater… quero viver uma paixao, quero viajar, quero mudar (pior é q eu sei q n posso fazer nada disso pq eu preciso trabalhar e lidar com oq a vida me oferece memso)

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