Tópicos avançados em momentos de constrangimento social leve ou moderado

#1 – Você está em algum lugar esperando por alguém e topa com um conhecido. Não um grande amigo, um amigo ou um colega, mas um conhecido, aquela pessoa cujo rosto você recorda vagamente e cujas opções de nome na sua cabeça variam entre Diego, Diogo, Altamiro e Bora Milutinovic, ainda que a última opção esteja realmente correndo por fora nessa. Vocês se cruzam e você, discretamente, dá aquele cumprimento de cabeça seguido de um “opa”, que você separa especialmente para esse tipo de situação, por ser ao mesmo tempo um sinal de reconhecimento (“eu sei quem você é…”) sem necessariamente encorajar qualquer tipo de conversa (“…mas não venha falar comigo”), mas a pessoa pára ao seu lado e te diz oi. Você diz oi. Aí ela pergunta como você está. E você diz que tudo bem e pergunta como ela está. E aí ela diz que tudo bem e fica parada do seu lado. Sim, parada do seu lado, te olhando com uma expressão que é a versão humana da cara do Odie (olhos arregalados, boca entreaberta e sorridente, aparência assustadoramente amigável). Os próximos cinco minutos serão, com certeza, aterradores.

#2 – E você está namorando. Sim, namorando. O amor nascendo, o sentimento, florescendo e na sua cabeça toca um cd cujas 14 faixas são “Walking on sunshine”, na versão acústica. Sua primeira festa oficial como um cara sério, toda a galera reunida, você, com a boca cheia (de orgulho. e em alguns momentos também de amendoim, porque você está com fome), apresentando a sua namorada, que você considera como futura noiva, potencial esposa e forte candidata a mãe dos seus filhos, a pessoa com quem você que estar tão comprometido quanto o casco da Enterprise durante um ataque romulano e por um período tão longo quanto uma versão estendida e com comentários do diretor de “O Retorno do Rei”. Até que você topa com ela, a última garota com quem você ficou. Sim, aquela que você, segundo algumas pessoas de má fé e visão distorcida da realidade, enrolou durante quatro meses e com quem você, há cerca de duas semanas,terminou dizendo que não podia se envolver seriamente com ninguém por causa da sua ex-namorada em coma e do fato de que você estava prestes a se apresentar para a Legião Estrangeira, na seccional Faixa de Gaza. Assim que apresenta as duas você nota a temperatura ambiente caindo em cerca de 7º C. As próximas cinco horas serão, com certeza, aterradoras.

#3 – E você está contando para um dos seus amigos sobre aquela viagem épica que você fez na semana passada, com todo tipo de minúcia possível. Assim como um José Alencar com mais tempo livre você descreve o hotel, os bares, as garotas, a noitada, o peixe que você comeu, os canais que o pacote da net do hotel tinha, a cópia pirata de Transformers 2 que você comprou na praia, o lanchinho do avião, o peixe que você comeu no restaurante, a ligação que a sua mãe te fez, a topada que você deu naquela pedra, o lance da guerra de conchas, o porque de você não ter aceitado ir na praia naturista e porque agora todo mundo fica te zoando com uma certa história envolvendo uma declaração sua sobre, se você fosse um garoto de programa, não aceitar atender em grupos, quando seu amigo te diz que bem, ele estava contigo na viagem. Os próximos cinco segundos serão, com certeza, aterradores. E a última meia hora foi totalmente desnecessária.

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11 Comentários

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11 Respostas para “Tópicos avançados em momentos de constrangimento social leve ou moderado

  1. Sara

    A situação #1 acontece quase todos os dias comigo. Pior é quando a pessoa faz perguntas específcas que você não consegue se lembrar a resposta, ou quem é essa pessoa, e acaba respondendo genericamente..”E aí, tem visto o pessoal?”!

  2. Tales

    Olá, comecei a acompanhar o blog há pouco tempo, mas já fiquei viciado nos textos, você escreve muito bem.

    Quanto as situações, a #1 é bem a minha cara. Só no meu caso tem o agravante de eu nunca lembrar dos nomes dessas pessoas. Aliás em geral eu até lembro do nome, mas apenas 5 minutos depois da pessoa sair.

  3. até hoje, só passei pela 1ª situação. mas, a frequência é tão alta que, acho, compensa as duas outras, com certeza. até, João. o/

  4. Eu tenho mania de, ao andar pelas ruas, olhar as pessoas de forma como se eu as estivesse encarando. Como eu sou míope e meio distraído, eu ando assim para, caso veja alguém conhecido, não deixar de cumprimentar.
    Mas some-se a isso um tique nervoso, que me faz mexer o pescoço o tempo todo: parece que EU é que estou cumprimentando os desconhecidos, e muito deles me cumprimentam de volta….

  5. Elisa

    Eu sou o tipo de pessoa que sempre me deparo com a situação número 3. Às vezes, invertida.
    Esses dias fiquei um tempão tentando lembrar o Gustavo de uma vez que a gente foi no shopping e que ele jogou o ticket de pagamento do estacionamento no lixo sem querer e aí a gente teve que enrolar o guarda para conseguir sair sem ter que pagar de novo.
    Aí ele falou: isso nunca aconteceu.
    E eu falei: Larga de ser louco. Óbvio que aconteceu. Eu lembro. Eu não ia inventar. Você acha que eu sou doida?
    Ele: Mas essa é a primeira vez que a gente vem com o meu carro para o shopping.
    E eu: É nada! E aquela outra vez?
    Ele: Que outra vez?
    Eu: Que a gente saiu do trabalho e viemos aqui jantar e depois…. Ah é. Não foi com você. Foi com a Ludmila.

  6. Marina

    O 2° item aconteceu comigo! Eu passei 1 mês ficando com um cara… aí ele disse que não podia se envolver, pois ainda pensava na ex… paramos de ficar, depois de 2 semanas exatas, ele aparece namorando com outra!!! Não era a ex, era outra!!! Pois é… ele não queria se envolver comigo, eu entendi! E o melhor foi que depois a gente se encontrou numa festa e ele apresentou a namorada pra mim, foram minutos bem aterradores, pois eu também estava com outro na festa e eu nunca entendi porque o cara que me enrolou foi dançar com a namorada do meu lado, quase se encostando em mim, quando eu estava muito bem com outro! hauhauua

  7. já passei pela situação #1 umas mil vezes.
    a situação #3 aconteceu sexta-feira comigo…

    tb tem a situação na qual um desconhecido(a) me abraça, pergunta um monte de coisas, sorri amigavelmente e se despede me chamando por outro nome qualquer completamente diferente do meu.

  8. O #1 pode ser piorado se ao dizer “Opa!”, você ouve um “EEEEEiiiiiii!”. O constrangimento é instantâneo.

    Pra mim o constrangimento maior acontece quando você reencontra uma pessoa num shopping ou supermercado, conversa e tal. Mas, após se despedir, continuo “esbarrando” com ela incontáveis vezes, sempre com um sorriso constrangido…

  9. é. todas essas situações acontecem com todo mundo. mas tem uma menina, gatinha até, dando em cima de mim no orkut, mas eu não a conheço, embora ela saiba coisas da minha vida para além de blog, twitter e orkut.

    isso realmente me assusta.

    mas isso não é motivo pra rejeitar, afinal to solteira, ela tambem e tal e tal…

  10. Marília N.

    Aguardando ansiosamente um post sobre a festa da Playboy

  11. situação #1: por isso que tenho pânico de semi-conhecidos.

    situação #2: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAH

    situação #3: a coisa piora ainda mais se voce contar umas mentirinhas vantajosas :S

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