8 Tópicos aleatórios que substituem a minha resenha de Hot Tub Time Machine

Quando você traduz “The Hangover” como “Se beber não case” e logo depois traduz “Hot Tub Time Machine” como “A ressaca” você gera um tipo de paradoxo lingüístico de tradução que permite que, de uma certa forma estranha, “A banheira máquina do tempo” possa ser traduzida para o inglês como “If you drink, don’t marry” sem problemas.

O conceito de uma banheira de hotel que, quando quebrada, faz com que as pessoas viajem no tempo é uma daquelas idéias que te fazem soltar um “meu deus, por que eu não pensei nisso antes?” e logo depois um “porra, mas se eu tivesse pensado, o que eu faria com isso?”

Toda comédia, seja do tipo que for, desde romântica até dramática, deveria ter a obrigação contratual de contar com pelos menos um ator/atriz que participou de forma proeminente de um dos seguintes filmes: Evil Dead, Caça Fantasmas ou Férias Frustradas.

Poucos temas na ficção contemporânea tem tanto apelo junto ao público masculino quanto a crise de meia idade. O conceito de que a sua juventude foi gasta da maneira errada, com o trabalho errado, as garotas erradas, as decisões erradas e que agora tudo que você quer é ter seus velhos amigos de volta e entrar numa onda de “party like it’s 89” é meio que a versão pop da busca de todo mundo pelo tempo perdido. Não que eu ache que Proust ia curtir a cena dos caras entrando nus na banheira com o homem vestido de urso, claro.

Se algum dia fizerem um filme sobre a minha vida eu quero que o John Cusack me interprete. O fato de que ele é mais velho do que eu, mais alto do que eu, branco e está ficando careca não é nada que um bom roteiro não possa resolver. Quem se importa com verossimilhança quando pode ter carisma, certo? E dane-se o fato de que apenas em Bollywood existem atores parecidos comigo…

Quando você passa a vida inteira vendo filmes sobre viagem no tempo que sempre ressaltam os riscos de mudar o futuro, os perigos de um efeito borboleta ou como você pode causar o seu próprio nascimento mandando um cara pro passado pra dormir com a sua mãe (a única coisa mais constrangedora do que ser wingman do seu próprio pai, eu acho) é engraçado ver um filme onde as pessoas realmente não se importam com isso e zoam a linha do tempo como ela fosse uma linha de pipa.

Se o americano médio realmente acha que é normal que 4 homens nus tomem banho juntos numa banheira eu realmente tenho bem menos em comum com o americano médio do que eu imaginava. Ou apenas confio muito pouco nos meus amigos.

Só numa comédia americana você acha instigante e emocionante quando uma garota desconhecida te leva a invadir uma casa, roubar comida e cometer mais alguns crimes no que tange ao direito de propriedade privada. No mundo real você apenas grita “meu deus, sua maluca” e sai pra nunca mais voltar. O mundo real é um lugar bem menos animado, mas ao menos você pode tomar um banho sem voltar pra 1986.

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17 Comentários

Arquivado em Movie Review

17 Respostas para “8 Tópicos aleatórios que substituem a minha resenha de Hot Tub Time Machine

  1. Maldito. Me deixou com vontade de assistir esse filme.

  2. Hauhauahuahauha, quero assistiiiiiir.

  3. um homem vestido de urso?

  4. Marina

    Maldito. Me deixou com vontade de assistir esse filme. /2 kkkkkkk

  5. Marília N.

    Se eu já tinha ficado maluca pra ver o filme só pelo trailer agora com sua sinopse já entrou na lista de preciso ver. E John Cusack é sensacional.

  6. Nem sabia que esse filme existia, mas quero ver. Principalmente pelo tema: desde que vi Marty McFly voltar para o futuro, me interesso por tudo que é filme sobre viagem no tempo (E claro que isso inclui os filmes de Bill e Teddy!).

  7. Sara

    É, eu tenho quero ver esse filme..

  8. engraçado isso da tradução de titulos de filmes. eu li uma reportagem na piaui sobre isso, e finalmente uma luz apareceu. meu turva, mas apareceu.
    na reportagem eles davam o exemplo do “the hungover”, dizendo que o titulo “a ressaca” não pegaria bem por lembrar bebidas alcoolicas. decidiram fazer um trocadilho, aproveitando a campanha contra alcool e transito. até fez sentido.

    dai logo depois me colocam ESSE TITULO num filme que nao tem nada a ver.

    meu mundo ficou confuso novamente.

  9. (tipico de quem vai lendo e comentando)

    nao vejo problemas em john cusack te repesentar.
    o matt dillon representou bukowski no cinema e né… covenhamos que a semelhança deles é tipo a semelhança entre kiwi e melancia.

  10. Elisa

    Quero ver também.

  11. TG

    A comparação com atores de Bollywood é mais amena q se chamassem vc por aí de Tony Ramos. Vai por mim…

  12. Flávia G.

    Eu ia ficar calada, mas peguei o hábito de comentar aqui e depois que eu votei em você, agora me soltei e vou falar: esse filme eu não vou ver não! Parece meio forçado não?!

    • João Baldi Jr.

      Bem, são 4 caras viajando pra 1986 dentro de uma banheira. Eu acho que forçado foi até gentil da sua parte…Mas faz sentido dentro da dinâmica do filme. (ou não)

      (Juliana, tem sim um cara vestido de urso. Mas provavelmente era só uma alucinação dos personagens ou o roteirista, assim como eu, achou que ia ficar mais engraçado com o urso e ninguém ia se importar)

  13. As traduções, seja em títulos de filmes ou em legendas, me deixam um tanto estressada às vezes. Ou não tem nada a ver, ou censuram as falas originais. Em Skins, por exemplo, um xingamento que deveria soar como “você é um cuzão” sai como “seu idiota”. Quer dizer, quem põe a legenda nisso, é o Kaka?

  14. dá na televisão cês têm uns trinta canais
    brasileño es como americano y hindu
    louco por salinha di cinema
    tchê
    cê aceita um chimarrão

  15. Estava procurando uma resenha que embasasse minha ida ao cinema num horário inusitado, porque perdi o bonde de “A ressaca”, quando passou. Isso significaria que eu precisava de um mínimo de estímulo para 1) acordar mais cedo 2) chegar mais cedo no trabalho e 3) me deslocar até o Laura Alvim, que fica meio longe do circuito-confortável-dos-cinemas-que-frequento.

    Bem, esta resenha não é realmente uma resenha, mas eu ri bastante. Está decidido então: vou baixar o filme. (Não é culpa da não-resenha, é culpa da preguiça mesmo).

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