A mais longa playlist de músicas tristes (ou relativamente tristes) do universo: itens #354, #355, #356, #357 e #358

#354 – Weezer – Waiting on you: Apesar de uma constante vibe nerd animadinha, o Weezer é uma banda também caracterizada pelas músicas tristes, mas muito tristes, tristes mesmo. E uma das grandes canções pra baixo e focadas totalmente no abandono e na depressão já lançadas pelo grupo de Rivers Cuomo é essa, que tem um dos refrões mais desanimadores já registrados na história da humanidade, algo mais ou menos como “o meu é o mais solitário dos números, e agora é o mais solitário dos tempos, você está 19 dias atrasada, mas ainda assim eu estou sentado esperando”. Se depois de 19 dias você ainda não notou que a questão já deixou de ser um atraso e passou ao limite entre o no-show e o rosto em caixinhas de leite com uma legenda de “desaparecida” logo embaixo, essa canção é pra você.

#355 – Nenhum de nós – Diga a ela: Rock gaúcho é algo conceitualmente triste (algumas vezes no bom sentido, outras nem tanto) e poucas coisas sintetizam tanto a vocação dos pampas para produzir canções que não vão deixar o seu dia melhor do que esse clássico do Nenhum de Nós no melhor estilo“estou fingindo que está tudo bem mas na verdade estou mal pra caramba e preciso que você venha tomar conta de mim porque o momento mais feliz do meu dia é assistir Mr Maker e isso só pode significar que minha vida é uma droga”. Ou algo assim. Fora que todo mundo adora acordeons.*

#356 – Weezer – Perfect Situation: A música certa pra um daqueles momentos em que parece que todo mundo está acompanhado menos você. Ao redor existem apenas casais, pares, duplinhas e paira no ar a sensação de que você evidentemente é a única pessoa no mundo que não vai transar essa noite (sensação essa que se torna mais perturbadora ainda quando você lembra que no mundo estão incluídos sua mãe, sua tia Lucy e o português do apartamento de baixo). Mas não, não se desespere! Espere até a parte da música em que o Rivers canta “diga que existe alguma esperança pra mim, porque eu não quero ficar sozinho pelo resto dos meus dias na Terra”. Agora sim, pode desesperar.

#357 – Telesônica – Caso Faça Frio: “Sinto que estou só e isso me faz bem, já que todos são de um outro alguém, sem saber que estão sozinhos”. Sim, porque é muito, mas muito saudável, e muito, mas muito animador, quando você está se sentindo sozinho, pensar em como relacionamentos são vazios, como tudo não passa de uma farsa sem sentido, como o amor é apenas uma mentira que contamos pra nós mesmos e…hummm…na boa…alguém pode me dar um abraço? Fiquei realmente triste agora…

#358 – Nouvelle Vague – Ever fallen in love: Dotada de uma das linhas de raciocínio mais sinceras da história da música (afinal, quantas vezes você não se vê numa situação amorosa em que está tudo ruim, mas reclamar só vai piorar?) e de um vocal capaz de derreter uma calota polar durante uma madrugada de inverno com o ar ligado no máximo, Ever Fallen in Love deve ser possivelmente a melhor expressão musical do amor dirigido para o alvo errado que você pode encontrar na cultura contemporânea. Fora que se eu fosse mais literal e colocasse aqui “Eu me apaixonei pela pessoa errada”, do Exaltasamba, eu acho que ia quebrar um pouco a pegada da playlist.

*Mentira. Todo mundo odeia acordeons.

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12 Comentários

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12 Respostas para “A mais longa playlist de músicas tristes (ou relativamente tristes) do universo: itens #354, #355, #356, #357 e #358

  1. Adorei as duas últimas, lindas.

    E acordeons são muito legais!

  2. Josy

    Serio, acordeons são legais!

  3. acordeons são gaitas sem intimidade. O processo sonoro é o mesmo, o som é o mesmo, só que você não coloca sua boca em lugar nenhum. Uma vez falei isso para uma ex-namorada e ela não percebeu.

    ps: estou lentamente voltando ao admirável mundo dos blogues.

  4. Luna

    “Esta noite papai ficou sentado comigo. Trouxe o acordeão cá para baixo e se sentou perto de onde o Max costumava sentar. Muitas vezes, olho para seus dedos e seu rosto, quando ele toca. O acordeão respira. Há rugas nas faces de papai. Parecem tensas e, por algum motivo, quando as vejo, sinto vontade de chorar. Não é por tristeza nem orgulho. É só que gosto do jeito de elas se mexerem e mudarem. Às vezes acho que meu pai é um acordeão. Quando ele olha para mim, sorri e respira, eu escuto as notas.”

    A menina que roubava livros.
    Markus Zusak
    _________________________

    Bom, eu gosto de acordeons
    ;)
    _________________________

  5. João Baldi Jr.

    Ok, eu aceito…apenas eu odeio acordeons, tudo bem, tudo bem, tudo bem…

    (bem vindo de volta, Zé)

  6. Vem cá, te dou um abraço, João.
    Um dia farei um apanhado de suas playlists e vou ouvir num domingo oito da noite que é quando eu gosto de fazer cena e ser dramática no escuro lá no quintal perto da churrasqueira.
    Acordeon é sanfona, né? Sou brega e ignorante.

    E não tem nada de errado, é que tem uma bobeira de moderação de comentário, eu esqueço de ver isso.

  7. A Associção Cataguasense (?!?) de Gagos que Tocam Acordeão vai queirmar seu livro de contos no dia 7 de novembro.

    E incrível como não podem faltar as referências ao pagode maroto do Exaltasamba…

  8. Marília N.

    Você falar de Nenhum de Nós me lembrou de “Eu não entendo” que trata basicamente de uma garota maluca que quando fica carente vai atrás do ex-namorado e ele sempre deixa ela voltar.

    • João Baldi Jr.

      Uma das mais marcantes deles pra mim é “Paz e amor”, uma música pra cima sobre casamento de ex-namorada, o tipo de gênero musical pouco aproveitado.

      (“Eu não entendo” é uma clássica ilustração do paradigma hot x crazy do Barney)

  9. Essa “Ever Fallen In Love” é do Peter Yorn, aquele sujeito que gravou um disco com a Scarlett Johansson – interessado apenas na voz dela, suponho.
    (E “Paz e Amor” do NdN é uma obra-prima subestimada.)

    • Jarbas

      Na verdade ambos estão equivocados.

      Ever Fallen in Love é uma música de 1978 escrita por Pete Shelley e originalmente gravada pelo grupo punk britânico The Buzzcocks, tendo sido lançada ainda naquele ano.

      A versão punk é, também, ótima e o Buzzcocks até mereceria uma lista à parte só com suas próprias músicas com letras tristes.

      A versão em questão:

      Abraços!

      Ps: foi interessante o equívoco por que, até hoje, eu desconhecia o Nouvelle Vague. Gostei!

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