Movie Review #9, #10 e #11

#9: Modelos nada corretos (5/8) – Por mais que namoradas, colegas de faculdade e estudantes de cinema discordem, existe um óbvio valor intrínseco nas comédias americanas meio babacas que ainda precisa ser reconhecido. O drama de um soldado longe de seu lar, preso numa guerra que não compreende, pode te fazer refletir sobre a natureza humana? Claro. A superação de um casal de jovens que, contra tudo e contra todos, luta por seu amor pode nos inspirar e aquecer nossos corações nas noites solitárias movidas a brigadeiro cor de rosa? Aham, ok. O sofrimento de uma jovem mãe solteira e sem memórias do seu passado que luta para criar seus 17 filhos negros judeus árabes no sul dos Estados Unidos em pleno período da Grande Depressão sem ajuda, dinheiro ou amigos e tendo sempre que substituir o número quatro e seus múltiplos pela palavra “pim” quando fala, nos faz pensar em nossas dificuldades e em como certos roteiristas forçam a barra? Óbvio. Mas amigo, existem coisas que apenas Adam Sandler gritando com um taco de golfe ou Steve Carell sendo depilado podem fazer por você.

E é por aí que transita “Modelos nada corretos”, no campo das comédias sobre caras meio idiotas que precisam aprender algum tipo de lição para a)se tornar menos idiotas; b)crescer como pessoas; c)fazer com que tenha algum sentido o fato de que eles vão ficar com a mocinha no final. Nada que você já não tenha visto antes, nada que você não vá ver de novo, mas sejamos sinceros, amigo, você pode se emocionar com a cena do desembarque em “O resgate do soldado Ryan”, mas quando está com os seus amigos você cita mesmo é a cena do “sabe como eu sei que você é gay?” do Virgem de 40 anos.

#10: A invenção da mentira (4/8) – Imagine um mundo em que as pessoas são incapazes de mentir. Mais do que isso, imagine um mundo onde as pessoas não apenas não mentem como sentem uma pulsão quase patológica pela sinceridade extrema, dizendo tudo que passa por suas cabeças e respondendo de forma direta a toda e qualquer pergunta. Agora imagine que o roteiro deste mundo foi escrito por Ricky Gervais, que no “The Office” original nos brindou com níveis de constrangimento alheio que nós só tínhamos conhecido em encontros de família, noitadas com nossos tios ou clipes do Zezé di Camargo e Luciano e você tem a exata noção do que é esse filme, também dirigido e protagonizado pelo próprio Gervais.

Ainda que em vários momentos Gervais se perca – e em alguns deles ele não conseguiria se achar nem com um Guia 4 Rodas – na maior parte do tempo o mote funciona e as piadas se encaixam, ainda que te deixem meio triste (Jennifer Garner repetindo incessantemente que não pode ficar com um cara que é gordinho e tem nariz esquisito, por mais legal que ele seja, é algo que realmente te faz pensar) num filme que começa muito bom e acaba perdendo o fôlego, mas não o bastante pra te deixar arrependido de assistir. E se você for gordinho e tiver nariz esquisito não precisa ficar pra baixo, o final do filme é feliz. Ah, [spoiler].

#11: Distrito 9 (6/8) – Eu poderia dizer que é uma boa ficção científica. Poderia dizer que o roteiro é bem pensado e que a trama usa a presença dos alienígenas com cara de camarão (“é a mãe”*) na Terra pra tratar de forma inteligente a questão da segregação racial e da nossa reação diante do diferente. Poderia dizer que a parte técnica foi muito bem tratada e os efeitos são sóbrios, porém convincentes. Poderia elogiar a direção, poderia elogiar o trabalho legal do Sharlto Copley, atuando totalmente na base do improviso e compondo um protagonista crível e complexo, dentro dos limites do filme. Sim, eu poderia dizer tudo isso, mas prefiro dizer apenas uma coisa: existe uma cena em que usam um porco como arma. Sim, amigos, um porco. Revogam-se todas as disposições em contrário.

*Citação obrigatória de personagem da Escolinha do Professor Raimundo.

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5 Comentários

Arquivado em Desocupações, Movie Review

5 Respostas para “Movie Review #9, #10 e #11

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  2. Desses aí, só não vi (ainda) a Invenção da Mentira. Mas vi o trailer, e realmente parece ser um filme q vale a pena.

    O “Modelos nada corretos” é fantástico! Quer dizer, tem o Stifler e o Paul Rudd, como isso daria errado? Aliás, como o Paul Rudd consegue continuar sem ser ultra-famosão, se só faz filme bacana (e já foi até namorado a Phoebe, em Friends)? Paul Rudd estava até no supra-citado Virgem de 40 anos, que eu só fui ver essa semana e achei mto mais engraçado q esperava…

    E um porco como arma… Nem Roger Waters foi tão longe.

  3. alice

    nossa, eu odeio o adam sandler… alguns filmes eu até gosto (aquele anger management, por ex), mas os personagens dele geralmente me dão vontade de atirar na TV

    bom, acho q esse a invenção da mentira, que, por sinal, eu quero ver, ganhou outro título aqui http://filmow.com/filme/10706/o-primeiro-mentiroso/

  4. Ótima seleção. Me inspirou a fazer uma review também. De um filme de 2008 que envolve festas com um anão ator de filme surrealista, humor negro britânico… Coisa fina mesmo.
    Btw quero elogiar publicamente um tweet cinematográfico e achei que cabia nesse comentário, sobre o Nicolas Cage. Não é assim muita gente que gosta bastante do trabalho dele. Escrevi uma vez um “razões para achar o Nicolas Cage do caralho”, mas teve pouca repercussão. Capaz que eu reescreva isso ainda, hehehe

    Vou deixar um revival duma cena do Conair, que sim, eu curto muito… Clássico put the bunny back in the box

  5. putz, um porco?

    já aprendi muita coisa com o sandler e com o carell.

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