Pequenos trechos de um conto de Natal

“Era uma manhã nevada no norte do Maine quando Joe chegou com Maggie até a soleira da casa dos pais para passar o Natal. O vento forte havia castigado o casal na pequena distância entre o carro e a porta, e esses haviam sido os únicos momentos da viagem nos quais Joe não estava sorrindo. Ele queria que Maggie se sentisse o mais querida possível, que sentisse que a família dele era um pouco dela, que ali ela poderia estar em casa. O fato do Tio Oswald estar tentando colocar o pênis dentro do tanque de combustível do carro não parecia estar ajudando.”

“O jantar não estava saindo como planejado. Talvez suas lembranças o tivessem enganado e a família de Joe nunca tivesse sido exatamente aquilo que ele imaginava. Não havia calor, não havia ternura, apenas alguns olhares confusos, mãos nervosas e uma disputa violenta pelo potinho de queijo ralado. Mas tudo fugiu de controle no momento em que o Sr. O’Donnel, o pai de Joe, olhou na direção do casal e gritou, com as veias do pescoço saltadas e uma faca em riste: “O que vocês pensam que esse jantar é? Alguma maldita piada? É isso? Esse jantar é uma piada pra vocês?!”. Maggie começou a chorar e correu para o quintal, seguida por Joe, que ainda teve tempo de olhar de forma amarga para o pai. Nenhum deles notou que o velho Marcus estava na verdade gritando com um português, um papagaio, um judeu, um argentino e um bêbado que estavam sentados no sofá da sala.”

“Eu…eu te amo. Eu sei que posso ser cabeça dura…eu sei que posso ser complicado as vezes…você sabe que eu sou um homem antigo…criado de forma…diferente.Mas você é meu maior orgulho, é por você que eu trabalho, é pra você que eu quero deixar essa casa…Sua mãe…bem…você sabe como as coisas são entre eu e sua mãe…Mas eu quero pedir desculpa por qualquer erro e te dizer que…você é importante pra mim”. Foi impossível para Joe não chorar ouvindo essas palavras do seu pai. Ainda mais porque ele estava atrás da cerca ouvindo o velho Marcus falar com seu jardineiro, Chico”.

“Maggie saiu do seu quarto, desceu para a cozinha, abriu a porta para o quintal e se deitou na neve. Olhou pro céu estrelado e sorriu. A noite não tinha sido exatamente como ela esperava ou como Joe havia prometido. Houve gritos, lágrimas, brigas, ranger de dentes, bater de queixos, silêncios constrangedores e aquele episódio lastimável com a atiradora de facas e os anões. Lembrando de tudo isso Maggie por alguns instantes teve dificuldade pra lembrar porque exatamente estava sorrindo. Até que colocou a mão no bolso do casaco e se lembrou: ela tinha conseguido roubar o potinho de queijo ralado”

“E no meio da briga Joe e Maggie se olharam, os olhos brilhando. Os dele porque ele tinha acabado de entender que ela era sim a mulher da vida dele. Aquela com quem ele queria dormir e acordar. Aquela que ele queria todo dia sentir o gosto, o cheiro, ouvir a voz, abraçar depois de um dia difícil e comemorar após um dia bom. Aquela que ele queria que fosse pra sempre, pelo tanto que um pra sempre pudesse durar. Naquele instante ele soube que Maggie era a mulher certa. Já os olhos de Maggie brilhavam por causa das lentes de contato novas que ela havia comprado. Muito boas, gelatinosas.”

“No final da refeição todos se olharam e viram que haviam entendido o verdadeiro sentido do Natal. Num movimento espontâneo se abraçaram de forma carinhosa, deixando de lado animosidades, traumas, problemas e discussões. Joe, Maggie, o velho Marcus, a Sra. O’Donnel, os gêmeos Kat e Willy, a vovó Norma, o português, o papagaio, o judeu, o argentino, o bêbado, a atiradora de facas, os anões, Dhomini ex-BBB, todos estavam em clima de total e completo congraçamento e ninguém se perguntava que raios Dhomini estava fazendo ali, porque isso não era importante. O importante era o amor e o carinho entre as pessoas queridas.”

“Lá fora o tio Oswald continuava tentando transar com o tanque de combustível. Velho doente.”

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11 Comentários

Arquivado em contos, Mundo (Su)Real

11 Respostas para “Pequenos trechos de um conto de Natal

  1. Ler esse tipo de texto é o que compensa o risco de levar bronca do chefe por ficar vendo blogs no horário de trabalho. Você não tem ideia do quanto eu ri, principalmente com os dois últimos parágrafos.

    E que o Fantasma do Natal Presente esteja com você! Ho, ho, ho!

  2. natal e família, essa mistura é impagável.

    boas festas, joão! o/

  3. émille

    Que tipo de gente lembra o nome de participantes de BBB’s? :p
    Muito bom teus textos, homem! Já tenho uma espécie de carinho pelo 5º parágrafo ó.

    Feliz Natal pra ti!

  4. Um texto como esse é o que define quem é um bom ou não escritor.

  5. Um natal como os outros. Bacana. O Dhomini foi candidato a deputado em Goiânia, mas no BBB dava pra votar mais de uma vez, ele teve menos de 10.000 votos;

  6. kkkkkkkkkkkkk

    Isso é pequeno onde na china???

  7. daniel gabiati

    meio pequeno kkkkk

  8. eu amei esse dai ohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohohhoohohohohoho

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