Um texto clichê (ou “Notas sobre o casamento do Eric”)

Como todo mundo sabe, quando você chega na casa dos vinte e tantos é um tremendo clichê escrever texto reflexivo depois de casamento de amigo. Essa coisa de dizer que isso te faz pensar em como o tempo passou pra todos vocês, em como todo mundo amadureceu, em como o seu amigo de 25 está tomando uma das maiores decisões da vida dele sem pestanejar enquanto você demorou um ano pra decidir entre um PS3 e um Xbox e até hoje acorda de madrugada suando frio pensando que pode ter tomado a decisão errada e não sabe se vai conseguir conviver com isso, é algo que você deve ler em uma dezena de outros blogs toda semana.

Outro clichê nesses momentos é tocar nessa coisa da amizade e em como ela nunca termina, como diziam as sábias Spice Girls. Não tem nada de criativo em dizer que, mesmo depois de anos sem ver alguns amigos, parece que foi ontem que vocês estavam morando juntos, tomando cerveja na mesma sala e se assustando quando os vizinhos de cima começavam a jogar cadeiras e geladeiras pela janela. Todo mundo diz, todo dia, que é impossível acreditar que foi em 2006, e não na semana passada, que você e a galera bebiam cachaça de 5 reais o galão, corriam sem calça pela rua, deitavam na linha do trem, pediam carona pra carros policias e cometiam pequenos furtos em lojas de conveniência, incluindo aquele lamentável episódio do saco de ração. Não tem nada de novo nisso, claro.

Outra obviedade é dizer que ainda que todos sempre mudem, certas coisas nunca mudam. O Ronaldinho ainda faz filmes, o Frank ainda mostra os genitais em público diante da menor provocação, a Nara ainda é a reencarnação de Buda, o Locutor ainda consegue comentar sobre uma garota numa festa e fazer parecer que é algo grave sendo lido numa rádio. Mas o Eric engordou (e casou), o Pepeta está namorando sério (e dá pra notar que é sério, Cacah) e eu consegui fazer um semi-discurso na frente de vários desconhecidos sem gaguejar. Trocamos Guaraciaba e Catuaba Selvagem por Red Label e Absolut, mas ainda continuamos caindo de cadeiras, trocando tapas entre nós e irritando profundamente as namoradas presentes.

Descrever a festa então, é algo que numa escala de clichês que fosse de 0 a 10, estaria em 17 e subindo. O noivo quase chorando mais de uma vez, o pai do noivo tentando pular de uma mureta após um copo americano de whisky e a avó do noivo cantando Pe. Zezinho em ritmo de micareta, assim como a noiva descobrindo que os amigos do marido dela são meio idiotas e um deles, especificamente, não consegue largar o microfone durante toda a noite, também são coisas comuns em qualquer casamento.

O pós-festa, num lugar chamado “Sabor do Forró”, no qual eu era um dos 3 caras mais bonitos no evento, possivelmente seria um pouco menos clichê pra descrever, mas acho que vou precisar de terapia pra conseguir falar sobre isso, então melhor não. Definitivamente melhor não. Mas menção honrosa pra você, Fortes. Quero ser assim quando eu crescer.

Finalizando, seria bobamente comum dizer que foi bom rever vocês. Dizer que fizemos planos de manter mais contato, que temos que beber juntos outras vezes, que precisamos trocar emails, que marcamos de ir no show do Roxette, que temos que fazer mais projetos juntos e que 2011 promete. Que eu vou visitar vocês em BH, que assim que juntar milhas eu vou passar um final de semana em Porto Alegre, que eu acho que a gente precisa conversar mais sobre um carnaval em Ouro Preto e que espero estar no casamento de vocês no final do ano, se essa zica passar e vocês conseguirem um bom lugar em Timóteo. Da mesma forma espero todo mundo no Rio, meu sofá é nosso sofá e agora eu tenho um kinect, não sei se cheguei a comentar. É, eu cheguei sim, eu sei. Várias vezes, tudo bem.

E mais do que um clichê, seria quase uma veadagem dizer que senti saudades. Que senti saudades, que vocês são grandes amigos, que eu tenho sorte de conhecer todos vocês e que, se eu algum dia casar, espero que todo mundo esteja lá (incluindo o pai do Eric, porque beber e saltar de muretas é o que há, na boa). Mas acho que vale a pena abrir uma exceção e ser um pouco clichê e um muito piegas hoje. Vocês merecem. Um grande abraço e até a próxima. E claro, que a próxima não demore. Mesmo que mais alguém precise casar pra isso.

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16 Comentários

Arquivado em crise de meia meia idade, Sem Categoria, situações limite, Vida Pessoal

16 Respostas para “Um texto clichê (ou “Notas sobre o casamento do Eric”)

  1. AHAHHAHAHA Muito bom, cara. Agora eu fico pensando, o único jeito de ir em alguma festa de casamento de amigo é se liberarem o casamento gay por aqui. Percebo agora a vantagem em ter muitos primos.

    P.S: Cara o kinect é legal? Tenho sérios problemas com esse conceito de videogame para não-sedentários.

    • joão baldi jr.

      Tenta pensar que seus amigos gays casando são meio que uma garantia de viagem pra Buenos Aires, olha só que bacana
      P.S: Kinect é muito legal. Quando você descobre que não precisa de um joystick pra jogar videogame o seu senso de necessidades e prioridades na vida é absurdamente alterado.

  2. Ana Paula Martins

    João,
    lendo seu texto ‘clichê’, consegui visualizar cada detalhe do casamento, inclusive as loucuras de viçosa todas sendo revividas.
    Abraços,

  3. Annia

    Li com a cabeça de lado fazendo ouhnnn entrecortados por “sei como é”.
    Belo relato.

  4. ah João seu sentimental. hahaha. (: muito bom! pra mim só aconteceram casamentos chatinhos, as minhas amigas e amigos mais legais vão começar a fase dos casamentos por agora. até logo!

  5. Whatever works… por isso existem clichês; eles funcionam! Belo texto…

    Essa semana vou em um casamento de amiga de infância… pra descrever perfeitamente o que vai acontecer só acrescentaria o seguinte clichê feminino: não aguentei, chorei e borrei a maquiagem!

  6. Ronaldinho

    Só posso compartilhar minha alegria com vc, caro amigo! Certamente, foi demais o casório. Ah, não precisa me agradecer por ter te levado ao Sabor do Forró, eu sei que vc adorou! No mais, até a próxima!!!

    P.S: Friendship never ends!!!!

  7. Leandro

    Meus melhores amigos estão entrando nessa fase de casamentos agora, começando já em maio, e vai ser uma enxurrada de arroz nos noivos, bebedeiras e tal.

    E eu só dando altas palas, lembrando daquele seu texto: Problemas de se tornar o último solteiro do grupo

    Hahaha
    Mas é o que há! Rever quem está sumido. Fevereiro mesmo um amigo meu vem de Goiás pra Juiz de Fora e já está reunindo a turma do CTU depois de 6 anos. Bom demais

  8. Reencontros são, definitivamente, a melhor coisa da vida pós-universitária.

  9. VC TEM UM KINECT??????????????????????

  10. ultimamente as pessoas próximas a mim andam casando demais, e indo demais para cruzeiros e Buenos Aires. Não sei se consigo conviver muito bem com isso

  11. E eu achando que kinect era um novo moderno conceito para sofá cama!
    Só pra eu ter certeza que sou mesmo muito out das informaçoes do mundo dos video-games (tambem)
    Ficar ano longe do irmão resulta nisso tsc tsc tsc

    Fora isso, lindo esse texto, lindo de verdade.

  12. Esse é realmente o tipo de blog que você pode dar um pause no último episódio de HIMYM só pra ler o último post e se divertir do mesmo jeito (e olha que estamos falando de HIMYM!). Até com os clichês rsrs.

  13. Elisa França

    Eu ri muito desse texto. “O Locutor ainda consegue comentar sobre uma garota numa festa e fazer parecer que é algo grave sendo lido numa rádio.”

    HAUEHAUEHAUHEUAHEAUE

    Uma das maiores alegrias da minha vida foi fuçar o orkut dele e descobrir que ele participava de uma comunidade chamada “Fodo Gostoso”. Resolvemos entrar na comunidade para zuar ele mais e qual não foi a nossa supresa quando constatamos que além de ser parte da comunidade, ele era o criador e dava dicas para os outros dizendo que o segredo era “ir devagar”.

    Na época, ele fazia trabalho de marketing com a gente e quando chegou lá em casa para a reunião, nós o recebemos andando e falando em slow motion…

    Bons tempos…

  14. Mindingo

    Não preciso nem relatar a minha emoção ao entrar em seu blog, num final de tarde entediante no trabalho, e descobrir que dentro os diversos textos, teria uma passagem épica e poética propiciado por mim e pela minha esposa.
    Depois de ter a presença de todos lá, reunidos, de ver um mito ser jogado fora, e de ver um negro ser transformado em mito, de ter ele, o sempre calmo Locutor, o Forte sempre imbativel, o Frank se segurando para não baixar as calças ao som de skank, Ronaldinho tremendo ao ver a esposa pegar o buquet.
    Agora estamos todos preparados para um dos maiores eventos do ano, uma verdadeira micareta às avesas está chegando. E sim, acho que a partir desta data, 22/01/2011, no minimo anualmente um de nós deve se casar, para termos a chance de nos revermos.
    Obrigado pela presença de todos, e sim, com certeza iremos marcar um reencontro épico, mistico, com a presença de esposas, filhos, sobrinhos, afilhados, sacis, bois, mijão mascarado, e tudo o mais que se tem direito!

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