Problemas práticos do romantismo teórico – XIX

Um assunto que eu acho que já tratei aqui outras vezes é o de como é complexa a questão do interesse dentro dos relacionamentos. Aquela fase cheia de suspense, incertezas e semelhanças com uma música do Flight of the Conchords em que você quer, mas não sabe se ela quer, o que ela quer, como ela quer, por que ela quer e se, quando tudo isso for resolvido, você vai mesmo poder levar as algemas e aquele saco de jujubas que você tinha deixado separado em casa.

Mas você superou essa fase de sinais confusos, emoções conflitantes e de não saber se ela atendia os seus telefonemas porque realmente queria falar contigo ou porque você fazia questão de ligar num horário em que nada legal estivesse passando na TV e agora vocês estão juntos. Assim, ainda não juntos no sentido de relação estável constituída, mas juntos no sentido de que vocês ficaram, continuam ficando e ao que parece ela não está afim de cortar a sua onda tão cedo, ainda que você não seja lá tão bom assim lendo esse tipo de sinal, sabe como é. Mas você gosta dela, ela parece gostar de você e você, que já estava bem animadinho, começou a se empolgar. Sim, se empolgar. E conforme você se empolga, uma preocupação começa a se formar: a de que você acabe bancando o Ted Mosby.

Sim, porque por mais que você esteja empolgado e goste de estar empolgado e ache bom estar empolgado e considere bem empolgante essa coisa toda da empolgação, sempre vem à sua mente aquelas dúvidas: “será que eu não estou me empolgando demais?” ,“será que eu não deveria baixar a minha bola?”, “será que eu não devo ir com mais calma?” , “será que reencenar o clipe de the sweetest thing no nosso terceiro encontro, com os integrantes do U2, não foi um pouco precipitado, ainda mais dado o cachê que o Bono cobrou?”,  “como eu vou pagar isso, certo?”

Porque sim, todos nós sabemos que ninguém gosta de gente apressada demais, que nunca dá certo forçar o ritmo das coisas e todas aquelas missões espaciais que deram merda já nos provaram a importância de seguir direito todas as etapas pra evitar que as coisas explodam e acabem não saindo do chão como planejadas. E você, por experiência pessoal, sabe o quanto correr com as coisas não dá certo, já que se assustou com a garota que disse ‘eu te amo’ em duas semanas, teve uma crise de pânico com a menina que te apresentou pros pais no segundo encontro e precisou trocar de trabalho por causa daquela colega que apareceu com um saco de cordas na primeira noite que você passou na casa dela. Gente intensa assusta e você sabe disso. Mas ao mesmo tempo você sabe que bem…você está num momento intenso, ao menos pros seus padrões.

E claro, você pode tentar se conter. Você não liga tantas vezes quanto gostaria, não usa exatamente as palavras que imagina, tenta racionalizar e ver que não, ainda não é hora de apresentar ninguém pras suas avós e sim, esses sms dizendo “estou pensando em você” ou “você é linda, sabia?” precisam ser usados de forma mais parcimoniosa do que 13 por hora. Mas ainda assim você em dados momentos se sente como um palmeirense sentado no meio da torcida do corinthians tentando fingir que não vibrou com aquele gol contra do Moradei e que tá muito sentido com isso tudo, rapaziada, não me mata, por favor, que isso, sou arrimo de família.

Claro, a pior parte é que bem…você apenas não vai conseguir disfarçar. Vai ser perceptível no seu sorriso abobado, no seu jeito quase stalker de ficar olhando fixo pra ela, na graça que você em tudo que ela faz e diz, no jeito como você quer estar perto dela em todos os momentos em que for socialmente aceitável estar perto de alguém (e também na hora do banho, se isso for possível).

Apenas, sim, apenas, e se mantendo no campo de lutar as batalhas que você pode vencer, tente postergar essa coisa de apresentar a garota pras suas avós. Você sabe como essas velhinhas são e depois, se você for chutado, elas com certeza vão ficar de coração partido.

Anúncios

11 Comentários

Arquivado em citações, romantismo desperdiçado, situações limite, Vida Pessoal

11 Respostas para “Problemas práticos do romantismo teórico – XIX

  1. Bruno

    É bom ver que as coisas estã indo bem pra você, Bigode. Aparentemente, seu nivel de ‘paixonisse’ continua subindo feito preço de barril de petróleo em início de guerra no Oriente Médio.

  2. Mas vai por mim, o Ted é bem legal. Se você estiver indo na onda dele tá bom.

    • Henrique

      Não sei. Fiquei constrangido com o lance da dança da chuva no terraço. Acho que a empolgação tem um limite.

      João, esse “nunca” em itálico, quando a gente vai comentar, sempre me assusta. É tão ruim como se ele estivesse entre aspas. Sinto que você está sendo irônico e que, ainda que não tenha motivos para pensar nisso, você vai aprontar uma conosco.

  3. Oun, que bonitinho João! Dá vontade de congelar o tempo nessa fase do grude…

  4. Naiara Costa

    Olha, esse negocio das avós é coisa séria. Pelo menos comigo foi a prova de fogo do relacionamento, o chefão do ultimo castelinho… mas acho que em partes foi pq uma das avós do namorado era pior do que o estereótipo de sogra, mais cruel que o Bowser. Até hj ela ainda é… e se eu partir o coração do netinho dela, aí só me resta rezar.

    Apresentar pra avó é realmente caso serio.

  5. Fernando

    É mano, esse negócio de “eu te amo” na 2a semana de “relacionamento”, assusta!! E já começar a fazer planos de morar junto então!!! Vontade de bater os calcanhares na bunda de tanto correr pra longe!
    Hj, a pesar das pessoas não quererem relacionamento, ficar com vários na night, existe uma carência lascada q qdo bate o “amor”, a chance disso tudo acontecer, de se atropelar as coisas, é altíssima!

  6. Leo

    Verdade… eu sempre luto contra essa empolgação, mas depende muito de como a outra pessoa está agindo, se ela está fazendo aquele “joguinho duro” ou se tá se derretendo toda. Tenho medo especial das mega-apaixonadas, que também se desapaixonam em velocidade impressionante e te largam com a cara no chão. É, o game da vida é difícil. E sim, já me fudi muito nesse jogo também, haha

  7. JL, nada a ver com o post, mas dá uma olhada no site da Editora Multifoco:
    http://www.editoramultifoco.com.br/literatura-participar.php
    E a editora que publicará o meu livro e já publicou coisas de gente que conheço. São simpatizantes de escritores novatos, não publicados e semi-publicados. E se eu estivesse em uma competição na qual minha vida dependesse de contar uma história para fazer alguém rir, é tu quem eu quereria na minha equipe.

    Sério, junto uma série de contos, “Encontro às Escuras” e o que mais tu tiveres e mostra pros caras. Pode dizer que fui em quem indicou (não que isso vá contar alguma coisa).

    • ThiagoFC

      E fala que eu sou fã incondicional das coisas que você escreve! (Isso certamente não contará coisa alguma, visto que essa editora nem sabe quem eu sou. Mas vai, é bom ter fã incondicionais, certo?)
      Mas, por favor, se você for citar o nome do meu time, favor escrever Corinthians com “C” maiúsculo, ok?

  8. gabriel zorzi

    Cara, legal! Parabéns.

  9. JuninhO

    Apresenta ela pra galera, isso sim é prova de fogo! Se passar, beleza!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s