Sobre quadrinhos, perspectivas, histórias do Esquiador Escarlate e reboots da DC Comics

Acho que não é novidade pra nenhum de vocês aqui o fato de que eu gosto de quadrinhos. Afinal, eu faço referências freqüentes a personagens, eu costumo citar o Super-Homem mais vezes do que eu menciono meu irmão e possivelmente já argumentei mais de uma vez, de forma embasada, que é injusto que o cargo de “Lanterna Verde” não seja concursado, como todos os outros cargos policiais. Mas ainda que eu possivelmente pareça uma pessoa realmente interessada, empolgada e absorvida pelos quadrinhos de super-heróis, a verdade é que…bem…é muito pior. Sério mesmo.

Isso porque o que eu cito aqui quase sempre é apenas a ponta do iceberg e não retrata fielmente o nível de importância que os quadrinhos – majoritariamente os de super-heróis, ainda que eu leia diversos outros gêneros – tem na minha vida. Afinal, são praticamente vinte anos lendo diversos títulos mensais, conhecendo a fundo a cronologia de diversos personagens e editoras, me mantendo atualizado com os lançamentos que acontecem lá fora e fazendo parte de ambientes onde as pessoas realmente discutem até as vias de fato quem venceria numa luta entre Batman, Godzilla e Apollo Doutrinador, entre outras coisas. (por sinal, uma dica: sempre chute “Batman” em momentos assim)

Mas mais do que um grande prejuízo financeiro, dois hds externos lotados, uma coleção de camisas que meus amigos não entendem e uma enorme e quase infantil credulidade diante de histórias meio absurdas – sua namorada diz que ficou presa no trânsito e você reclama, minha namorada diz que foi abduzida pelos guardiões do universo e eu pergunto “meu deus, e o que eles disseram?!” – gostar de quadrinhos me deu a capacidade de perceber algo que é meio óbvio, mas que escapa a compreensão de muitas pessoas: coisas que são muito importantes pra nós podem apenas não significar nada pros outros.

É, amigos, por mais que possa doer, por mais que possa ser desagradável, um dos mais verdadeiros e inflexíveis fatos que existem no universo é que várias das coisas que pra você são sérias, graves e importantes para muitas outras pessoas (e as vezes até pra maioria das pessoas) podem não ser relevantes, não ter peso real, não merecer atenção ou, em outras palavras, apenas não importar porra nenhuma. É triste, mas é a verdade. E ainda que seja sempre perigoso extrapolar conceitos dos quadrinhos pra vida real – quem nunca pensou em passar césio num grilo e tentar ser picado que atire a primeira pedra – acho que dá pra realmente levar essa verdade pra outros campos da existência humana.

Isso porque da mesma forma que enquanto eu estava ficando chateado pela morte do segundo Besouro Azul, irritado com a saga do clone ou profundamente pessimista em relação ao reboot dos títulos da DC a maior parte das pessoas apenas não se importava, seguia suas vidas normalmente e qualquer tentativa que eu fizesse no sentido de convencê-las do contrário seria apenas infantil, boba e recebida com um “ahhhh, ok…”, vários outros assuntos que pra algumas pessoas são essenciais despertariam em mim (e em diversas outras pessoas) as mesmas reações. Não entendemos a importância, não pegamos o espírito, simplesmente não vemos porque deveríamos nos importar.

E não, não estou querendo comparar hábitos pessoais com posições políticas, gostos literários com verdades religiosas, opiniões sobre qual a cor de fundo do logo do Batman com visões de vida. Apenas acho que, como perspectiva pessoal e ferramenta para lidar com o mundo aí é fora é sempre bom lembrar que pra algumas pessoas nossos pontos de vista e opiniões, por mais que nos pareçam verdadeiros, graves e algo que devemos dizer pro mundo todo, são tão importantes quanto é pra você a minha opinião sobre aquela edição da Liga da Justiça que tem a primeira aparição do Sr. Nebulosa. Sim, Sr. Nebulosa, o “decorador das galáxias”, amigo. Pense nisso.

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29 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, crise de meia meia idade, Declaração de princípios, Nerdices, quadrinhos, referências, teorias

29 Respostas para “Sobre quadrinhos, perspectivas, histórias do Esquiador Escarlate e reboots da DC Comics

  1. Lucas Menezes

    por curiosidade, quais revistas você acompanha mensalmente no momento?

    • joão baldi jr.

      Cara, atualmente eu estou no submundo dos scans, mas tentando parar (voltei a compra encadernados e tô procurando uma boa importadora aqui no Rio), então nos meses mais cheios, com megassagas e tie-ins eu chegava a ler uns 50 títulos das duas grandes e mais uns 10 títulos envolvendo Top Cow, Boom, Dynamite ou alguma coisa independente que alguém me indicasse. Agora eu devo estar lendo um pouco menos, mas nem tanto.

      Eu tento não contar as revistas porque me dá uma estranha sensação de que eu posso estar gastando tempo demais com isso.

  2. Bia

    Não acho q seja possível ser picado por um grilo…

  3. Naiara Costa

    Pois é, veja o caso. Eu amo quadrinhos só que não gosto muito dos quadrinhos de super heroi, mas conheço gente que só respeita graphic novel e cospe na cara do homem aranha… dai vc vê que nem dentro do mundo nerd dos quadrinhos o pessoal se respeita. Esse mundo é cruel, cruel.

    • joão baldi jr.

      Eu tento respeitar todos os gêneros e variações dos quadrinhos, então não acho que o cara que lê Alan Moore e Joe Sacoo possa dizer nada contra um cara que gosta de Rob Liefeld e hentai (apenas acho que o cara que lê hentai provavelmente vai precisar limpar o histórico do navegador com mais frequência).

      Na verdade eu tenho certeza que se não fosse pela turma da Mõnica eu não teria começado a ler Homem-Aranha e não teria passado a ler Alan Moore e não teria conhecido Will Eisner, e por aí vai. Mas claro, isso é fruto da maturidade. Aos 15 anos eu e um garoto fã de mangá discutimos até sair na porrada sobre o que eram quadrinhos de verdade.

  4. Diariamente fico pensando que se eu fosse o Smalville chegaria em casa rapidamente por causa da supervelocidade do super-homem, ou que aqui não seria um bom lugar pro homem-aranha viver, porque os prédios são muito longe uns dos outros e o peter parker ia ter que fazer tudo a pé, mesmo, além de lembrar sempre do Batman e usá-lo pra ganhar argumentos com a minha mãe, que acaba desistindo por achar que eu com certeza estou de palhaçada.
    Daí vem uma pessoa e fala que Efeito Borboleta é um filme genial. PÉÉÉÉÉÉ!

  5. Eu confesso que pra alguém que diz gostar de quadrinhos eu leio muito pouco e atualmente nada, acho mais fácil comprar encadernados do que mensais, inclusive assim que arrumar emprego farei um investimento pesado pra compensar o tempo perdido. Quanto a estarmos a mercê de homens malignos como Joe Quesada e Jim Lee, eu acho que o jeito é se resignar, respirar fundo e dizer: lá vamos nós de novo.

  6. Henrique

    Olha, quando assisti Kick-Ass eu gostei muito, então fiquei com isso na cabeça um tempo e esbocei a ideia de ler quadrinhos. Acontece que nesse tempo um amigo me explicou algo sobre como algumas histórias funcionavam e o que ficou pra mim é que alguns personagens morrerão em uma edição mas irão reaparecer mais tarde. Pareceu muito confuso, injusto com o “fator” morte e sei lá, acho que na verdade eu nunca iria chegar a ler, mas uso isso como desculpa.

    • joão baldi jr.

      Bem, como eu atualmente acompanho dois Homems Aranha em dois universos diferentes (e já chegaram a existir outros, eu ressalto), não posso te culpar. Ainda mais porque um deles morreu essa semana lá fora, então como eu argumento?

  7. ThiagoFC

    O Batman até pode ganhar do Apollo, o Doutrinador. Mas certamente que o Rocky Balboa iria querer uma revanche, mesmo com a Adrian relutando à beça. Aí já viu: montagem de treinamento ao som de alguma música do Survivor, 15 rounds de porradaria, “se vocês podem mudar, eu também posso mudar”, mais do mesmo…
    E certa vez um amigo meu explicou algumas coisas sobre a Saga do Clone. Eu disse que “até que não parece má ideia”, e acho que a reação dele foi começar a espumar de raiva, mas eu posso estar enganado.

  8. Eu ia dizer que acho bom você se manter na ponta do iceberg e não se aprofundar no universo dos quadrinhos porque ninguém iria me entender muita coisa. Mas mudei radicalmente de ideia quando li os comentários.

    Ao que me consta, eu parei no Zé Carioca.

  9. Cris Pereira

    ahhhh, ok…

    • joão baldi jr.

      Por enquanto um dos meus comentários favoritos na história do blog, sob a tag “sinceridade”

      • Cris Pereira

        obrigada! é, não manjo mesmo e talvez fosse melhor nem ter comentado… mas não poderia perder a chance de fazer um dos seus comentários favoritos, né? (ainda não decidi se você foi apenas irônico, mas ok).

        • joão baldi jr.

          Ah, foi um comentário sincero e ainda confirmou a minha teoria, o que mais eu posso querer?

          • Cris Pereira

            hum… talvez, ser abduzido pelos guardiões do universo ao invés de só ouvir o que eles disseram pra sua namorada???

            (é extremamente bizarro ler o que eu escrevi na frase acima, fato! continua não fazendo o menor sentido pra mim).

  10. Mateus Campos

    Você não escreveu esse texto todo só pra me dizer que passar 20 horas trancado (e escondido) dentro de uma sala em São Januário pra assistir à final da Copa do Brasil não é aceitável, né? Então beleza, seus gibis são legais. Tem do Chico Bento?

    • joão baldi jr.

      Bem, eu nunca fui muito um cara de ler Chico Bento (ainda que reconheça que o Zé Lelé é um dos melhores personagens dos quadrinhos mundiais) porque sempre gostei mais do Cebolinha. Você não tem idéia de como ele é importante na inserção social das crianças com problemas de fala. Sério, não tõ de sacanagem.

      (já sobre o lance do Vasco, na verdade eu até te apóio, cara)

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