Pessoa de quem não dá pra gostar #31

# O proprietário hardcore de cães – É um sábado de manhã e você está correndo pela praia. A noite de sexta foi complicada, seu corpo dói, sua cabeça gira, seu estômago está em frangalhos e Machado de Assis só escreveu que aquilo que Capitu tinha eram “olhos de ressaca” porque nunca viu a cara que você está fazendo. Ao longe você observa duas silhuetas estranhas, que lembram um homem caminhando ao lado de um animal. A primeira vista parece um cavalo, mas conforme os dois se aproximam e você começa a ver mais claramente, sua única conclusão é de que aquele cara só pode ser o He-Man, porque o animal é do tamanho do Gato Guerreiro, o que transformaria a orla de Botafogo na versão live-action de Etérnia, com conseqüências perturbadoras, principalmente em relação ao valor do seu aluguel.

Mas antes que você possa perguntar sobre o Aríete ou puxar uma animada discussão sobre as similaridades da tensão sexual entre ele e She-Ra e o tomo final de “Os Maias”, você nota que não, não apenas não era o Gato Guerreiro como o cara não era o He-Man. Quer dizer, na verdade não apenas era um cara normal – na verdade até bem pequeno – como aquilo ao lado dele era um cachorro, ainda que possivelmente o maior que você já viu na vida, do tipo que poderia facilmente se disfarçar de pônei, se…bem…se existisse alguma possível ocasião em que um cão fosse ganhar algo fingindo ser um pônei. Como eu disse, sua cabeça não está muito boa.

Rapidamente você nota que existem outros problemas com seu colega de caminhada além do fato de que ele não sabe aproveitar todo o potencial do animal que tem – se você tivesse um cachorro do tamanho de um pônei iria claramente fazer coisas legais como ir para o trabalho montado nele ou mudar seu nome pra Sir Galahad. E isso inclui claramente não parecer apto a segurar o próprio cachorro, que não apenas poderia facilmente arrastá-lo como também de subjugá-lo, vender pra ele um carro usado, convencer-lo a assinar uma procuração com plenos poderes e escolher primeiro o time no Fifa 11.

Além disso ele parece defender algumas crenças um tanto quanto irreais, como a de que cães são capazes de falar entre si, o que o leva a deixar seu cão ao lado outros cães para que eles latam insanamente , só parando quando fica óbvio que eles querem se matar e não trocar amabilidades e discutir se frolic é mais gostoso do que pedigree ou que falta a extinta TV Colosso faz na vida deles em termos de ações sociais afirmativas; isso além de continuar declarando continuamente que seu cão é “mansinho” mesmo após o animal já ter tentado morder duas pessoas e comer três outros cachorros, tudo isso num espaço de400 metros, sem nem levar em conta o ataque do animal a um carro estacionado, que ele quase conseguiu arrombar. O que ainda que um cachorro arrombando portas seja sensacional, soa meio perigoso.

Mas o que te faz realmente mudar o sentido da corrida e, mesmo quase desidratado, aceitar correr mais1 km apenas pra sair de perto do cara nem é o momento em que ele para ao lado do cachorro, segura a cabeça dele entre os braços e começa a dizer “ah, meu bebê, bonitinho, coisa fofa, bolinha, filhinho lindo do papai, guuuu, guuuu”. Não, nada disso. Você não tem problemas quanto a uma pessoa sentir ímpetos paternais por um animal que poderia destrinchá-la como a uma codorna. O que complica mesmo é quando você descobre que o nome do cachorro é Beyoncé.

Teria sido melhor encontrar o Esqueleto.

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4 Comentários

Arquivado em Gente bizarra, Rio, situações limite, teorias, Vida Pessoal

4 Respostas para “Pessoa de quem não dá pra gostar #31

  1. sempre atravessei a rua quando via esse tipo de cena. mas, aqui em Goiânia, geralmente são aqueles caras de academia que já tem cara de pitbull e bom, fica mais fácil aceitar o lance dos ímpetos de paternidade. ah, e claro, nenhum tipo de nome me surpreende mais depois das histórias fantásticas que ouço de um amigo a respeito de registros de crianças em cartórios, sério.

  2. Rodrigo

    Uma vez eu estava em Buzios com meus ailhados e encontramos uma moça na praia com um Pit Bull. “ah, mas ele é mansinho!” e pior que era mesmo (!), apesar de gostar de brincar de puxar a correia – eu consegui erguer o dito do chão, com ele segurando a correia – foi como erguer chumbo e tijolos oO. O detalhe era o nome: Tilzinho. Por quê? Porque o nome dele era Hostil O.O Daí…

  3. Cris Pereira

    eu tenho um labrador que é a encarnação do Marley (do filme, do livro, saca?) com a diferença que o meu é preto e se chama Bless.
    labradores são dóceis, certo? então, o meu com 10 meses e 30 quilos por enquanto só conseguiu quebrar o dedinho do meu pé, quase arrancou um pedaço da minha boca quando foi dar beijo e seu atual brinquedo favorito é um galão de água, desses de 20 litros.
    sério, não sei pq as pessoas se assustam quando me vêem sendo arrastada por ele nos nossos passeios… ele é apenas um filhotinho de labrador, poxa!

  4. ThiagoFC

    Então não rolou uma She-Ra na jogada? Pô….

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