Breves conceitos para uma análise das sub-amizades

A amizade de ocasião: nascida quase sempre de forma fortuita e majoritariamente derivada da exposição de pessoas a um ambiente hostil e desconhecido, a amizade de ocasião é o melhor exemplo de relacionamento instrumental, no qual duas pessoas desenvolvem um vínculo – tênue ou não – apenas pelo período necessário para que superem uma situação específica ou supram uma necessidade pontual, sem que exista necessariamente o planejamento ou intenção de que essa relação seja mantida fora daquele contexto ou após aquele período. Como exemplos de amizade de ocasião podemos mencionar aquela sua extrema simpatia pelo seu vizinho que comprou um videogame novo antes de você, aquela sua profunda ligação com a colega nova do trabalho até notar que ela não tinha amigas gostosas e todas as noites em que você, bêbado, aluga o garçom falando sobre como sente falta da Luana e terminar com ela foi o pior erro da sua vida.

A amizade de balada: tipo muito particular de amizade de ocasião, a amizade de balada nasce quase sempre da formação de ligações entre solteiros esparsos ou em grupos num ambiente de paquera freestyle, no qual a união entre elementos pode trazer algum tipo de vantagem competitiva, seja no contato com pessoas do sexo oposto, na obtenção de bebidas ou mesmo no barateamento do táxi de volta pra casa. Nesse campo se encaixam atitudes que vão desde dar assunto pra um bêbado visando chegar na irmã dele até conversar com a amiga claramente psicótica de uma garota para que seu colega fique com ela, passando por discutir futebol com os seguranças pra não ter que pagar consumação. Já puxar papo com o broder dizendo que gostou da camisa dele continua sendo muito gay, nada mudou em relação a isso.

A amizade by proxy: tipo específico de amizade no qual duas pessoas, que normalmente não forjariam laços de fraternidade, são unidas por um amigo em comum, mas só conseguem manter qualquer tipo de relação amigável na presença daquela pessoa específica. Também conhecida como relação de ADA (“amigos dos amigos”) é um caso de relacionamento não instrumental totalmente dependente e condicional, o que fica patente quando o amigo em comum se levanta da mesa, consegue pegar uma mulher ou precisa atender ao telefone e você fica totalmente sem graça e num clima absolutamente estranho com aquelas pessoas semi-desconhecidas.

A amizade com objetivos sexuais: mais um tipo clássico de relação instrumental, a amizade de cunho sexual nasce em vários casos da necessidade de justificar racional e socialmente uma intenção que é apenas física, levando a malabarismos lógicos e emocionais que vão desde agüentar duas horas de conversa sobre gossip girl na esperança de conseguir sexo até fingir que realmente está interessado em arte sacra na esperança de conseguir sexo, passando por ir numa festa dedicada a dance music da década de 90 na esperança de conseguir sexo e aceitar se vestir de harry potter numa festa à fantasia na esperança de conseguir sexo. Outra de suas características principais é o fato de que quase sempre, após a obtenção do objetivo principal de uma ou ambas as partes – conseguir sexo – praticamente não existem assuntos em comum, pontos restantes de contato ou lembranças marcantes, sobrando no máximo uma pessoa que você acabou adicionando no facebook porque achou que soaria meio canalha apenas ignorar a solicitação.

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10 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, crise de meia meia idade, teorias

10 Respostas para “Breves conceitos para uma análise das sub-amizades

  1. como sempre, consegui me encaixar nas suas palavras! muito bom o texto! divertido e leve!

  2. Henrique

    Amizade by proxy é a típica entre você e os amigos / amigas da sua namorada. Um saco isso, viu. Muitas vezes você nem mesmo gosta dos infelizes.

  3. Angélica

    Amizade de balada é uma das maiores provas de que o álcool pode nos tornar extremamente sociáveis.
    Não sei se com todas as mulheres, mas comigo acontece com frequência de fazer amizade no banheiro da festa, com direito a conselhos sentimentais valiosos vindo de semi-desconhecidas ou a elas direcionados.

  4. cara, odeio amizade by proxy. já sou perdida e sem assunto com pessoas próximas, imagine com pseudo-estranhos. complicated.

  5. Vale salientar que cada uma das amizades pode facilmente ser convertida em amizade com objetivos sexuais.

  6. A que eu mais uso é definitivamente a “Amizade de Ocasião”, e geralmente por iniciativa da outra parte. Amizade by Proxy ninguém merece!! Como disse a Juliana, eu já não sou boa com os que conheço e ainda vou ter que me esforçar o triplo com os ADMA (amigos dos meus amigos). Too Complicated!!

  7. Saudades daquela eterna amizade de fila de boate!

    E a amizade de trabalho hein???… opa! foi mal joão….

  8. Gabriel O.

    Ainda faltou a “amizade temática”, aquela na qual você só consegue desenvolver conversas com o amigo a respeito de um tema específico (e talvez algumas ramificações dele): música, cinema, TV, gostosas, manchetes de jornal, o clima, o quanto um é mais depressivo do que o outro ou qualquer coisa do gênero. Se a conversa desviar para um tema diferente, basicamente: fodeu.

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