Dez textos de uma breve egotrip patrocinada

Para os que não se lembram, 2010 foi basicamente o ano da virada aqui no Just Wrapped em termos de visibilidade, já que no mesmo curto período de tempo não apenas fomos apadrinhados pelo conglomerado Interbarney – lucrativo como um agiota do interior porém carinhoso como um afago de mãe – como  comecei a escrever artigos para o Papo de Homem, um portal com um fluxo de leitores infinitamente maior do que esse humilde blog e cujo nome a galera efetivamente consegue pronunciar – “como se chama seu blog mesmo, joão? justiça na lapa? é isso?”.

E a despeito de meus receios iniciais de que não fosse estar à altura desses novos desafios e do terror obviamente gerado pela idéia de ser lido por mais de 5 pessoas – sim, porque mesmo quando temos mais de 5 comentários eu sempre imagino que vocês gostaram tanto que estão inventando outros nomes e comentando diversas vezes para demonstrar afeto –  eu admito que essas duas experiências me fizeram amadurecer muito e ter possibilidades que eu nunca teria se continuasse no mundo da blogagem independente de raiz. E não falo apenas de ter sido acusado de plágio, ter minha sexualidade questionada, a qualidade do meu texto hostilmente discutida ou mesmo tratar um assunto em tom de brincadeira e ser citado num blog feminista como um caso de misoginia. Não, na verdade eu to falando de outras coisas. Coisas bacanas e tal.

Por isso aproveitando o pretexto criado por um post do PDH no qual cada colaborador deveria escolher seus três melhores textos, resolvi relembrar aqui dez textos que eu produzi para o Papo de Homem e que moram no meu coração, seja pela qualidade, pela repercussão ou apenas porque eu adoro quando eu escrevo pra algum lugar e o primeiro comentário já informa que o meu foi o pior texto que aquele lugar já publicou. Sério, são coisas assim que aquecem meu coração nas noites frias do outono.

5 coisas que os quadrinhos me ensinaram sobre as mulheres – Uma tentativa de ironizar a forma como os quadrinhos de super-herói refletem relacionamentos e interações entre gêneros, esse texto basicamente não foi compreendido por quase ninguém e gerou dezenas de comentários dizendo que eu não entendo nada sobre mulheres. Não que não seja verdade, já que eu não entendo mesmo, mas não foi esse texto que provou isso.

Twist and (if you can avoid, don’t) shout – Um libelo contra a comunicação gritada e os berros em público, é possivelmente uma das ocasiões em que eu consegui expressar uma opinião de forma mais organizada, clara e coerente, o que, como qualquer pessoa que já falou comigo ao telefone ou me pediu uma sugestão de restaurante bem sabe, não é algo que role toda hora.

Hurley: uma resenha (ou por que você deve aceitar que pessoas e bandas mudam) – Possivelmente o mais emocionado e profundo que o review de um disco que tem uma canção chamada “todos os meus amigos são insetos” pode ser, nesse texto eu não apenas abordei faixa por faixa esse simpático álbum do Weezer como também me lancei numa emocionada defesa do direito de toda banda ou pessoa de mudar, crescer, evoluir e achar bacana tirar fotos com o Jorge Garcia. Sério, muito bacana esse cara.

Algumas possibilidades e impossibilidades emocionais da internet – Uma simpática reflexão sobre os relacionamentos na era da internet, o twitter do Chewbacca e o fato de que uma vez, durante umas férias em Cabo Frio, eu comi ração de cachorro como se fosse petisco. Imperdível, como vocês podem ver.

O Ronaldinho não está tão a fim assim de você (e outros momentos da não-paixão esportiva) – Escrito no calor do momento, logo após a transferência de Ronaldinho Gaúcho para a Gávea, é mais uma de minhas incursões pelo cronismo esportivo, abordando o profissionalismo no esporte, as mentiras que contamos para nós mesmos e como nos relacionamos com o futebol. Também vale a pena porque consegui mencionar lesmas do espaço dentro do texto de forma coerente, algo que sempre tento fazer mas poucas vezes consigo.

Algumas reações imediatas após um final de namoro – Praticamente um guia condensado de auto-ajuda em relacionamentos, esse é um dos textos que possivelmente virão morder meu pé quando a minha namorada terminar comigo e eu me afogar em brigadeiro rosa de panela, reprises de “Simples como amar” e telefonemas dados de madrugada contando sobre minha vida para serviços de entrega de comida.

“…and the last thing i saw was you” – Mais um conto sem final feliz baseado numa canção do Sondre Lerche com um protagonista hesitante e de perspectivas amorosas não tão animadoras. No final faço uma crítica feroz ao valor cobrado pelas bebidas alcoólicas nos aeroportos brasileiros. É esse o país da Copa?

Futebol, religião, política e outros assuntos que a gente não discute (mas deveria) – Um convite à discussão sensata e racional numa era que prima pela trollagem e pelo comentarismo descompromissado, esse texto é possivelmente o mais próximo que eu algum dia vou chegar de escrever algo que depois as pessoas vão distribuir pela internet dizendo que é do Luis Fernando Veríssimo ou do Arnaldo Jabor. Contém menções significativas ao Campeonato Brasileiro de 1987 para que eu possa considerá-lo um texto “polêmico”.

Análise combinatória – Mais um conto de final nada feliz, envolvendo romance, transporte rodoviário, orelhas de abano e uma serralheria no interior de Minas. Porque bem, não existe amor onde existe venda promocional de compensados de madeira.

Jogador de futebol: um trabalho igual a qualquer outro – Mais uma profunda reflexão destinada a me garantir um espaço numa mesa redonda da RedeTV ao lado de Nasi, do ex-goleiro Ronaldo e possivelmente de um Vampeta alcoolizado, nesse texto abordo a visão que temos do jogador de futebol enquanto profissional e porque devemos evitar matá-lo ainda que em nossos corações saibamos que ele merece. Também tem uma foto do Marcos Assunção quase beijando um cara, pra quem curte esse conceito.

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9 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, contos, Crônicas, homens trabalhando, Milton Neves, vida profissional

9 Respostas para “Dez textos de uma breve egotrip patrocinada

  1. Marji

    João, força! E continue escrevendo! Li todos os textos que você relacionou acima e… Acho que sou sua fangirl. No mais, keep writing.

    :)
    (e sim, estou usando o seu emoticon de gratitude extrema).

  2. ThiagoFC

    “Justiça na lapa” foi ótimo, embora eu ache que agora você se orkutizou.
    Bom mesmo era nos tempos d’O Arroto…

  3. O mundo da blogagem independente é muito ingrato e ser lido por mais de cinco pessoas é um sonho meu até hoje! Um dia também chego lá, ou quem sabe passe perto…

    http://asabiaignorancia.blogspot.com.br/

  4. João, pelo menos uns 50 leitores low profile, como eu, que nunca comentam e tals você tem. =)

  5. Eu posso dizer que vez ou outra não comento, mas ler eu leio sempre.

  6. Henrique

    Porra, João, nem sempre comento, mas faço questão de ler todos. Me divirto muito aqui e já indiquei a um amigo.

  7. Lorena

    Seus textos me fazem querer escrever, João. Acho que já comentei umas duas vezes, mas leio sempre.

  8. já conhecia todos esses teus textos, exceto os de futebol, já que não sou tão chegado no assunto. Mas foi bom relembrar e ler novamente alguns deles

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