Pequeno guia de informações e orientações úteis para clientes novatos ou desacostumados na rede de lanchonetes Subway

meet-subway

O Subway não é uma prova do Enem – Porque ninguém no MEC vai anular o seu sanduíche se você já chegar no balcão sabendo as respostas. Não que uma pessoa não possa hesitar, se questionar ou considerar necessário um ou outro segundo de reflexão na hora de escolher ingredientes chave – incluir ou não molho chipotle num sanduíche que já envolve carne processada de pernil pode ser sim considerado uma decisão de vida ou morte – mas é interessante que, para facilitar a vida de todos, a pessoa ingresse na fila tendo pelo menos um panorama geral dos seus interesses em termos de pão, recheio e saladas ou ao menos a convicção de que quer realmente o tipo de sanduíche comercializado ali, para que não aconteça como na semana passada em que eu fui até o Subway do Largo do Machado e uma garota na minha frente perguntou se eles serviam cachorro quente. Sério, eu não estou de sacanagem

Não há nada que um funcionário possa explicar que uma placa não diga mais claramente – Outra atitude simples mas que pode facilitar a vida de quem consome os produtos do Subway é a de nunca, mas nunca mesmo, absolutamente nunca, perguntar nada para os funcionários, já que aparentemente eles não passam por um treinamento convencional e sim por uma espécie de condicionamento psicológico/lavagem cerebral, mais ou menos como certas seitas obscuras fazem com seus fiéis e os vilões do James Bond faziam com seus assassinos treinados.

Isso faz com que qualquer resposta para as perguntas “15 ou30 cm, senhor?” ou “tomate, alface e cebola?” que fuja dos parâmetros pré-estabelecidos seja recebida com um nível crescente de confusão e descrença, que irá não apenas desestruturar totalmente a linha de produção- soube de histórias envolvendo uma senhora que pediu rúcula apenas pra ver o funcionário tendo um derrame no instante seguinte – como possivelmente gerar uma resposta vazia, errada ou que apenas consiste na mesma pergunta que você fez, só que destituída do ponto de interrogação. Ou seja, quer saber de alguma coisa, olhe nas placas e caso a informação não esteja explicitada claramente em nenhuma delas apenas aceite que a dúvida é o preço da pureza e é inútil ter certeza. Se vale pro Humberto Gessinger vai funcionar pra você também.

Não existem ingredientes secretos ou bloqueados – Uma idéia profundamente arraigada nas mentes de diversos consumidores é o conceito de que existem ingredientes secretos ou bloqueados que não são livremente oferecidos para todos os clientes mas sim reservados para aqueles que se dispuserem a perguntar por eles, indo desde carnes especiais até vegetais premium ou apenas “uma alface mais bonitinha, porque essa tá esquisita”.

Essa visão, provavelmente fruto da incapacidade da nossa sociedade de castas de entender que independente de credo, cor ou raça vamos todos comer a mesma azeitona preta de aparência questionável ou apenas do fato de que alguns clientes tem tanto terror de aspargos que precisam confirmar o fato de que eles efetivamente não estão escondidos em algum outro compartimento da loja – “vocês definitivamente não tem disso aqui, certo? nem na cozinha? me mostra os seus bolsos” – é não apenas uma das razões principais para a demora nas filas como também fonte de alguns dos diálogos mais absurdos que você pode ouvir numa fila de fast food, como naquela vez em que a moça disse que se estivessem sonegando couve-flor ela iria processar a rede inteira.

Não existe o conceito de “capricha” – O Subway, como todas as redes alimentícias focadas em sanduíches ao redor do mundo, busca trabalhar ao mesmo tempo com os conceitos de customização e padronização. Customização porque você pode, dentro das opções oferecidas, montar o seu sanduíche ou pedir alterações num projeto de sanduíche já existente, mas padronização no fato de que os ingredientes e porções seguem um padrão específico que deve ser seguido por todas as filiais. Ou seja, da mesma forma que um big mac servido no rio tende a seguir o mesmo padrão que um big mac servido em são paulo, um bmt servido em curitiba tende a, se pedido com as mesmas especificações, ser exatamente igual a um bmt servido em belo horizonte, mantendo as mesmas proporções e definições.

Ou seja, qualquer idéia de que, após feito o pedido, você pode obter algum tipo de ingerência sobre o resultado final usando frases como “capricha no peperoni”, “coloca mais tomate”, “cebola pode jogar um monte” ou “não despeja a maionese, apenas dá um leve toque com o tubo no pão…isso…assimmmmm” não passa de ilusão, já que as porções serão sempre, por definição, iguais. E claro, também é legal pontuar que quando você pede pra garota encostar no seu pão apenas a pontinha do tubo de maionese a fila toda vai te olhar de uma forma bem esquisita. Quer dizer, ao menos eu fiquei receoso de chegar muito perto do cara na hora de ir pro caixa.

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23 Comentários

Arquivado em Crônicas, crise de meia meia idade, Desocupações, Gente bizarra

23 Respostas para “Pequeno guia de informações e orientações úteis para clientes novatos ou desacostumados na rede de lanchonetes Subway

  1. Leandro Davico

    Adorei o guia. Pode agora produzir um do Delírio Tropical por favor.

  2. Eu não sei se é todo o conceito envolvendo sanduíches saudáveis do subway, mas toda vez que como lá me sinto ludibriada e pensando: por que eu não fui no Burger King?

  3. Shibbo

    Puta que pariu, essa merda desse blog está cada vez mais genial.

  4. Charles

    Vocês também percebem olhares maliciosos dos atendentes quando eles perguntam “15 cm ou 30 cm” ?

    • joão baldi jr.

      Teve uma vez no Subway em que eu vou que uma garota respondeu “30 cm” e o atendente replicou com um “ahhh, gulosa”. Não sei a quantas anda o processo judicial relacionado.

  5. Marcos Alves

    Segundo um amigo meu, o cara na frente dele no subway olhou para a atendente e disse: quero tudo que eu tiver direito aí!
    Realmente não faz mal chegar com uma idéia prévia do que vai pedir.

  6. Lucas

    Olha, texto genial, o mundo seria melhor se todo mundo lesse isso mas vou discordar de você na questão do “capricha”. Capricha funciona, se você souber apelar na piada bem sucedida, se tiver um sorriso maroto na cara ou se você for tão indiscutivelmente atraente sexualmente que até o gerente colocaria um pouco mais de alface pra você (raramente vai ser o caso). Quando eu era atendente de loja, pra me ganhar bastava quebrar o automatismo, ser um cliente engraçadinho, diferente ou qualquer coisa. Não no sentido imbecil da coisa, tem um jeito certo de fazer isso. Nesses casos eu dava desconto, e nos outros não.

    Esses tempos eu tava na rodoviária do tietê em véspera de feriado e aquela porra tava um inferno, e eu estava com fome e resolver comer no bobs. Tinha tanta gente que eles tavam produzindo um tipo de lanche só, pra dar vazão na demanda. Aí eu pedi outro, a moça disse que não tinha, e eu falei “mas moça, eu tô com fome, preciso de algo maior que isso” e ela disse “só tem esse”, aí eu retruquei “moça, capricha nesse lanche então”, ao que ela disse “relaxa, eu te dou mais um”. E ela me deu mais DOIS LANCHES (sim, pqguei um, levei 3), não cobrou nenhum deles e disse assim “eu odeio esse lugar e gostei de você, pega os lanches e não conta pra ninguém”.

    Os fast foods podem padronizar o quanto quiserem, sempre vai ter um funcionário que odeia a empresa mais ainda do que odeia os clientes pra levar o sério o seu “capricha”. O mecanismo é: “já que eu não posso fazer nada contra esse gerente filho da puta, vou entupir esse sanduíche de presunto só pra ver se a loja tem prejuízo e ele se ferra”.

    • joão baldi jr.

      É, vendo essa sua colocação e relembrando meus tempos de atendente de telemarketing eu sou obrigado a concordar que faz sentido

    • akemi

      “capricha” não funciona se você é o meu pai, um senhor japonês vegetariano de 60 anos que faz piadas “é pavê ou pacomê”-like.
      a moça bem que colocou mais alface, mas foi com tanto ódio que sinceramente não sei como ele não morreu engasgado.

  7. Eu parei de ir no Subway quando eles começaram a colocar o queijo de forma certa no pão. Aquela era a minha maior fonte de frustração e era a melhor desculpa pra um dia ruim, e os putos me tiraram isso. “Nana, você está estressada hoje” “Sim, colocaram o queijo do lado errado no pão” e pronto, empatia total. “Nana, você está estressada hoje” “Sim, meu cachorro morreu minha irmã está de TPM meu TCC não foi acei-” “Poxa que pena, tchau”.

    Vê? Eu tinha todo um mundo criado a partir da desculpa de que o Subway não sabia colocar o queijo no pão e eles me puxaram o tapete.

  8. E metade do motivo pq eu abro o seu blog no browser e não no Reader são as tags.

    “largo do machado é só magia”. Intrigante.

  9. Eric

    Sempre me sinto um pouco mais gay quando peço um “italiano, branco, de 30cm”

    Pelo menos os italianos são charmosos.

  10. Quando me perguntam “Alface, tomate e cebola?” gosto de responder “Com exceção de pepino e rúcula, senta o dedo nessa porra” só pra ver o atendente dar tela azul.

    Eu e o coringa só queremos ver o mundo pegar fogo, meu querido.

  11. O Subway tem o conceito de padronização mais despadronizado do universo. Em cada lanchonete que você vai, com cada atendente, vem uma quantidade diferente das coisas. Em Minas você pode colocar quantos molhos quiser, em Macaé só 2, no Rio só 1. Fora que uma atendente do Subway do Manoel Honório em JF sempre colocava três (!!!) pedaços de azeitona e eu reclamava e ela dizia que era padrão e vinha outra e colocava cinco.
    Teve um dia que eu fiquei tão puto que eu jurei que da próxima vez que acontecesse isso eu iria falar que então eu não queria mais o sanduíche e ia voltar pra fila pra pedir outro. Eu ainda devo isso pra mim mesmo, quando eu fizer eu te conto.

  12. marcos

    ê classe média…

  13. Mas existe um ingrediente secreto no Subway. Quer dizer, existia. E não exatamente um ingrediente secreta, mas uma combinação secreta de ingredientes existentes. Explicando: enquanto a maioria dos Subways de Belo Horizonte seguia à risca as instruções de montagem de cada sanduíche, havia uma única loja onde eles respondiam positivamente ao meu pedido para colocar o molho da almôndega no sanduíche de frango, ou no Club.
    Depois de alguns anos fazendo isso sempre que ia ao Subway (sempre nessa mesma loja camarada), a rede viu que minha ideia era boa e lançou-a comercialmente com o nome de Frango Marinara.
    (Prevejo o lançamento comercial do Club Marinara para o próximo verão. Caso não aocnteça, “Club Marinara” já é o nome da banda de electrohouse que eu nunca vou ter.)

  14. Carlos

    O molho barbecue nao está nos cartazes, mas existe? Seria um quase ingrediente secreto?

  15. Adorei o guia. Pode agora produzir um do Delírio Tropical por favor. [2]

  16. Como sou vegetariana eu sempre pedia um baratíssimo sem carne, porque tinha uma época que o bendito vegetariano era mais caro. Como cobrar mais caro para não por aquele pau branco, seco e estranho? Enfim, as tia pirava… minutos depois de muita explicação(“Come o frango mais tarde! Leva pra casa! Dá pro próximo da fila um frango extra! JOGA ESSA PORRA NO LIXO!”) elas percebiam que era algo justo e não ia fazer diferença na vida delas.
    E quando eu queria por mais picles pela falta da carne era outra discussão basica. A vida é muito hilária mesmo, graças a Deus meu bom humor ameniza a falta de paciência alheia. LOL

  17. CARO JOÃO,
    Queria te contar que uma vez eu estava no Subway (sofro de veganismo, então já comi muito lá) e cheguei ao balcão dizendo tudo que queria: por favor, me vê um integral vegetariano 15cm.
    A atendente me olhou como se eu tivesse botado a buceta pra fora e gritado “ENFIA A LÍNGUA NO MEU GRELO”. Coisa que eu nunca fiz. Em público.
    “Bem-vinda ao Subway. Qual o seu pão?”
    Eu achei que ela não tinha ouvido bem, o que também explicava a cara de azedume. Repeti: “Integral 15cm vegetariano, por favor”.
    Ela pegou o pão integral, se virou e me perguntou: “Qual o tamanho?”.
    Comecei a pensar se o problema não era eu estar usando a ordem errada das coisas. Falei: “Um vegetariano de 15cm”.
    Ela cortou ao meio e me perguntou qual o recheio.
    EU.
    JURO.
    Pensei que, de qualquer maneira, já havia dado as informações necessárias e só respondi que queria o vegetariano, mas sem queijo.
    Claro que você pode imaginar que ela me perguntou qual queijo eu queria exatamente 3s depois. Aprendendo a minha lição, me limitei a responder que não queria nenhum, sem adicionar a informação de que queria quente antes que ela me perguntasse.
    Tá. Volta o meu pão quente e ela pergunta: “Tomate, alface e cebola?”. Fiquei num impasse, mas decidi responder “Toda a salada, por favor” porque era uma informação só, de uma vez, sem rodeios, sem mistérios, sem margem para outras interpretações.
    Ela botou tomate, alface e cebola e me perguntou se eu queria rúcula.
    Gente. Gente. Gente. Eu já fui caixa de lotérica, sei como as pessoas tratam atendente mal à toa, já ouvi muita patada de cliente mal-educado e sempre tentei ser o mais educada e simpática possível com aquela pessoa que, como eu, ganha um salário de merda pra ter sua cabeça cagada. O máximo de educação que me permiti dessa vez, no entanto, foi responder “Toda. A. Salada. Por favor” com cara de quem estava prestes a completar “e esquenta no TEU CU”.
    Claro que ela foi perguntando item por item mesmo assim.
    Claro que ela me falou o nome de todos os molhos mesmo que eu já tivesse respondido que só queria um pouco de azeite e cebola agridoce.
    Claro que ela atirou meu sanduíche na bandeja como se tivesse merda dentro.
    Claro que ela deve ter achado um jeito de cuspir no meio sem eu ver.

    E é isso, tirei um enorme peso dos meus ombros. Obrigada.

    Beijo,
    pessoa do formspring.

  18. Adriano

    Parabéns pelo “guia”:-)
    Mas você está enganado. Existem 2 ingredientes secretos. Se você reparar, os funcionários não estão mais oferecendo picles nem azeitonas. Só adicionam no sanduiche caso seja solicitado. A idéia é retirá-los do cardápio – afim de menos sódio e, propaganda em cima disso.

  19. Genial!
    Na primeira vez fiquei muito perdida, mas agora já tenho tudo pronto na cabeça. Ri demais dos comentários também, acho que vou testar um dia pra ver a cara de desespero deles hahaha

  20. juba

    Sobre não ter um ingrediente na cozinha ou nos bolsos: Veja a revisão do Consenso Brasileiro de Alergia Alimentar feita em 2013. Alérgico costuma levar a própria marmita, mas acidentes acontecem

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