Pessoas com quem você não quer topar durante uma reunião #97, #98 e #99

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#97 – O Ted Mosby: Um contextualizador obsessivo, o Ted Mosby sente uma necessidade incontrolável de, diante de qualquer questão, por mais simples e inócua que seja, oferecer um panorama completo, histórico e detalhado de todos os aspectos relacionados ou não, conseguindo transformar qualquer discussão, mesmo que absolutamente superficial, numa verdadeira palestra. Ele não consegue falar sobre o fluxo de caixa sem apresentar o plano de negócios, não consegue apresentar o projeto sem discutir a missão, não consegue citar o nome de alguém sem mencionar toda a equipe, incluindo background, formação e habilidades específicas e certa vez, quando alguém perguntou quem tinha feito aquele café delicioso ele começou com a frase “a história do café começou nas terras altas da etiópia no século IX…” e todos só conseguiram sair da sala quando o cara da segurança apareceu pra dizer que precisavam apagar as luzes.

Costumam se desenvolver em ambientes nos quais falta liderança, pulso firme ou apenas alguém com coragem de fazer que nem aquelas garotas do programa Fantasia e apontar seguidamente para o relógio. Quando confrontado com o Ted Mosby a melhor solução é apenas simular um outro compromisso e sair da sala, já que qualquer frase do tipo “mas você não poderia focar mais no assunto da pauta?” levará a uma discussão aprofundada da etimologia da palavra pauta. E eu não tô zoando, eu já vi isso acontecer.

#98 – O questionador de premissas: Um subproduto da constante cobrança no ambiente corporativo por profissionais que “pensem fora da caixa” e da incompreensão de muitos jovens diante dos conceitos de inovação e criatividade de alguns empreendedores modernos, o questionador de premissas é aquele cara que acha necessário desconstruir todo e qualquer conceito apresentado, por mais simples que ele seja e por mais que essa desconstrução não apenas não vá acrescentar nada ao projeto como também vá gerar ruído, confusão e possivelmente quatro horas de discussão que não vão levar a nada além de uma ata de reunião que lembra demais uma música do Blur.

Se você, numa reunião inicial de um projeto para realização de um vídeo institucional, topar com um cara que ao invés de perguntar “pra que é o vídeo?” ou “qual é o público?” diz “mas antes a gente devia pensar: o que é comunicação? o que é institucional? o que é vídeo? por que sentamos em cadeiras?”, saiba que você está diante de um QP e a melhor rota de ação é apenas não convidá-lo para as próximas reuniões ou enviar a ele um convite falso dizendo que a reunião vai ser na copa, porque a tia do café sempre adora um pouco de atenção.

#99 – A pessoa sem vida: Um dos grandes pesadelos de qualquer equipe, o colega sem vida é aquela pessoa que, diante de propostas abusivas da chefia como videoconferências até as 20:00 numa sexta ou reuniões decisivas numa volta de feriado, reage de forma positiva e até ansiosa, baseado apenas na sua própria ausência de coisas melhores para fazer, minando o poder de resistência do resto da gerência já que o chefe sempre vai poder soltar alguma coisa do tipo “mas porque o Celso pode estar aqui domingo seis e meia da manhã fantasiado de galinha para a apresentação do projeto e vocês não? cadê o comprometimento? esperava mais dessa equipe”.

No caso da pessoa sem vida a melhor abordagem é aproximação, reforçando os laços de camaradagem e polarizando o colega para o lado da equipe. Caso isso não funcione o próximo passo são as ameaças veladas, seguidas de intimidação as claras e por fim se aproveitar da ausência de amigos e familiares para dar sumiço na pessoa sem deixar pistas. Recomenda-se o uso de luvas para evitar problemas com digitais

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12 Comentários

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12 Respostas para “Pessoas com quem você não quer topar durante uma reunião #97, #98 e #99

  1. Naiara Costa

    Celso e a clara alusão ao Portiolli.
    Sempre achei que o horário de domingo de manhã ao vivo no sbt era aquele que sobrava e só ele tava disposto a aceitar.

  2. Pessoas sem vida são o maior perigo. E essa solução definitiva hahahaha?

  3. Henrique

    Me senti mal pela pessoa sem vida. (Acho interessante usar um tipo de touca também, vale até meia calça. Assim como digitais, fios de cabelo podem te conectar ao crime. A propósito, sempre fico pensando nisso em Dexter: às vezes ele invade casas todo cuidadoso com um par de luvas, mas não está nem aí para o cabelo. Enfim, divaguei.)

    Outra coisa, essas entrevistas em Office Space são muito boas.

    • ThiagoFC

      Cara, esse lance sobre o Dexter faz sentido…

    • Imagina quantos fios de cabelo há no chão de um cômodo qualquer (pra ter uma noção basta ficar sem varrer a casa por uma semana), dificilmente uma equipe forense vai analisar tds os fios encontrados e cruzar com dados de DNA, etc. Ou seja: virtualmente impossível ser incriminado assim.

      Não, eu não sou serial killer e não pretendo assassinar alguém. Mas, é sempre bom estar preparado.=D

  4. ThiagoFC

    Muito embora eu não saiba quem é Ted Mosby (deveria saber?), me identifiquei muito com os itens 97 e 99. O que, além de preocupante, é um indício de que eu já devo começar a procurar meu próximo emprego.

  5. conheço uma pessoa que nesse caso, é 3 em 1. mas, ele é legal e para de falar quando começa a zoação. (:

  6. Meus pais são Ted Mosbys. Ainda bem que eu já sei como eles se conheceram.
    Mas os que eu mais odeio são os Questionadores de Premissas. Mas aí a gente pára pra pensar: o que é uma premissa? Quem definiu que aquilo seria uma premissa? Qual é a premissa da premissa?

    Vamos refletir.

  7. Eu já fui uma pessoa sem vida (muita vergonha)…no secundário. Não era bom nem para mim.
    [Peço muitas desculpas à todos os lesados.]

  8. Eu sou Mosby, descontado os excessos. =/

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