2013 e a pequena morte das grandes resoluções

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De todas as promessas de ano novo que fiz envolvendo os aspectos mais diversos da minha vida, desde dar mais atenção para as pessoas até parar de culpar a tim quando não quiser atender ligações, passando por não usar minha mãe ou minha namorada como pretexto para não participar de eventos e nunca mais mencionar religiões que eu não sigo como desculpa para não provar comidas, uma das que eu concluí que precisava levar mais a sério era a de tentar olhar o mundo com menos hostilidade.

Isso porque, apesar dos grandes momentos positivos, das pequenas conquistas, e dos ursinhos de geléia, 2012 pra mim acabou ficando marcado como o ano em que eu me tornei uma pessoa hostil. Nesse ano que acabou eu briguei com namorada, xinguei taxistas, ofendi amigos, praguejei no trabalho, gritei com pessoas no metrô e num dado momento cheguei a efetivamente discutir com uma porta, o que me fez entender que quando você  está se comportando como um personagem de um seriado da zooey deschanel você realmente precisa repensar as suas atitudes.

E mais do que em todos os outros aspectos da minha vida, eu decidi que precisaria me dedicar especialmente a evitar a hostilidade no meu trabalho. Isso porque nesse ano eu parei de cumprimentar colegas, fui ríspido em reuniões, desliguei o telefone na cara de algumas pessoas, bloqueei outras no messenger e deixei meu temperamento, outrora contido e amável, escalonar de tal forma que durante o mês de dezembro me envolvi numa discussão com uma gerente na qual eu chamei ela de mentirosa, ela me chamou de infantil e eu disse que ela estava enganada porque ela nunca me viu sendo infantil de verdade – e sim, uma das minhas resoluções pra 2014 vai provavelmente ser “aprender a ameaçar pessoas de uma maneira que não insinue que eu vou prender a respiração até sufocar”.

Daí então minha decisão foi de tentar começar o ano de coração aberto. Ignorar qualquer animosidade pessoal, seguir com a cabeça fria, respirar fundo, esquecer problemas do passado, manter totalmente longe do meu pensamento o fato de que no segundo semestre de 2012 me pediram pra fazer um aviso de não jogar papel no vaso sanitário, eu perguntei se era sério, me disseram que era, eu enviei o texto, me pediram revisão, eu revisei, me pediram revisão de novo, eu mandei, voltaram ao texto que era no começo (“favor não jogar papel no vaso sanitário”), me pediram pra colar no boxes do banheiro, eu perguntei se era sério, me disseram que era sério, eu disse que achava vacilo, me disseram pra pedir ajuda pro cara da manutenção, eu pedi ajuda pro cara da manutenção, colamos os cartazes, cinco minutos depois eu fui ao banheiro, tinham jogado todos os cartazes no vaso, eu fiquei meio chateado. Ou seja, eu fui pro meu primeiro dia de trabalho querendo começar 2013 zerado, sem lembrar de rixas antigas, sem me irritar previamente, sem descontar problemas pessoais nos outros e principalmente sem chorar e ranger os dentes sempre que eu entro no banheiro. A galera meio que estranha, você podem imaginar.

E logo no primeiro dia eu vi que alguém tinha usado meu computador e deletado meus arquivos de trabalho. Outra pessoa tinha sumido com as chaves tanto da minha gaveta pessoal quanto do armário onde ficam as câmeras. Minha mesa estava entulhada com papelada de um cara chamado Zé Ricardo. Minha colega de trabalho que teve 30 dias pra concluir apenas uma demanda que eu não tinha conseguido completar antes das férias, havia me deixado um bilhetinho dizendo “acho que vai ficar pra você :p”. Alguém tinha enrolado o fio do meu telefone até ele parecer um miojo e meu teclado tinha desaparecido e no lugar dele estava um pote transparente com restos de biscoito. Sequilhos. Nesse momento acabei de voltar do bebedouro, onde esmaguei um copo vazio com as mãos e posso ou não ter gritado “malditos!”. A recepcionista nova provavelmente já me acha meio esquisito.

Desculpa aí, 2013, acho que não vai rolar.

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17 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, Vacilo, Vida Pessoal, vida profissional

17 Respostas para “2013 e a pequena morte das grandes resoluções

  1. Bom cara, o que dizer, né? Talvez seja a hora de fazer uma terapia de grupo com o pessoal do seu trabalho.

  2. ThiagoFC

    Esse lance do aviso do papel no banheiro é sério, de verdade?

    É, belo texto para se ler na manhã do primeiro dia de trabalho em 2013…

  3. iza

    você me lembrou um amigo meu, que trabalha com um Bonifácio, apelidado como bonny (pois? é?) que quando manda bilhetes do tipo “acho que vai ficar pra você :p” está tendo momentos produtivos.
    cara, mas o negócio do aviso foi tenso. momento enrolar diploma, botar na vertical e fazer pole dance ao som de macarena detected.
    boa sorte.

  4. Descreio que te pediram para fazer um aviso de no banheiro, e que logo depois dos avisos ficarem prontos, alguém jogou todos eles no vaso.

    • joão baldi jr.

      sinceramente não acredito que tenha sido uma ação coordenada, com alguém passando e jogando todos, mas sim um movimento espontâneo no qual todos os caras que usam o banheiro acharam que seria engraçado jogar no vaso o papel que dizia pra não jogar papel no vaso

  5. Complicado quando você se prepara pra resoluções de ano novo e as pessoas não fazem isso e fica meio descoordenado e tal. Tinha que ser em conjunto isso ai.
    Mas muito vacilo a parada do cartaz, isso não se faz porra.

  6. Lucas

    joão luis jr, estou oficialmente te convidando pra criar e roteirizar uma versão brasileira de the office (the office brasil, the office brazil, altas aventuras na firma, “firma, louca firma”, decidimos o nome depois) comigo.

    • joão baldi jr.

      eu votaria pela exibição no sbt com o título “the office: um escritório muito louco”

      • Ronaldo Milani

        eu sei que é fóda mas esses dias eu vi passando na record aquela comédia chamada “outsourced”. o nome ficou: aprontando na índia.

  7. Walter Romano

    :-) Curti, João. Desconta tudo na pelada!

  8. Muito bom João! Cada vez melhor aliás!!!

    Prometheus:
    http://ocinematografo.blogspot.com.br/

  9. André

    Cara, tenta fazer stand-up ao invés de cartão pro banheiro.
    Ta perdendo tempo, muito vacilo haha

  10. Calma, isso aí são as reações contra tudo o que você já vinha fazendo de “errado”. Ou espera equilibrar e anular ou liga o foda-se e manda as energias de volta pra lá hehehehe

  11. Nádia

    você é o nick miller!!!!!1

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