Do eterno dilema bumbum/virilha

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E então você está lá com a gatinha no cinema. A noite é bonita, a conversa é interessante, a previsão do tempo garantia chuva mas o único clima que você consegue perceber é de romance. A pipoca está gostosa, as balinhas estalam na boca com doçura e a vida parece curta, mas não tão curta quanto aquela sainha sensacional que ela está usando – você já consegue imaginar aqueles belos joelhos tocando os seus durante essa simpática sessão cinematográfica. O filme é de terror, ela disse que sente medo, perguntou se pode segurar a sua mão e você sente que a vitória se aproxima, o sucesso é garantido e antes do final da noite você já vai ter chamado aquela linda de Terra de Vera Cruz e colonizado aquele corpinho todo.

Homem moderno, você cedeu aos apelos da moça para que ela mesma comprasse as entradas e se dirige, galantemente, para as prometidas poltronas que se localizam ao fundo e ao centro, coordenadas perfeitas para a melhor fruição da obra cinematográfica. Chegando lá você nota que, mesmo elegantemente adiantados para a sessão, vocês chegaram após um grupo de outras pessoas que, dada sua quantidade, não pode levantar integralmente para que vocês alcancem seus lugares, sendo necessário portanto que vocês passem no vão entre essas pessoas e as poltronas imediatamente à frente se quiserem se sentar nas simpáticas poltronas.

Porém, ao invés do natural automatismo do “passa, passa” que costumeiramente te dominaria numa situação dessa, você se vê refletindo a fundo sobre a forma mais adequada de passar e diante de um pequeno dilema. Passo de frente pra tela e de bunda pros caras? Isso parece ruim. Eu não quero minha bunda perto do rosto de uma pessoa, da mesma maneira que não gostaria de, se fosse essa outra pessoa, ficar com a bunda de um cara na minha cara. Não soa bacana, não soa confortável, não soa nem mesmo cristão. Passo de costas pra tela então, com a bunda virada pra ela? Mas aí eu passaria com a virilha na direção do rosto de estranhos, correto? É lá que fica o meu pênis. Não seria uma boa. Não me sinto confortável, vai que eu encosto meu pênis em um deles? Eu gostaria que minha avó, por exemplo, estivesse sentada ali e um cara passasse com os genitais no campo gravitacional do rosto dela?

E a questão se desenrola na sua mente. As balas já não estalam mais doces, as pessoas das poltronas parecem ansiosas, um lanterninha se aproxima para perguntar o que houve, mas nos seus olhos encontra apenas vazio e confusão. Você imagina que a garota já deve estar voltando do banheiro, mas não sabe o que fazer, não consegue se decidir,dá dois passos pra trás, finge que vai olhar algo no celular. Virilha ou bunda? Bunda ou virilha? Alguma coisa vai ter que ir, de alguma maneira você vai ter que ceder, mas você não consegue se decidir.

Joga as balas no chão, corre pra casa, não olha pra trás. Se tranca no apartamento, avisa que não vai trabalhar no dia seguinte, não atende o telefone, desliga as luzes. Semanas se passam, a família invade a casa, você não consegue falar de forma coerente, vai pra uma clínica na serra, repete em momentos aleatórios as palavras “bunda” e “virilha”, não consegue sentar em cadeiras, chora quando falam em cinema, nunca mais viu um filme. Enquanto isso Juliana, a garota do cinema, que chegou do banheiro e encontrou apenas um balde de pipoca jogado no chão perto das poltronas, se lamenta com uma amiga porque realmente não devia ter falado tanto da família no começo do primeiro encontro, isso afasta os homens.

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4 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, crise de meia meia idade, Declaração de princípios, homens trabalhando, situações limite, Vacilo

4 Respostas para “Do eterno dilema bumbum/virilha

  1. ThiagoFC

    Mais alguém consegue perceber a referência ao Clube da Luta?
    (Pô, tadinha da Juliana. Ficou tão traumatizada que não quer mais sambar… Ok, essa foi péssima, parei.)

  2. Oliveira

    Aprendi essa com Tyler Durden.

  3. Acho que os seres humanos tem dilemas um pouco maiores do que esse, haha, mas foi engraçado.

    Fiquei esperando alguma história com sexo no meio, principalmente depois do primeiro parágrafo..

  4. Sempre virilha, pois o pênis é de ataque e a bunda de defesa. E você não pode deixar sua defesa exposta.

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