A mais longa playlist de músicas tristes (ou relativamente tristes) do universo: itens #556, #557, #558 e #559

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#556 – Peter and Kerry – Split for the city: Baseada no terror inato e primordial de não estar lendo os sinais, não estar pegando as deixas, não estar entendendo as pistas e ela estar fazendo as malas pra ir embora e levando o gato enquanto você apenas se pergunta porque uma bolsa tão exageradamente grande só pra ir comprar o café que acabou – “e você sabe que o Willie sempre espirra quando você leva ele nessas padarias” – essa cançãozinha disfarça como pop vagamente dançante um monstro lovecraftiano mais perverso e aterrorizante que Cthulhu, que é o “eu ainda te amo mas acho que não estou mais apaixonada por você”. Para pistas de dança com espaço para você se deitar em posição fetal enquanto bebe vodka de canudinho.

#557 – The Rakes – Little Superstitions: Outra canção que entra em contato com o medo primal de estar se dedicando plenamente a um relacionamento enquanto seu parceiro reclama da ausência de atualizações no Tinder para Android, ela percorre toda a estrada lamentável do começo racional e do apelo passional até a percepção lamentável de que você tá se declarando seu amor, num telhado, pendurado num balão, com uma banda ao fundo, tocando a música favorita dela num piano que você construiu com madeira que você mesmo cortou e entalhou, tudo isso enquanto ela se reveza entre o grupo de amigas dela no whatsapp e um gibi do Chico Bento. Você sempre preferiu o Cebolinha. Para ouvir durante uma corrida naquele parque longe de casa onde você não vê problema em chorar porque as pessoas vão pensar que é por causa do seu peso.

#558 – Sondre Lerche – Goodnight: Uma espécie de imenso sms de bêbado enviado após uma noite lamentável de mojitos e itaipava premium nas cercanias do Largo do Machado, a música reflete de forma clara aquele estado de carência alcoólica em que o lirismo e a ousadia te dominam e você acha que sim, é possível que uma mensagem de 500 caracteres enviada por volta das 03:50 de quarta feira consiga reunir não apenas um profundo apelo emocional, pra que ela saiba que você tá sentindo saudade, mas um lado terno, pra que ela saiba que você quer oferecer carinho e também uma insinuação sutil de que você também tá nessa pelo prazer sexual – “sabe duas coisas que eu sinto saudade? seus peitos”. Recomendada para cantarolar bêbado após voltar da Praça São Salvador se perguntando se o amor é verdadeiro, se ela está pensando em você e se pedir pra fazerem um sanduíche com aquela carne assada da vitrine do boteco foi mesmo uma boa ideia.

#559 – Hellogoodbye – Coppertone: Uma canção sobre pânicos pessoais, terrores diurnos e aquele gif em que o cara começa a tremer de olho aberto e aí do nada aparece escrito na tela “daymare”, relata aqueles momentos de insegurança injustificada em que está tudo bem, você sabe que está tudo bem, ela sabe que está tudo bem, você já conversou com uns amigos seus que disseram que parecia que tava tudo bem mas você não consegue tirar da sua cabeça a sensação de que não apenas não está tudo bem como, mesmo se estivesse, essa sua constante pilha de achar que não está tudo bem ainda iria acabar conseguindo fazer tudo dar problema. Para ouvir no carro enquanto ela saiu pra buscar a bolsa no apartamento e você ficou com medo de ela conhecer alguém no caminho entre a garagem e a porta de casa, mas pular o final quando ela voltar e alegar que  “nossa, nada de bom na rádio hoje, né?”

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1 comentário

Arquivado em Desocupações, Músicas e derivados, Music Review, Song-Book

Uma resposta para “A mais longa playlist de músicas tristes (ou relativamente tristes) do universo: itens #556, #557, #558 e #559

  1. Ahaha, ainda bem que não conheço nenhuma dessas músicas! Será que isso é ruim?

    http://ocinematografo.blogspot.com.br/

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