Mais adições ao guia pessoal de desconfortos do cotidiano

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#Ser apresentado a uma pessoa, não conseguir guardar o nome dela, não ter mais contato com ela, não se preocupar. Meses depois topar com essa pessoa por acaso, descobrir que ela guardou seu nome, descobrir que ela por alguma razão está interessada em falar contigo. Ter momentos de terror durante uma conversa na qual ela se refere a você pelo nome em toda e cada uma das frases, o que apenas evidencia o quanto você não sabe o nome dela, já que ela se refere a você como joão e você se refere a ela como “cara”, “velho”, “prezado”, “dileto”, “querido” e “bacharel”, o que parece uma referência aos trapalhões mas é apenas um sinal de desespero. Passar o resto da vida evitando essa pessoa em ocasiões profissionais e pessoais mesmo que pra isso você precise atravessar ruas, trocar de vagão no metrô e num dado momento abandonar um prato semi-feito num restaurante self-service.

#Recusar uma carona na volta do futebol por não conhecer direito a pessoa que te ofereceu e ficar com medo da obrigatoriedade conversacional gerada pelo fato de estar sozinho no carro de outra pessoa recebendo um favor com a alegação de que “pô, não precisa, moro aqui perto” apenas para ser visto por essa pessoa quinze minutos depois, descendo de um ônibus, no exato momento em que ela estaciona o carro no prédio dela, na mesma rua que o seu. Passar o resto da vida evitando essa pessoa em ocasiões profissionais e pessoais mesmo que pra isso você precise sair bruscamente de banheiros, esconder a cara dentro de livros e num dado momento abandonar outro prato semi-feito no mesmo restaurante self-service, te levando a considerar que pode ser uma boa evitar o local.

#Estar numa reunião que acaba descambando para o papo descontraído e apesar da sua política de impessoalidade no ambiente de trabalho, que consiste em oferecer sobre sua pessoa apenas informações vagas – “eu vim de…minas e tenho…uma…mãe” – e nunca se envolver em discussões que possam descambar para qualquer tipo de polêmica – “ah, pena de morte eu acho que bem…é complicado. papo de morte, né? morte é uma coisa complicada…pra quem fica…e pra quem vai” – acabar momentaneamente se descontraindo, pensando por algum segundo que está cercado por amigos e não por colegas de trabalho e fazer uma das suas piadas costumeiras que pode ou não dar a entender, para alguém que não te conhece, que você tem uma relação menos que saudável com cadáveres de animais aquáticos. Passar o resto da vida evitando essas pessoas em ocasiões profissionais e pessoais mesmo que pra isso você precise desmarcar reuniões, mentir para sua chefe e num dado momento abandonar de vez aquele restaurante self-service e começar a almoçar a duas quadras do trabalho, só por via das dúvidas.

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7 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, Desocupações, Rio, situações limite, Vacilo, Vida Pessoal, vida profissional

7 Respostas para “Mais adições ao guia pessoal de desconfortos do cotidiano

  1. Republicou isso em Só mais uma coisa…e comentado:
    Pelo fim das conversas de elevador!

  2. Recusar carona com medo da obrigatoriedade conversacional é algo praticado por boa parte da população. Pior é quando alguém, que você mal conhece, não vai com a cara e não tem interesse em manter uma conversa te pergunta:

    – Você vai pro lado A?
    – Não, vou pro lado B! Responde você que vai para o lado A.
    – Beleza, preciso de carona pro lado B, pode me levar?

    E aí vai você, desconfortável em seu próprio carro, indo para o Lado B levar a pessoa e depois contornar todo o caminho até o lado A para poder chegar ao seu destino.

  3. Naiara Costa

    Resumão da minha vida.
    Lembrei de quando fiz sem querer uma piada altamente pesada (envolvendo sexo anal) no antigo trabalho e tive que almoçar sozinha na copa por 2 meses até pedir demissão. Estranho que hoje em dia sou amiga do pessoal do antigo trabalho… vai entender.

  4. Pior é quando se trata de cidade pequena e é preciso ir embora de lá. Porque cidade pequena, fofoca vai, fofoca vem e de repente todos sabem do que aconteceu e todo mundo te olha porque não quis aquela carona como se você um serial killer tentando desesperadamente conter seus instintos assassinos.

    http://ocinematografo.blogspot.com.br/

  5. Essa da carona é clássica! Já fingi que tinha marcado de encontrar com uma amiga na faculdade pra não ir de carona. É triste, mas fazer o quê?

  6. Pingback: Discovery Tímidos « AlineValek

  7. Pingback: Discovery Tímidos | Confeitaria Mag

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