Por uma curta categorização das amizades e derivados com os quais a gente meio que não sabe lidar direito

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a garota de quem você ficou amigo com a intenção de “pegar” mas acabou nunca “pegando” e agora tem namorada e não vai mais “pegar” – no começo era tudo físico. o bar era lotado, era amiga do amigo de uma amiga, os olhares se encontraram, aquela troca de palavras que fingia simpatia e interesses em comum mas era na verdade apenas a versão conversinha da introdução instrumental de uma música do r. kelly. um precisou sair mais cedo, o outro disse pra procurar no facebook. se adicionaram, trocaram uma ou outra mensagem, agendas não batiam, datas nunca coincidiram e no meio dessa adorável confusão você conheceu sua namorada. bang. interesses repensados, atenção total e completamente redirecionada e nos últimos anos você apenas não deletou a menina no facebook e no twitter por um certo senso de culpa e uma ideia de que seria meio canalha descartar uma pessoa apenas porque não tem mais intenção de fazer sexo com ela. nesse instante ela está postando um texto sobre como votar 0000 nas eleições vai obrigar o brasil a voltar pra monarquia e você está se perguntando como tem gente que reclama da monogamia.

o cara que é seu seu amigão mas você mal conhece – no começo você achou que era interesse. vocês só tinham se falado uma vez mas ele te chamava pra almoçar, te mandava mensagem do whatsapp, pedia sua opinião sobre seriados. você achou que ele era gay, mas ele não curte caras, achou que era um maníaco mas todo mundo acha o cara bacana, imaginou que era algum lance de trabalho mas vocês nem lidam com as mesmas atividades. depois de alguns meses você apenas aceitou que estava lidando com uma pessoa que por alguma razão tinha desenvolvido uma simpatia imensa por você, mesmo sem nenhum bom motivo e que isso era menos uma coisa assustadora e mais um dos gestos mais simpáticos que outro ser humano já tinha tido em relação a você. mas ainda assim você recusou ir até o prédio dele no final de semana pra pegar uma sauna porque você é assustadiço mesmo, é o seu jeitinho.

o colega de trabalho que quer falar de putaria – era um dia normal de trabalho e ele te chamou na mesa dele. você preso entre planilhas, confinado por reuniões, irritado porque uma pessoa te ligou no celular pra avisar que tinha deixado um recado na secretária eletrônica do telefone da sua mesa pra avisar que tinha te mandado um email, demora um certo tempo para perceber exatamente o que está acontecendo na tela do monitor mas aparentemente envolve uma mulher, um cavalo e algumas atividades que, dentro das cntp da natureza, você não acredita que uma mulher realize com um cavalo. ele pergunta se “você curte” e você, sem saber se ele tá falando de mulher ou de cavalo, apenas sorri constrangido e se afasta em direção a sua mesa, tentando bloquear na sua memória aquilo que josé luiz datena chamaria de “imagens, imagens chocantes”. no dia seguinte ele te chama pra ir na mesa dele, você não vai, ele te manda via messenger link pra um vídeo, que você não abre. na outra semana ele chega na sua mesa com o celular e fala que quer te mostrar uma coisa. você fala que acha melhor não. ele diz que você vai gostar. você diz que duvida. ele fala que vai ser bacana. você diz que não é o caso. alega que precisa ir ao banheiro, se esconde por um tempo, ele não volta a te procurar. alguns dias depois você entra na copa, ele tá lá conversando com umas idosas, te vê e te recebe com um “esse é o alfredinho, garoto manja muito das putarias” e pisca pra você. em alguma fazenda isolada um cavalo que sofreu abuso sexual relincha tristemente.

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3 Comentários

Arquivado em é como as coisas são, Desocupações, Gente bizarra, romantismo desperdiçado, Sem Categoria, situações limite, teorias, Vida Pessoal

3 Respostas para “Por uma curta categorização das amizades e derivados com os quais a gente meio que não sabe lidar direito

  1. Pequenas vitórias da minha vida: saber escolher bem “as garotas de quem você ficou amigo com a intenção de pegar mas acabou nunca pegando”. Ou pelo menos saber escolher aquelas que, nas redes sociais, não incitam ressacas morais.

  2. Seus posts são tão bons que as vezes eu quero fazer um comentário bem legal, mas nunca consigo. Tem vezes que começo a escrever e penso, porque escrever um comentário tão bosta como este ? Melhor não. Aí apago.

    Não vou apagar dessa vez, deixar só mesmo esse registro inútil de como eu gosto e (me identifico, as vezes de forma assustadora) com o que você escreve.

    Ps: Não, não te acho seu amigão e não vou te convidar para uma sauna. Relaxa hehehe

  3. Pingback: Mais do mesmo | Some Odd Stories to Tell

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